>O "X" da questão.

>É raro que eu concorde com Reinaldo Azevedo. Ele é muito de direita pro meu gosto. Mas não posso aqui me negar a reconhecer que é inteligente.

Hoje em seu blog ele escreve um texto interessante ainda sobre a polêmica levantada pelo filme Tropa de Elite. Muito boa a abordagem dele. A íntegra do texto está aqui.

Abaixo reproduzo algumas passagens:

É impressionante o fascínio que o Capitão Nascimento continua a despertar no jornalismo esquerdopata. A não ser por um repertório de piadas e expressões que caíram no gosto popular — “pede pra sair”; “O sr. é um fanfarrão”; “aspira” —, eu já não me lembraria mais do caso. Mas a esquerdopatia continua desarvorada. Trata-se de um caso patológico de confusão entre ficção e realidade. E de analfabetismo também: a canalha não sabe ler.
No artigo que escrevi para a VEJA sobre o filme, observei que Capitão Nascimento incomodava, entre outras razões, porque era “violento, mas não corrupto”.
(…)
O que é preciso ficar claro no barulho que a esquerdopatia ainda faz com o filme são as suas falsas motivações. Saibam: não se trata da defesa nem de bandido nem de pobre, mas de si mesma: dos próprio hábitos e vícios. Ela está pouco se lixando se pobre é posto “no saco” ou não. Isso acontece todos os dias nas cadeias brasileiras. E ninguém foi pedir penico pra ONU. Já repararam como os valentes não criticam o “Baiano” do filme, aquele rapaz que tem o hábito de botar desafetos numa coluna de pneus e meter fogo? Quantas são as execuções praticadas todos os dias nos morros do Rio e nas periferias dos grandes centros? Traficante matar traficante? Bem, isso é lá com eles. Pobre massacrar pobre? Normal.
(…)
A cena que dói na consciência dessa gente e que a deixa enfurecida é uma só: aquela em que o Capitão Nascimento enfia a cara do “estudante” de classe média no abdômen estuporado de um traficante e pergunta: “Quem matou esse cara?” Ele próprio responde: “Foi você, seu maconheiro! A gente vem aqui pra desfazer a merda que vocês fazem”.
A canalha não pode suportar essa acusação. Porque ela pretende, cinicamente, gozar de todos os benefícios do estado de direito e de todas as licenças do estado da bandidagem, transitando nos dois pólos sem ser importunada — e, é claro, cobrando sempre da polícia mais segurança e mais eficiência. Em suma: quer garantias constitucionais para continuar a cheirar, a fumar e a fazer poesia com a miséria alheia. Mas também quer segurança, lei e ordem.
A sua dose de cidadania consiste numa consciência um tantinho culpada, em cobrar do governo “mais investimento em saúde, moradia e educação” e em apontar o dedo acusador contra os fantasmas “da direita”… Felizmente, esses picaretas caíram em desgraça. Por isso esperneiam.

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