>Tropa de Elite. Afinal é o assunto do momento.

>Não tem jeito de fugir do tema. Todo mundo está comentando esse filme que é um dos maiores fenômenos de marketing informal de todos os tempos.

Já vi. E gostei. De quê? Simples: é um filme que conseguiu sair do lugar-comum que sempre existiu nas produções brasileiras retratando os bandidos e traficantes apenas como vítimas da sociedade.

Algo parecido foi feito no filme Cidade de Deus. Porém, foi rapidamente desfeito quando da criação do seriado Cidade dos Homens. Afinal, os personagens principais nunca – repito: nunca! – estavam errados, mesmo quando infringiam as leis. Se o faziam, era por terem sido alijados da sociedade.

Tropa de Elite foge – felizmente – a essa regra. Talvez esse seja o maior mérito do filme.

Há outro ponto interessante: não há heróis. Isso mesmo, ao contrário de muitos, não vejo o Bope e o Cap. Nascimento sendo pintados como os mocinhos do filme. Pelo contrário. O personagem de Wagner Moura fala constantemente de seus conflitos pessoais causados pela brutalidade com que age no comando de seu batalhão. A questão é que ele aceita passar por cima de certos valores a fim de ir para a guerra contra o tráfico e a PM corrupta.

O fato de o filme mostrar o Bope assim se deve à ótica que mostra a guerra urbana do Rio de Janeiro através dos olhos daquele batalhão. Apenas isso.

Não acho que o filme seja fascista e faça apologia ao homicídio e à tortura. Pelo contrário. O filme mostra de forma escancarada que isso ocorre nas ações da polícia e que certo batalhão adota essa prática como normal. Mas o roteiro não esposa essa linha ao não apontar – repise-se – nenhum herói. Afinal, como Cap. Nascimento pode ser herói se passa o filme todo tentando sair do Bope? Ele, o personagem principal, não aguentava mais aquela rotina.

Quanto ao tratamento dispensado pelo filme aos usuários de droga, minha opinião é a seguinte: estão corretíssimos. Não se trata de discutir se o usuário é igual, melhor ou pior que o traficante. Essa é outra coisa. O fato é que, de acordo com as leis vigentes no Brasil hoje, quem compra um bazeado está colocando dinheiro na mão de pessoas que matam policiais e armam crianças para participar de uma guerra urbana. É financiamento e ponto final. Contra isso, desafio qualquer um a apresentar um só argumento que seja.

De resto, achei muito inteligente uma colocação feita por José Padilha (diretor de Tropa de Elite) em uma entrevista: “Quando fiz o documentário do ônibus 174 os conservadores me acusaram de ser esquerdista, pois apresentei o Sandro como fruto de uma sociedade corrompida e que gera pessoas daquele tipo. Agora, com Tropa de Elite, os mais de esquerda me acusam de ser direitista e fascista. Isso quer dizer que fiz dois filmes ótimos”.

Concordo plenamente, afinal as extremas esquerda e direita se tocam sempre.

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2 ideias sobre “>Tropa de Elite. Afinal é o assunto do momento.

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