>Descanse em paz.

>

A antropóloga Ruth Cardoso faleceu ontem, no final da noite.

Que descanse em paz. E que todos os seus familiares possam encontrar consolo e conforto neste momento particularmente triste.

O Brasil perde uma pessoa brilhante e de coração puro, que se dedicou a engrandecer culturalmente os mais pobres deste país.

Em qualquer país democrático e civilizado do mundo o Chefe de Estado decretaria luto oficial de três dias. Vamos ver o que será feito aqui.

A perda irreparável que aflige o Presidente Fernando Henrique – e os demais familiares – é a mesma que atingiu de inopinado todos os cidadão e cidadãs do Brasil.

Abaixo reproduzo trechos de um post que Reinaldo Azevedo publicou acerca do lamentável episódio (link aqui):

(…) Nada a irritava mais — e ela se encarregou de proibir tal tratamento — do que ser chamada de “primeira-dama”. Por que não? Ela me explicou: “Porque é uma tradução muito literal, imediata, do termo em inglês, que tem história. Não passaria pela cabeça de ninguém, nos EUA, dizer que não gosta da expressão first lady. Aqui no Brasil, dama não é um termo que se use…” E foi adiante, explicando que a expressão, em nosso país, designava um outro tipo de mulher. Segundo Ruth, a mulher de presidentes e chefes de governo, na modernidade, “são profissionais, pessoas que têm independência intelectual e pessoal”.
(…) Não faz três meses, os tontons-maCUTs que tomaram a política de assalto tentaram enredá-la numa acusação de uso irregular do dinheiro público. Quando ficou claro que o governo havia feito um dossiê para tentar jogar na lama o seu nome e o do marido, tanto ela como FHC pediram que se desse plena publicidade aos gastos. Dilma Rousseff, de quem se fala bastante abaixo, ligou para a sua casa para negar, vejam só, a existência do dossiê. E, no entanto, ele existia.

(…) Ao telefone, Dilma tentou tranqüilizá-la à sua maneira: que Ruth ficasse tranqüila: os gastos continuariam sob sigilo. A interlocutora da ministra era gente de outra cepa. E ficou foi bastante intranqüila com tão generosa promessa: afirmou à ministra que ela, Ruth, fazia questão de que tudo fosse divulgado. Porque nada havia a esconder. A mulher de FHC, em suma, não tinha segredos a serem guardados por Dilma Rousseff.

Bons tempos quando o país tinha no planalto central gente capaz de entender a etimologia das palavras oriundas do idioma anglo-saxão. Não, não estou menosprezando aqueles que não tiveram chance de estudar na vida. Minha crítica se volta àqueles que fizeram pouco caso do assunto e deixaram de estudar mesmo quando tiveram dinheiro e tempo para fazê-lo.

Eu fico imaginando a cara-de-pau (sem limites, é claro) de dona Dilma, ligando para a proba antropóloga e tentando tranquilizá-la dizendo que guardaria os segredos. A sujeita deve ter ficado pálida e sem voz quando ouviu de Ruth Cardoso que não havia qualquer coisa a esconder e que, pelo contrário, tudo deveria ser tratado com transparência.

Ruth Cardoso era íntegra e nunca foi íntima dos métodos sujos usados pela canalha que se banhou a vida toda na lama da pocilga ideológica. Ela não se misturava com vagabundos.

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