>Jung Mo Sung. Guardem esse nome. Para o sujeito a pedofilia é culpa do celibato!

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Descobri um novo espécime interessante naquilo que se convencionou chamar de “portal de notícias”, denominado Adital. O sujeito se chama Jung Mo Sung. Nunca tinha ouvido falar. O que fiz? Ora, dei aquela “googladinha” básica.

Descobri o link para o currículo dele no sistema Lates. O “carinha” é bastante graduado. E daí? Ora, daí nada. Só estou comentando. Pelo que pude entender ele se dedica ao estudo da docência e da religião. Além disso, há referências à titularidade como professor de algo chamado de “modernas utopias”. Hum… Adiante.

No texto que encontrei (link aqui) Sung se dedica a atacar o Papa Bento XVI acusando-o de leniência na questão da pedofilia praticada por padres católicos. O incrível é que ele se baseia, para tanto, no discurso feito pelo Papa nos EUA em que condenou… a pedofilia! É algo inacreditável. Vamos ao texto dele, intercalado com comentários meus em negrito.

O papa Bento XVI, na sua recente visita aos Estados Unidos, reconheceu que a Igreja Católica não agiu corretamente ao tratar dos casos de pedofilia envolvendo o clero. Junto com esse reconhecimento, ele assumiu o compromisso de lutar para que esses casos não ocorram novamente.
Quando enfrentamos problemas tão graves como esse, existem três possibilidades de abordagem. A primeira é considerar o erro como proveniente basicamente do modo como os agentes responsáveis atuaram dentro das estruturas e regras existentes. A segunda é assumir que a causa principal provém das estruturas e regras. A terceira é diagnosticar o problema como sendo causado por uma mistura de erros de procedimento dos agentes e dos problemas estruturais. Parece que o papa está assumindo a primeira hipótese: a causa fundamental foram os erros de procedimentos dos responsáveis e não haveria nada de substancial na estrutura e das regras fundamentais da vida do clero (por ex., a obrigatoriedade do celibato e a exclusão das mulheres) que precisa ser revisto. No fundo ele parece partir do princípio de que a estrutura da Igreja Católica é inquestionável.
A análise do sujeito já se mostra completamente equivocada a partir do primeiro parágrafo. Para ele, os casos de pedofilia praticados por clérigos denotam falhas na estrutura da igreja católica. Segundo este entendimento ridículo, os criminosos da batina não seriam os diretos responsáveis pelos delitos hediondos que praticam, mas, em vez disso, assumem a posição de quase-vítimas, afinal são “obrigado” a viver sob regras que o escrevinhador considera ultrapassadas.

Sendo assim, dois momentos se destacam nessa luta para que esses escândalos não se repitam: (a) momento da seleção dos candidatos ao sacerdócio e (b) quando os bispos e a comunidade tomam conhecimento de casos de padres pedófilos. É possível e necessário que o processo de seleção dos candidatos ao sacerdócio seja mais rigoroso; mas é impossível evitar que alguém com tendência a pedofilia ou a outros problemas de ordem afetivo-sexual chegue à ordenação. Afinal, eles não se declaram como tais e nem todas as pessoas responsáveis pela seleção conseguem “detectar” essas tendências. Isso sem contar a pressão que os bispos sentem pela falta de clero para atender a necessidades de paróquias sem padres residentes.
Correto. Há que se apurar mais o processo de seleção. Isso, aliás, foi a tônica do discurso do Papa nos EUA. A frase emblemática de Bento XVI foi: “é preferível ter poucos, mas bons padres, do que muitos escolhidos a esmo”. Ah, claro! Notem que as incorreções de escrita do sujeito foram mantidas de acordo com o original. Sei não… Para alguém que estudou tanto…

Assim sendo, sempre haverá casos de pedofilia ou de outros escândalos sexuais com clero, como também em outros grupos sociais ou agremiações profissionais ou religiosas. Então vem o segundo momento: a ação dos bispos ou superiores responsáveis diante desses casos. E infelizmente a história nos condena! Os bispos dos Estados Unidos e também de outros países em que esses escândalos se tornaram públicos têm mostrado um comportamento padrão: transferir o padre para um outro lugar, ao invés de encaminhar para um tratamento ou suspender do exercício sacerdotal.
Exato. E é esse comportamento omisso e cúmplice que deve ser combatido pela igreja (e aqui me refiro à igreja no sentido mais amplo da palavra, ou seja, englobando também os fiéis), não a estrutura. Note-se bem: não estou aqui dizendo que a hierarquia e as regras da igreja católica sejam perfeitas e inquestionáveis. Nada disso. Estou apenas afirmando que tentar relacionar aquelas aos casos de pedofilia é um erro primário.

Essa postura de “negação” da gravidade do problema não pode ser visto como uma simples falha pessoal de um determinado bispo, que poderia ser corrigida com um “puxão de orelha” por parte do papa. Na medida em que esse comportamento tem sido padrão em quase todos os lugares, podemos pensar que ele é uma resposta “sistêmica” da cultura que domina no interior da Igreja Católica.
Nossa! Aqui o sujeito exige do leitor uma capacidade interpretativa tremenda, afinal não é nada fácil entender o que ele quis dizer em meio a tanta – se me permitem – “desconcordância” verbal. Quer dizer então que “essa postura” “não pode ser visto”? Fantástico! O “estudioso” realmente quer encampar a tese que faz da pedofilia uma espécie de contraponto às exigências da igreja como instituição.

