>Convenção Democrata – II: Hillary conclama os eleitores Democratas a votar em Barack Obama.

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A eleição americana continua muito interessante. Mais do que todas as eleições municipais brasileiras deste ano. Mais até que qualquer eleição presidencial daqui.

Na eleição americana tenho sido um grande derrotado até agora. O candidato que eu considerava ideal sequer participou das disputas iniciais. Era Michael Bloomberg, prefeito de Nova York.

Tudo bem, uma vez elencados os nomes que iriam lutar pela nomination dos dois principais partidos americanos, escolhi Rudy Giuliani. O então queridinho dos Republicanos foi destruído por uma estratégia de prévias ridícula e sua candidatura implodiu.

Aí pulei a cerca e resolvi esoclher Hillary Clinton, senadora por Nova York e ex-primeira dama dos EUA. Hillary é de longe a Democrata mais preparada para assumir a presidência dos EUA. Ela tem programa de governo de agenda de trabalho e sua assessoria é forte e muito competente. Além disso ela tem personalidade forte o bastante para se tornar comandante-em-chefe das Forças Armadas, isso para não mencionar o know how que ela traz da experiência de Bill Clinton na Casa Branca, disparado o melhor presidente Democrata dos últimos 30 anos.

Parecia tudo muito resolvido. O governo Republicano de Bush é muito mal avaliado e Hillary sempre contou com uma altíssima preferência entre os eleitores. As pesquisas de opinião, aliás, apontavam que a ex-primeira dama era imbatível, pois vencia o confronto com todos os rivais Republicanos – inclusive Giuliani, então queridinho dos Republicanos. Mas aí surgiu o messias negro, o homem da mudança, o fenômeno das multidões… e o caldo dos Democratas entornou.

Pessoalmente acho que o partido errou. Política tem fila e essa deve ser respeitada. Os Democratas, porém, permitiram que o fenômeno Obama crescece e ganhasse cada vez mais fôlego. A idéia deles era a seguinte: como os eleitores estão desmotivados com a política, nada melhor que algo totalmente novo – como um candidato negro – para avivar o sentimento da população, principalmente a mais jovem.

E Obama cresceu. Empolgou. Seduziu. Seus discursos “contra tudo isso que tá aí” cooptaram uma fatia muito grande do eleitorado. Quando os Democratas resolveram atentar para o fenômeno, Obama já tinha a indicação do partido nas mãos. Hillary, muito perspicaz, percebeu isso com muita antecedência. No início jogou duro, exigindo que o partido respeitasse a fila e enquadrasse Obama. Não conseguiu. Com o passar do tempo, vendo que a guerra fratricida entre ela e o senador por Illinois traria grandes prejuízos, Hillary propôs um armistício. Segundo a idéia da senadora, os dois disputariam as prévias até o fim sem nenhum ataque mútuo e quem perdesse seria vice do outro. Obama não quis. Na época, o senador já estava na crista da onda e decidiu que deveria ter amplo controle sobre as escolhas de sua campanha. Foi outro erro ele.

Hoje, o mundo inteiro noticiou o discurso de Hillary na convenção Democrata com alguma ênfase e uma exagerada surpresa. Parecia que ninguém esperava um apoio tão convicto e direto ao candidato Obama, principalmente vindo de sua maior oponente, que recebeu quase 20 milhões de votos nas primárias. Mas Hillary mostrou que não é movida pelo egoísmo e não é candidata de si mesma – ao contrário de Obama. A senadora agiu como estadista e pensou no partido, colocando os interesses do programa de governo que ela defende acima dos seus. É o que um povo espera de um político.

A situação para Obama está deveras complicada. Pela primeira vez desde que a corrida começou ele perdeu a dianteira e o Republicano John McCain começa a figurar em primeiro nas sondagens realizadas. É muito cedo para dizer que o partido de Bush se recuperou e vai vencer. O carisma de Obama é muito forte. O dinheiro que ele juntou é enorme – quatro vezes mais que o de McCain. E o apoio da opinião pública – nacional e internacional – é total. O Democrata ainda é o favorito. O discurso de Hillary, neste contexto, o ajuda ainda mais. Mas não é certeza de vitória.

Bill Clinton uma vez disse: “Não subestimem a capacidade do meu partido de perder uma eleição.” Pois é. Por isso ainda acho que Obama não vai vingar. Aliás, já dizia isso no ano passado, quando a tal “onda da mudança” ainda estava se formando. As eleições americanas são decididas, via de regra, com base em critério objetivos e concretos. É essa solidez e essa objetividade que faltam a Obama, por isso aposto no velhote Republicano.

Quanto a Hillary, provou que eu estava certo ao torcer por ela. A mulher não é apenas senadora e ex-primeira dama: é uma estadista de primeiro time. Espero que os Democratas percebam isso o quando antes.

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