>Programa de governo e agenda de reformas. Assim se faz uma gestão pública de eficiência.

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Não sou partidário do Presidente francês Sarkozy. Se votasse nas eleições de lá provavelmente não teria escolhido ele. Meu voto teria ido para Bayrou.

Mas Sarkozy venceu e seu governo de centro-direita tem me surpreendido muito positivamente.

Ele está se comportando como um verdadeiro estadista. Tomando decisões baseadas na eficiência da gestão pública e voltadas para a implementação de seu programa de governo e de sua agenda de reformas, que lhe valeram a eleição.

Os franceses podem não gostar de todas as reformas propostas por Sarkozy. Têm esse direito. Mas não podem dizer que não sabiam da intenção do Presidente em implementá-las. Ele sempre divulgou seu plano de ação e foi com base nele que foi eleito.

Uma das medidas dele que achei mais interessantes foi ter convocado algumas das melhores cabeças do Partido Socialista (seu adversário na eleição) para compor o Executivo. Com isso se colocou acima da pequenisse que permeia as disputas partidárias e pensou apenas no que seria melhor para a nação.

Algumas de suas propostas são bem polêmicas, como a que restringe a imigração exigindo, dentre outras coisas, uma renda mínima e um teste de DNA para comprovar parentesco com franceses.

Pode-se discordar de algo assim. É natural. Nenhum governante escapou de apresentar propostas polêmicas. Faz parte. Quanto a dizer se vai ser melhor ou não para a França, isso só os franceses e tempo poderão esclarecer. Pessoalmente, acho um exagero e não apoiaria.

Mas outras iniciativas se mostram muito pertinentes e em sintonia com o mundo moderno e globalizado.

Por exemplo a reforma previdenciária. Sarkozy sabe que ela é fundamental e que não pode deixar de fazê-la se quiser pensar no melhor para o país. Assim, decidiu enfrentar o tema (um dos mais ásperos da política) logo nos primeiros meses do mandato, aproveitando ainda a popularidade alta.

Os protestos existem e existirão sempre. Os sindicatos e os trabalhadores são contra porque pensam em si mesmos e não querem trabalha mais anos do que o atualmente determinado na lei. É compreensível, apesar de eu pessoalmente reprovar essa pequenez de pensamento.

Os partidos da esquerda radical são contra porque são os mais conservadores do cenário político mundial. Para eles o socialismo deve ser feito com o dinheiro e o esforço dos outros, nunca o deles.

A extrema direita francesa também critica a proposta de Sarkozy. Diante disso chego a uma conclusão óbvia: quando uma iniciativa é critica pela extrema direita e pela extrema esquerda, só pode ser boa.

Outra medida polêmica mas socialmente justa de Sarkozy é a que determina a cobrança de mensalidades nas universidades públicas para os estudantes oriundos das classes mais ricas da população.

Agora vejam só que interessante: estes estudantes de famílias ricas que devem começar a pagar pelo estudo que antes era gratuito são a principal base eleitoral de Sarkozy. E as organizações estudantis da esquerda são as que decidem ir às ruas protestar contra a medida. Uma loucura só!

A idéia é perfeita ao cobrar dos que podem pagar e garantir assim o direito dos que não podem. Um socialista não elaboraria um plano tão bom. Talvez não elaboraria plano nenhum.

O fato é que Sarkozy faz um bom governo porque faz o fácil e o óbvio. Deixa de lado as megalomanias que nunca são postas em prática e tenta resolver os problemas práticos dos franceses.

Uma grata surpresa, pelo menos para mim que não esperava muito dele.

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