>Como se manter comunista depois dos 30 anos.

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O texto abaixo eu o encontrei no portal Democratização da Leitura. É um site que oferece e-books e audio books para download. Muito interessante, aliás. Quem postou o que vai abaixo assinou-se como Rodolfo Almeida. Não conheço, mas o colega é muito sagaz. Em seu texto, Almeida ensina aos comunistas como se manterem fiéis à ideologia da pocilga mesmo depois dos 30 anos.

Parabéns camarada, mais um aniversário. Você está preocupado porque em alguns anos atingirá a marca de 30 anos e lhe disseram que, ao atingi-la, você não continuará a ser comunista. Como continuar comunista depois dos 30? Quer saber? Leia as instruções abaixo:

A primeira regra para se manter comunista após os 30 é: nunca diga que é comunista. A segunda regra para se manter comunista após os 30 é: NUNCA diga que é comunista. Isso significa que você deve adotar um pseudônimo. Você dará a desculpa que a sua identidade secreta foi criada para você se defender do patrão, mas, na verdade, esse “novo eu” serve para que você possa externar todo o Partidão que existe dentro de você, sem ser ridicularizado. Se alguém questionar a duvidosa coerência do uso de um pseudônimo você poderá argumentar dizendo que Stendhal, Lênin, Pablo Neruda e George Orwell também usaram pseudônimos.

A terceira regra para se manter comunista depois dos 30 é se afastar do mundo produtivo. Monte sua própria banda antiamericana ou, melhor ainda, torne-se um professor universitário. Assim você poderá viver confortavelmente às custa de seus fãs ou do governo. Você terá um refúgio contra o capital para escrever maciçamente contra ele sem ser importunado.
Você poderá escrever e falar qualquer asneira que defenda o comunismo. Poderá, por exemplo, afirmar que na URSS havia liberdade. Poderá até mesmo dizer que o comunismo propriamente dito nunca existiu e que Stálin é o grande culpado. Defenderá Cuba, mas dirá que o comunismo nunca existiu. Defenderá que a URSS não foi um império, mas negará a existência do comunismo. Meu jovem, na vida você faz escolhas. Seja coerente ou seja comunista.

Apoio é importante. Se você tiver uma banda, logo terá um fã-clube. Se você se tornar um professor universitário logo terá vários “voluntários” trabalhando de graça para você. Eles divulgarão os seus livros e os seus artigos sem que você precise pagar nada por isso. Sempre terá uma pessoa carente que vai acreditar nos seus discursos contra o sistema. Ora, quer algo mais sedutor do que isso? Dizer a um jovem que quer mudar o mundo que existe uma saída? Lembre-se. Ingênuos não faltam nesse planeta.

Reescreva a história. Diga que o comunismo é a força do povo e não a forca do povo. Diga que o comunismo não matou ninguém. Diga que não é um sistema que poucos ganham muito e muitos não ganham nada, além de chibatadas nas costas e férias forçadas na Sibéria.

Para ser defensor do
comunismo é necessário exaltar o crime. Assassinos em massa são líderes e assassinos comuns são vítimas do sistema capitalista opressor. Culpe o capitalismo por tudo. Culpe a polícia sempre. Nunca os bandidos. Exalte o comunismo sempre. Mas lembre-se, ele nunca existiu de verdade. Você vai ensinar que os policiais são os novos capitães do mato e em todo camburão tem um pouco de navio negreiro. Os seus seguidores acreditarão que você é mesmo contra o sistema. Se alguém invadir a sua casa ligue para a polícia, mas não diga aos policiais que você os critica. Também não conte a nenhum dos seus amigos o que aconteceu. Afinal quem precisa de polícia, não é verdade? Mas, cuidado. Defender o crime e difamar pessoas nem sempre dá certo.

Escreva muitos livros. Sobre tudo. Escreva muitos artigos. Sobre tudo. Em todos eles culpe sempre a burguesia e os Estados Unidos. Por tudo. Os EUA são sempre culpados por todos os males do mundo.

Faça textos antiimperialistas, mas negue a todo tempo que a URSS foi imperialista. Você pode fazer isso, claro. Se ficar muito claro que a URSS é imperialista, diga que o verdadeiro comunismo nunca existiu. Culpe, então, Stálin e diga que um dia o Messias chegará para libertar o povo das amarras da tirania. Deixe a entender que o Messias pode ser você. Se tudo isso não colar, bote a culpa nas elites deste país.

Use a incoerência. Sempre. Defenda ditaduras em nome da liberdade. Defenda o patriotismo, mas use o brasão da URSS. Diga que você defende os negros, mas em todos os seus registros classifique-se com Caucasiano (Branco), apesar de ser mestiço. Defenda as mulheres em público, mas seja machista no privado. Defenda o uso do idioma português correto, mas ignore os analfabetos que chegam ao poder. Acuse a burguesia de todos os males. Importante: você não é burguês. Minta. Diga que você acessa a Internet de uma Lan House e não de casa, afinal você é um defensor dos pobres. Não pega bem que saibam que você tem carro, tv a cabo, máquina digital, microondas, celular com câmera e internet com banda larga em casa.

Denomine-se “outsider” (em inglês mesmo) e mantenha um perfil cheio de preferências e fotos no Orkut. Passe a todos que você é cult e inteligente. Procure comunidades de pensadores e movimentos sociais. Não basta ser comunista, tem que ser cult.

As pessoas deixam de ser comunistas após os 30 anos porque entram em contato com a realidade. Amadurecem e percebem o grande erro que é tentar planejar e dirigir a vida das pessoas de cima para baixo. Só os artistas, os comunistas e os que vivem das tetas do governo podem encher os pulmões e dizer: “Eu sou burguês, mas eu sou artista. Estou do lado do povo…”

Entendeu? O importante não é só enganar os outros, mas enganar a si próprio. Desta forma você ultrapassará a barreira dos 30 e continuará a ser comunista.

Siga estes passos e com certeza você vai ganhar muito dinheiro. Lembre-se, Cristo atingiu seu ápice aos 33 anos. Portanto, nunca deixe de ser a vítima, mas muito cuidado para não ser desmascarado um dia!

Update: Depois de uma dica vinda de um amigo e algumas “googladas”, descobri que o texto acima já era uma espécie de febre na internet, tendo sido publicado e republicado em vários sites e blogs. Enfim, não tenho certeza que tenha sido Rodolfo Almeida a criá-lo. De qualquer sorte, fica aqui meus parabéns para o autor da peça.

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