>Cada uma que a gente vê…

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Cheguei até o blog de Luiz Carlos Azenha. Se chama Vi o mundo. Para quem não se lembra, ele era figurinha comum em reportagens da Globo. Agora anda fora da TV.

A tela inicial de seu blog não me inspira lá muita confiança. Parece muito com Paulo Henrique Amorim com aquele jeito de atacar a mídia.

Li alguns de seus textos. Poucos, é verdade. Culpa mais dele do que minha, afinal são tediosos, repetitivos e não tive paciência de continuar.

Mas um em especial me despertou interesse. Nele Azenha ataca a cobertura feita pela mídia brasileira aos protestos contra a reforma chavista. A seguir alguns trechos. A íntegra, para quem interessar possa, está aqui.

(…) Na capa dos jornais só saem fotos atribuindo a “milícias” chavistas a repressão a estudantes que são contra a reforma constitucional que será submetida a plebiscito em dezembro.
A mídia brasileira se nega a abandonar o maniqueísmo e aceitar que existem estudantes contra e a favor das reformas. No Brasil, clama pela polícia para reintegrar a posse nas ocupações estudantis ou protesta quando movimentos sociais prejudicam o trânsito.
Na Venezuela, o apoio é total ao movimento estudantil, desde que seja contra o governo. As fotos que aparecem acima (acessem o link para o post original) são de confrontos que aconteceram dentro de uma das universidades de Caracas.
(…)
Notem que não há polícia à vista, dado que na Venezuela continua valendo a autonomia universitária. (…)

Li todos os principais textos publicados na chamada “grande mídia” sobre os protestos estudantis ocorridos na Venezuela e não vi nada tão tendencioso quando este texto de Azenha.

Em primeiro lugar não é verdade que os jornais só tenham dado espaço aos militantes contrários a Chávez. Folha, Estadão, O Globo e outros de grande importância sempre destacaram as manifestações favoráveis à reforma constitucional proposta pelo ditador venezuelano.

Todavia, ainda que fossem reportados somente os protestos favoráveis à democracia e, portanto, contrários a Chávez, não haveria nenhuma irregularidade. A imprensa não precisa ceder a todo tipo de agrura só para se passar por isenta e imparcial. Se na Venezuela há dois grupos de manifestantes, um democrático e contrário ao ditador e o outro favorável a este, por que se dar espaço a ambos?

Ora, alguém seria favorável a se abrir espaço a grupos nazistas ou fascistas? Claro que não? Por quê? Porque é errado, criminoso e anti-democrático. O mesmo vale para a Venezuela.

Depois ele tenta criar um paradoxo ao dizer que no Brasil a mídia clama pela polícia contra estudantes que invadem universidades, ao passo que na Venezuela mostra-se favorável ao movimento estudantil.

Aqui a loucura atinge seu ápice. Primeiro é preciso chamar as coisas pelos seus nomes: quem invade, ocupa e depreda o patrimônio público não é um simples ocupante, como quer Azenha (e grande parte da mídia esquerdópata brasileira). Ao contrário, é criminoso, por isso a necessidade de se chamar a polícia. Lembram da “tia Branca”, né?

Na Venezuela a polícia e o exército são jogados sobre manifestantes universitários pela ditadura de Chávez. E isso acontece nas ruas, não dentro dos campus. Bem diferente, não é?

Ele conclui dizendo que a polícia da Venezuela não intervém em caso de conflito entre chavistas e oposicionistas dentro das universidades em razão da tal autonomia universitária. Ridículo!

Autonomia universitária não tem nada a ver com isso. Trata-se de autonomia de gestão, de orçamento, de grade curricular. O poder de polícia continua com o Estado e só por ele pode ser exercido, caro escrevinhador. O governo (qualquer que seja ele) não pode delegar essa função a uma universidade.

As fotos que ele postou estão lá no link para quem quiser ver. Mas a única prova de que são anti-chavistas atacando os defensores do caudilho é a palavra de Azenha. E, sendo assim, eu desconfio muito…
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