(…) A vocação sacerdotal, que sempre é subjetiva, recebe o reconhecimento objetivo e oficial pela ordenação. A Igreja assume o papel de confirmar a vocação sagrada que vem de Deus. Nesse processo, o bispo representa Deus. Mas, se esse mesmo bispo assume publicamente que um ou mais dos seus sacerdotes têm problemas graves no campo afetivo-sexual, toda essa visão do sacerdócio entra em crise. E junto com ela uma determinada visão da Igreja.
Ah é mesmo? E por quê? Onde está o liame, o nexo empírico que pode servir de prova a essa teoria esdrúxula? O homem está dizendo uma besteira atrás da outra. Não é preciso ter estudado tanto quanto o escrevinhador diz que estudou para saber que os católicos preferem – e muito – a censura, a repreensão e a punição dos responsáveis por pedofilia na igreja. Ao invés de desmistificar o catolicismo, a perseguição implacável aos criminosos que se infiltram na igreja poderá, isso sim, engrandecê-lo.

O que houve de comum a todos os bispos que preferiram esconder ou negar o problema da pedofilia ou de outros abusos sexuais cometidos pelos padres é, provavelmente, o desejo de preservar uma teologia que defende a vocação como separação do “mundo”, o ministério de presbíteros como a missão dos sacerdotes de, fundamentalmente, renovar os ritos sagrados (especialmente a missa, entendida como renovação do sacrifício de Jesus na cruz) e, principalmente, manter a imagem da Igreja como instituição sagrada.
Trata-se de um caso perdido. Ele não entende nada de comportamento humano e, menos ainda, de religião. Notem que para ele a teologia católica prega a “separação do ‘mundo'”. Mas é exatamente o oposto, sujeito! Ou não lemos na Bíblia que Deus fez o homem à sua imagem e semelhança? Ou então que mandou seu único filho, o Cristo, viver entre nós e morrer pela redenção de nossos pecados? Vá ler!

Se as minhas reflexões têm alguma razão, esses escândalos não são problemas restritos aos distúrbios sexuais de alguns padres, mas requer toda uma discussão da teologia da vocação e ministério presbiteral, das disciplinas que regem a ordenação (como a exclusividade dos homens, o celibato obrigatório, etc.) e a retomada de uma eclesiologia do Povo de Deus.
Não, suas reflexões não têm nenhuma razão. A pedofilia é um distúrbio sádico-sexual. Basta ler um pouco – só um pouco – de Direito Penal, criminologia e psicologia para saber isso. Os pedófilos são sociopatas portadores de uma enfermidade incurável. Não há ex-pedófilo. Exatamente em razão das características de sua moléstia, ele procura se engajar em locais onde possa ter contato fácil e insuspeito com suas vítimas. É por isso que os pedófilos estão nas igrejas, nas escolas, nos hospitais e, mais recentemente, na internet. Usar o mal que se manifesta através da sociopatia criminal como desculpa para questionar o celibato e outras coisas é, no mínimo, burrice.

Mesmo que essas minhas reflexões estejam equivocadas, não se pode negar que o modo como as pessoas responsáveis lidaram (ainda lidam?) com casos de padres pedófilos e/ou que cometem outros abusos sexuais forma um padrão. E isso mostra que, além dos erros na condução dos problemas, há problemas no âmbito estrutural que precisam ser discutidos e enfrentados. Só assim, o compromisso do papa Bento XVI se tornará eficaz.
Bom, o sujeito deve estar com a consciência pesada e sabe, lá no fundo, que está dizendo asneiras. Afinal, é a segunda vez em dois parágrafos que se questiona quanto à pertinência das loucuras que escreve. Diante de algo assim tão estúpido e primário são despiciendos ulteriores comentários. Depois que ele ler um pouco de Direito, psicologia e, é claro, da Bíblia, poderá dizer algo com mais propriedade e, principalmente, não passará recibo de um total despreparo para o debate.

O que ele escreve é simplório, rasteiro e pode ser descontruído por qualquer um que tenha sido alfabetizado. O corolário de seu “pensamento” é este: A igreja católica exige o celibato; os padres, portanto, não podem ter vida sexual; logo, se praticam a pedofilia é culpa do celibato. É uma estrovenga sem tamanho!

A única coisa que ele consegue com essa argumentação ridícula é fornecer elementos de defesa para os sociopatas pedófilos. Só isso. Ele nega aquilo que nenhuma corrente séria da psicologia (estou excluindo os “foucaultianos” por motivos óbvios) ousa contestar atualmente, ou seja, que a pedofilia é um distúrbio do comportamento humano.

Para o “amigo”, os padres pedófilos, ao cometerem seus crimes sórdidos, estão apenas externando ao mundo sua insatisfação com as exigências doutrinárias da igreja católica. Logo, suponho que os professores pedófilos estejam insatisfeitos, sei lá, com a jornada de trabalho…

O homem não é sério. O que ele escreve, menos ainda. Não merece nem o direito ao contraditório. Apesar disso, mantenho minha prática de mandar a ele (e ao site) que se presta a hospedar suas porcarias, uma cópia do que escrevo aqui. Se ele quiser – e souber – poderá contestar o que escrevi. Duvido que consiga. Por quê? Ora, porque precisaria usar a lógica e racionalidade para fazê-lo.

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