>John McCain encerra a convenção Republicana e promete unir o país.

>

Discurso simples, objetivo e pacificador.
Acompanhei o discurso de John McCain no último dia da convenção Republicana que o indicou oficialmente como candidato do partido à Casa Branca. O “velhote” é mesmo muito simpático e, acreditem, bem mais verdadeiro que Obama. Ao ver os dois na televisão é impossível não perceber que o Democrata foi exageradamente mistificado e endeusado pela opinião pública. McCain é mais real, mais palpável e, por isso, passa mais confiança.

O discurso de McCain não foi dos mais empolgantes. Nem poderia ser, afinal esse não é o forte do Republicano. Talvez por isso a estratégia que culminou com a escolha de Sarah Palin para a vice se mostre cada vez mais acertada, afinal a governadora do Alaska se mostrou muito desenvolta diante das câmeras e capaz de incendiar a platéia, qualidades que faltam ao cabeça de chapa.

McCain se ocupou apenas de representar sua própria pessoa no palco: foi duro, firme e objetivo. Lembrou várias vezes seu passado de soldado e as dificuldades que enfrentou durante a guerra do Vietnã. Citou Obama apenas umas poucas vezes e, na mais dura, disse o seguinte: “I will reach out my hand to anyone to help me get this country moving again. I have that record and the scars to prove it. Senator Obama does not”, ou seja, “Estenderei a mão a qualquer um que queira ajudar este país a progredir outra vez. Eu tenho história e cicatrizes para prová-lo. Obama não tem”.

McCain, porém, investiu muito na imagem do homem experiente e conciliador. Fez questão de ressaltar, por exemplo, seu esforço para reconstruir as pontes entre os Estados Unidos e o Vietnã, depois da guerra. A idéia foi clara: O mesmo homem que não teme a guerra sabe fazer a paz. Foi com base nessa idéia que McCain prometeu trabalhar com os dois partidos a fim de superar os problemas do país e construir um futuro melhor. O “velhote” tem bagagem para dizer isso. Caso não saibam, ele assinou projetos de lei em parceria com vários senadores Democratas, por exemplo, com Kennedy.

Críticas ao messianismo de Obama.

McCain também fez questão de parecer real e verdadeiro, próximo do americano comum. Sua estratégia era se distanciar da figura um tanto mítica de Obama e mostrar o quanto o messianismo criado em torno do Democrata pode ser prejudicial ao país. Disse: “Eu não estou concorrendo à Presidência porque me ache abençoado com alguma grandeza pessoal ou porque a história me ungiu para salvar o meu país na hora da necessidade. Meu país é que me salvou. Meu país me salvou, e eu não posso esquecer isso.”

A colocação foi perfeita e, podem apostar, vai encontrar eco em grande fatia do eleitorado americano, inclusive entre os indecisos e independentes. Obama está criando nos Estados Unidos um fenômeno de culto à pessoa parecido com o “lulismo”, aqui no Brasil. Com isso, o Democrata ganha um eleitorado fiel e forte que não deixa de apoiá-lo em nenhuma hipótese. Por outro lado, cultiva uma antipatia enorme entre aqueles que decidem não abraçar sua causa. É exatamente essa segunda fatia que McCain quer “transformar” em Republicana daqui a dois meses.

Simbiose perfeita entre McCain e Palin.
Uma coisa ficou perfeitamente clara nos dois últimos dias da convenção Republicana: McCain e Palin se completam à perfeitção. Palin trouxe a jovialidade que faltava aos Republicanos, além de seduzir – e muito! – a ala mais conservadora e o eleitorado feminino. Já McCain, por sua vez, contribui com sua indiscutível experiência, seu passado de herói de guerra e apresenta as propostas concretas de sua chapa.

Trocando em miúdos podemos dizer o seguinte: McCain pode se dedicar exclusivamente ao programa de governo e a conquistar os eleitores, deixando para Palin a função de confrontar diretamente os adversários Democratas. Estes, aliás, ficam em uma saia justa: não podem partir para o ataque duro e frontal contra Palin, afinal ela é mulher e isso pode pegar muito mal, principalmente vindo de um candidato que já é marcado pelo desprezo a um ícone da política americana, Hillary Clinton.

Próximas pesquisas vão dar o tom do restante da campanha.
Os próximos dias dirão muito sobre o final da camapanha eleitora americana. Se as pesquisas continuarem a mostrar os candidatos tão próximos a tendência é que o tom suba, o que pode favorecer os Republicanos, mais acostumados a duros confrontos.

Obama ainda aparece na frente, mas não consegue deslanchar e transformar em intenção de voto toda a publicidade e exposição que vem recebendo há meses. McCain, por seu turno, cresce de forma sólida em alguns estados fundamentais para a escolha final do futuro Presidente.

Num cenário assim os debates podem ser decisivos. Obama corre mais risco, afinal sua oratória e eloqüência parecem seduzir mais as grandes multidões do que o telespectador. É como se ele fosse um homem de palanque, não de estúdio. Qualquer semelhança com Lula é mera coincidência. Ou não…

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s