>A blasfêmia de Luiz Francisco.

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Acredito que todos lembramos bem do Procurador Luiz Francisco de Souza, não é? É aquele que tinha sempre uma denúncia pronta contra o governo FHC e seus aliados há alguns anos, mas que saiu completamente de cena depois da posse de Lula.

Luiz Francisco – e isso nunca foi segredo para ninguém – se considerava em oposição ao governo passado. Aliás, a qualquer governo tucano. Aliás, a qualquer governo que não fosse petista. A função dele não era zelar pela Constituição e pelas leis. Que nada! O sujeito acreditava ter uma missão maior, algo como estabelecer a justiça social no país dando ênfase na “luta di craçe”.

Por que falo em Luiz Francisco agora? Porque li o livro dele, Socialismo: uma utopia cristã. Sou católico. Como tal, acho que Luiz Francisco merece nada menos que a excomunhão agora. Relacionar a vida de Jesus – o Cristo – com a ideologia responsável pela maior pilha de cadáveres que a humanidade já conheceu é uma blasfêmia, um pecado mortal. Que Deus se apiede da alma de Luiz Francisco. Mas só um pouco.

Abaixo transcrevo trechos de uma entrevista que o Procurador deu quando do lançamento de seu livro. É didática no sentido de mostrar o tipo de pensamento tortuoso e sociopata que existe em sua mente.

ABr – Como o sr. define esse livro?

Luiz Francisco F. de Souza – Esse livro é o resultado de coisas que eu escrevo desde 1979. Poderia ser três vezes maior, é que eu fui enxugando, enxugando, e cheguei nisso. É um livro socialista, com grande peso histórico, de pesquisa, e de diálogo. Os melhores marxistas do Brasil, os anarquistas e até os liberais (que podem ter algumas idéias boas, apesar de o livro ser antiliberal, porque o liberalismo é a ideologia do capital, mesmo que no melhor dele haja pontos democráticos): eu os convido a lerem e a fazerem uma crítica dele. Se eu estou errado em algum ponto – e é possível que eu esteja -, me corrijam. O livro ajuda as pessoas a combaterem mais os ricos opressores, os latifundiários, o grande capital monopolista, tudo que é opressor – como o racismo. Ele convida as pessoas a participar dos movimentos de mulheres, negros, indígenas, ambientalistas. O livro traz uma mensagem boa.

Só de pensar que a estrovenga poderia ser três vezes maior… Que desespero! Outra curiosidade é saber a quem ele se refere quando fala “os melhores marxistas do Brasil”. Emir Sader? Marilena Chauí? Vai entender… Aliás, o que seriam os melhores marxistas? De acordo com a doutrina do velho Marx, devo presumir que são aqueles que aprenderam a matar mais e melhor, não é?

(…) ABr – Então o sr. não vê diferença entre o trabalho que fazia antes e o que faz agora?

Luiz Francisco – Acho que faço até melhor, porque agora tenho um cargo. Ele cria uma proteção. Claro que não estou desvirtuando o meu cargo. Graças a Deus, ele é forjado na Constituição para isso, para defender índios, interesse público, bater em corrupto, traficantes, atacar sonegador, gente que lava dinheiro, remete dinheiro para fora do país, faz devastação ambiental, rouba patrimônio público.

Sim, sim, claro. Mas por que ele só bate em alguns corruptos? Por que faz diferença entre corrupção? Onde está o bravo Procurador para apurar os desmandos do governo mais corrupto da história “destepaiz”?

ABr – Qual é a idéia básica por trás de tudo o que o sr. fez no seu trabalho, antes e agora?

Luiz Francisco – Está no livro. É uma forma de entender a religião calcada na Teologia da Libertação. Essa é a idéia básica que orienta minha visão jurídica, religiosa, política, filosófica. É uma forma de socialismo participativo com ampla inspiração cristã.

Entenderam? Ele não se guia pela Constituição e pelo Direito, mas pelo que escreve Leonardo Boff. Isso é motivo mais que suficiente para jogar no lixo o que o sujeito escreve.

(…) ABr – Em termos éticos e religiosos, o que o sr. entende desses desvios que combate?

Luiz Francisco – Quanto você combate um corrupto, um sonegador, um traficante, você faz um favor a ele mesmo. Por exemplo, combater gente igual ao Luis Estevão e outros é um favor que se faz a eles, a gente ajuda a libertá-los de relações que matam, levam à destruição. Não é por ódio: a gente combate para suprimir o enriquecimento ilícito e alguns anos de liberdades deles, para garantir a eles um bom tempo de reflexão no sistema carcerário humano. Só não defendo nenhum tipo de maus tratos. Mas, que ele possa reconstituir a consciência, repensar os atos da vida dele.

