>As parcas opções da eleição paraguaia: escolhe-se entre os ditadores e os mal criados.

>Semana passada eu comentei aqui um pouco da eleição paraguaia. Apena um pouco, é verdade, afinal não estou muito inteirado a respeito.

No fim de semana li um pouco mais a respeito e pude formar um convencimento mais claro. Concluí que se eu fosse paraguaio teria certa dificuldade para escolher o meu candidato. Pelo que entendi, há basicamente duas coalizões fortes no Paraguai: uma formada pelos aliados de Lino Oviedo e a outra comandada por Fernando Lugo. Aquela é sustentada por uma série de partidos e movimentos oriundos do regime dtatorial, enquanto esta última traz um leque que vai da centro-direita à extrema esquerda. Quem diz isso não sou eu, mas os fatos. Luiz Carlos Azenha – o “jornalista com groovin” – confirma tal informação em seu site (ele diria sítio).

A imagem ao lado mostra a reprodução de um cartaz feito por um dos partidos que compõem a aliança comandada por Lugo. Sim, eles escreveram isso mesmo. Descobri a tal foto no site do Azenha. O sujeito, aliás, desce ainda mais baixo que os autores do cartaz ao fazer a tradução do palavreado rasteiro. Vai além: saúda a iniciativa como uma forma de demonstrar a insatisfação do povo com o status quo e a necessidade urgente de mudança. Hum… Desde quando a pouca educação e a vulgaridade podem servir de estímulo democrático? Não concordo com isso. Vou além: um cartaz como este acima me afastaria ainda mais da coalizão liderada por Lugo. Como eu jamais votaria em Oviedo, o mais provável é que deixasse a eleição do Paraguai para aqueles que pretendem escolher entre os ditadores e os bocas-sujas.

Mas há uma razão mais importante para me deixar cético quanto à candidatura de Lugo: a sua aliança. A política não é uma ciência exata, mas há certos paradigmas matemáticos e físico que são perfeitamente aplicáveis às eleições. Por exemplo, água e óleo não se misturam. Ou seja, ideologias e propósitos conflitantes jamais poderão trabalhar de forma harmônica.

A coalizão de Lugo é formada por muitos partidos (mais de dez!), a maioria pequenos e inexpressivos. Além disso, há movimentos de direita e de extrema esquerda, moderados e radicais, conservadores e progressistas. Difícil imaginar uma pantomima dessa natureza dando certo. Experiências similares já foram tentadas em outras partes do mundo, sempre sem sucesso.

A Itália, aliás, é um bom exemplo de tais arranjos desastrosos. Aconteceu no passado, com a Democracia Cristã (que tentou unir todas as forças não comunistas) e, mais recente, com l’Ulivo, sob o comando de Romano Prodi. Não há como se ter sucesso unindo radicais e moderados. São incompatíveis entre si. Por isso aposto muito pouco na coezão de um governo comandado por Lugo. Como disse ao início, a coisa está bem difícil para eles.

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