É aterrador. O sujeito se acha mesmo na função de moldar o tal novo homem que surgiria a partir do socialismo. Aí eu pergunto: se o rapaz não quiser mudar, o que se faz? A história responde: eles matam!

ABr – O que o sr. entende que um sujeito desses pensa da vida?

Luiz Francisco – A maior parte dos milionários do país, dos latifundiários não pensa na questão social, no trabalhador. Só pensa em enriquecer. Se têm um milhão, eles querem dez. Tendo dez, querem cem, e tendo cem, vão querer um bilhão. Todos estão em uma rota muito destruidora da própria vida. São pessoas que não têm sensibilidade nenhuma, nem ética. Se tivessem, não juntariam essas fortunas gigantescas.

Notem que a lógica de Luiz Fernando leva a crer que se alguém consegue 100 milhões é porque tirou de outro, mais pobre. Ele junta tudo o que de pior existe na teoria marxista e mistura com o desastre que se tornou a teologia da libertação. O sujeito precisa ser internado.

(…) ABr – Que mais o sr. vê no Brasil de hoje indo de encontro ao pensamento cristão?

Luiz Francisco – O pensamento cristão repudia totalmente o latifúndio e também que sejamos uma colônia controlada por multinacionais. No mundo inteiro, tem umas 60 mil multinacionais. Dessas, umas 600 são as perigosas. O Brasil poderia receber muito bem um italiano que quer fazer uma pequena pizzaria. Agora, um cara para comprar a nossa telecomunicação, a Vale do Rio Doce não é nada bem vindo. Deveria ser banido. Pequenas firmas tudo bem, grandes não.

Segundo o sujeito, a Bíblia é contra as grandes empresas “duzamericânu”. Onde ele leu isso? Que catecismo ele freqüentou?

O cristianismo também rejeita jornadas de trabalho como a gente tem no Brasil. Deveriam ser seis ou sete horas corridas. Para todos. (…)

Novamente é preciso que se diga que todo esse monte de lixo é a interpretação dele. Não há nada de verdadeiro no que o sujeito fala.

ABr – Isso tudo está amparado na Bíblia, ou são desenvolvimentos posteriores?

Luiz Francisco – Está na Bíblia, no pensamento dos santos padres, todos os principais santos da Igreja, inclusive Santo Antônio de Pádua, que atacou os ricos de forma duríssima. É o santo do amor, do namoro, do casamento e, ao mesmo tempo, era duríssimo contra os ricos. Quase todos os socialistas dos séculos XVI a XX são mencionados no livro.

Repito o desafio: que me mostre em que passagem bíblica se encontra tal absurdo.

O livro menciona quase 2 mil autores, inclusive a bibliografia de Karl Max, com os principais episódios da juventude dele. Marx é profundamente influenciado pelo pensamento hebraico da família dele e pelo pensamento cristão do meio em que foi criado. Até o Bakunin, que é o maior anarquista, eu menciono que se tornou revolucionário dentro do pensamento cristão. Ele tem textos em que revela que encontrou Deus na revolução, nas lutas operárias. Na juventude dele, até 1843, o pensamento dele é todinho cristão.

Mas como é possível associar o ideólogo da maior máquina de matar que o mundo já conheceu aos princípios cristãos? É por isso que Luiz Francisco deveria ser excomungado.

ABr – Como, em seu desenvolvimento intelectual, esses autores se voltaram ao ateísmo?

Luiz Francisco – Uma das explicações é a hipocrisia. Os ricos, para manter e legitimar suas fortunas, desvirtuam o cristianismo. Eles criam um fantasma, uma máscara hedionda (como a TFP – Tradição, Família e Propriedade), dizendo que isso é normal, justo, que é Deus quem quer. Diante de ricos hipócritas, que difundem um cristianismo aguado, torpe, que é idolatria por riqueza, e, devido a certa cumplicidade de setores da igreja com os ricos, houve lideranças operárias que interpretaram o cristianismo desse jeito.

Entendi. Quer dizer que Marx, aquele exemplo de ser humano justo, amoroso e pacifista, ficou chateado com a hipocrisia do cristianismo e, por isso, se voltou para o ateísmo? É isso mesmo que o sujeito disse? Mas que absurdo!

Eu adoro a igreja, sou católico, ecumênico, mas é evidente que ali tem gente boa e tem bandidos. Houve cardeais, como Dom Jaime Câmara, sempre omissos. Devido a essa conivência de alguns e ao fato de vários ricos controlarem os meios de comunicação, que desvirtuaram o pensamento cristão, gerou-se esse tipo de anomalia.

Ora, ora, ora. Um adepto da ideologia da pocilga sanguinária acusando a utros de serem bandidos e gente má. Certamente ele acha que há mais santos nas hostes do comunismo do que na igreja, não é? Talvez até ache que o Papa Bento XVI é um bandido, ao passo que deve admirar gente assassina como Stálin e Lênin.

(…) ABr – Nessa genealogia intelectual, pode-se dizer, no limite, que Jesus era socialista?

Luiz Francisco – Dá para dizer. Na verdade, não está nem em Jesus, está antes. Está lá na gênese da coisa, no exemplo de um Moisés, que lidera toda uma revolução em combate a um governante, que é o faraó. Veja a regra máxima que Marx usava para caracterizar uma sociedade socialista: “A cada um de acordo com as suas necessidades e de cada um de acordo com as suas capacidades”. A primeira parte disso está nos Atos dos Apóstolos, duas vezes expresso. É bíblico: está no capítulo II dos Atos e no capítulo IV.

É mentira e blasfêmia! O sujeito só merece o inferno! Jesus então era socialista? O filho de Deus, aquele que deu a vida para nos salvar de todo pecado está sendo comparado a gente como Mao e Pol-Pot. É isso que Luiz Francisco está dizendo. Ele coloca o cordeiro de Deus como cúmplice de uma ideologia que matava e causava terror entre os mais pobres, tudo em benefício de uma classe dirigente abastada. Os socialistas e comunistas pecam contra o Espírito Santo e, por isso, não serão perdoados. Será o filho do Homem a condenar o Procurador no fim dos dias.

(…) ABr – Jesuítas e guarani, o socialismo real do século XX: são experiências que esbarram no fator liberdade. Como entra esse elemento na equação do pensamento cristão e socialista?

Luiz Francisco – A liberdade é fundamental, e o livro critica a experiência socialista stalinista, da União Soviética, mesmo com os méritos que teve, a estatização dos grandes meios de produção, os mecanismos de saúde gratuita, educação, coisas boas que têm que ser feitas. Mas, o cerceamento cultural, o controle ideológico do pensamento, a imposição estatal de uma filosofia, a supressão da liberdade de imprensa e de expressão, a ausência de imprensa comunitária e livre, tudo isso foram erros malucos. Não tem nada a ver com cristianismo, é uma coisa até diabólica, e do mesmo jeito esses erros foram cometidos pela Inquisição e em Cuba. O livro elogia em Cuba as coisas boas, educação e saúde de primeira qualidade. Mas, sem liberdade e controle social não é socialismo, é ditadura.

Esse é o truque mais barato e arrivista de quem abraça a ideologia da pocilga. A canalha critica o Stalinismo no intuito de salvar o comunismo e o socialismo. Ridículo. Dos 100 milhões de mortos pelo comunismo no mundo, Stálin “só” matou 20 milhões. Os outros 80 milhões são obra de outros regimes. Mas Luiz Francisco não consegue condenar por completo o stalinismo. Ele faz questão de elogiar aquilo que chamou de méritos do regime soviético. É como se eu contratasse um eletricista para refazer a instalação elétrica de minha casa. Aí, no final do dia, chego e descubro que ele estuprou minha mãe, sodomizou minha filha e estrangulou minha esposa. Mas aí olho para a instalação elétrica e concluo: “Pelo menos ele fez algo de bom.” Gente como Luiz Francisco é a escória da humanidade.

ABr – É possível conciliar igualdade, liberdade e Estado?

Luiz Francisco – Tranqüilamente. Se você for aos países europeus, diversos institutos resistiam bastante ao neoliberalismo: nos países nórdicos, até a saúde pública da Inglaterra, a Receita Federal da França. São coisas que têm a ver com a luta milenar por democracia e socialismo. Democracia e socialismo são a mesma coisa. O melhor conceito de socialismo é: democracia social, política e cultural. Verdadeira. O socialismo nasce como um desdobramento do pensamento democrático.

Não minta, sujeito! Seja homem e fale a verdade! Jogue com cartas limpas! Me aponte um – basta um! – país nórdico que tenha sido comunista ou socialista. Não há! Nunca houve! E por isso eles estão entre os melhores do mundo em tudo! Ali, ao contrário, vige de forma plea a social-democracia, corrente que surgiu para separar o progressismo reformista sério de qualquer vínculo com uma ideologia que só deixa como legado cadáveres.

Luiz Francisco invocou o nome de Deus em vão e associou Jesus a uma máquina de matar. Pouca gente conseguiu escrever algo tão nojento e idiota quanto ele. Merece o limbo. Como já disse antes, que Deus se apiede de sua alma. Mas não muito.

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Uma ideia sobre “>A blasfêmia de Luiz Francisco.

  1. Bento

    >Sou católico mas tenho noção de que a pilha de cadáveres deixada por inquisição e cruzadas é maior do que a do socialismo.

    Resposta

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