>Selvageria no Rio e estupidez na internet.

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Todos vimos, creio, as imagens do lamentável episódio acontecido no Rio de Janeiro, onde alguns bandidos travestidos de funcionários da SuperVia agrediram os usuários do sistema ferroviário daquele estado. Para recapitular o ocorrido, aconselho o texto abaixo, da Folha Online:

Funcionários da SuperVia, concessionária que administra o transporte ferroviário no Rio, são acusados de agredir passageiros com socos e chicotadas ao tentar acomodá-los nos trens durante a greve dos ferroviários (…)

A concessionária informou que afastou quatro funcionários suspeitos de envolvimento nas agressões. A assessoria de imprensa da Secretaria Estadual de Transportes do Rio de Janeiro não soube informar quais medidas a pasta irá tomar acerca das denúncias.

Em assembleia realizada na noite de terça (14), o sindicato dos ferroviários decidiu não acatar as propostas da concessionária e manter a greve, iniciada à 0h de segunda. (…)

O óbvio.
Só mesmo em um país como o Brasil, onde impera uma inversão de valores tão grande, é preciso dizer que o que vai relatado acima é criminoso, absurdo e vil. Não há justificativa para a conduta tresloucada dos funcionários da SuperVia, pois nada justifica um tratamento dessa natureza contra quem quer que seja. Ainda mais em se tratando dos usuários do sistema ferroviário carioca, que são os verdadeiros patrões dos agressores – afinal alimentam os lucros da concessionária.

O primeiro e importante passo já foi dado: a SuperVia demitiu os bandidos. Não havia outro caminho possível. Agora resta à polícia e ao Ministério Público cuidar da responsabilização criminal dessa gente, que não deve ficar à solta pelas ruas.

Isso, caros, é o óbvio. Só mesmo alguém desprovido de cérebro pode pensar qualquer coisa diferente do que vai acima.

A legião.
Mas há, sabemos, os demônios. E eles não têm cérebro, pois são movidos apenas pela missão de atacar qualquer um que não se enquadre no padrão estúpido deles, no mais das vezes representado pela ideologia pogreçista e politicamente correta.

Me escreve um idiota, cujo nome não vou mencionar para que ele não tenha o que festejar:

E aí? Não vai falar nada sobre o ataque brutal que aqueles jagunços da supervia praticaram contra trabalhadores honestos? Nem uma palavra? Nada? Se fosse um bando de favelados parando uma rua e protestando por segurança, aposto que ia ser escrito alguma coisa, né? Mas como foi gente contratada por uma empresa privada para açoitar o povo, você não tem coragem de dizer uma palavra! Isso porque sua ideologia se baseia na defesa irrestrita (e irracional) do que é privado, em detrimento do que é público. Por isso não vê nada de mais quando uma empresa ataca trabalhadores humildes. Você (e toda a direita brasileira) deveria se envergonhar e aproveitar a oportunidade para fazer autocrítica, pois o episódio deixa claro que as privatarias tão defendidas por vocês não trazem nada de bom para o povo pobre. Pelo contrário, ele até apanha.

Viram? É com coisas assim que eu me vejo obrigado a lidar diariamente. Não subestimem a chatice dessa gente: é preciso uma dose cavalar de paciência…

Sim, eu criticaria se “um bando de favelados” fechasse uma rua para protestar. E por quê? Porque a rua não é deles, ora. Simples, não? Agora, vejam que maravilha: eu seria o direitista, mas quem chama os moradores das favelas de “bando de favelados” é ele, o pogreçista. Não é mesmo lindo?!

Segundo o símio, o episódio de violência ocorrido no Rio mostraria de as privatizações não funcionaram. Será mesmo? Não creio. Aliás, penso exatamente o oposto. Explico: o que fez a SuperVia ao tomar conhecimento dos fatos? Demitiu os bandidos que atacaram covardemente os cidadãos. Sim, demitiu! De forma rápida e decidida. Pergunto: o que aconteceria se os trens fossem operados pelo Estado e um grupo de servidores públicos agredisse os usuários? Ora, seria “imediatamente” instaurado um procedimento administrativo para apurar as responsabilidades. Os agressores, claro, seriam afastados das funções, mas sem prejuízo dos salários. E isso até que houvesse uma eventual demissão, coisa que, SE efetivamente ocorresse, poderia demorar anos.

Assim, temos um sistema onde falhas funcionais existem – afinal estamos lidando com seres humanos, certo? -, mas os culpados são rapidamente identificados e punidos. No outro sistema, o estatal, os envolvidos enrolariam tanto no exercício do tal “direito de defesa”, até que a população e a opinião pública esquecessem do fato. Na privaticação, perde-se o emprego e o dinheiro, ou seja, o cidadão agredido não paga mais o salário de quem o agrediu. No sistema estatal, o criminoso continuaria recebendo salário normalmente.

Aliás, pensando bem, duvido que fosse possível sequer identificar os agressores, caso as ferrovias fossem operadas pelo Estado. Isso porque, tempo, não haveria câmeras de segurança nas estações, afinal o poder público, sabemos, não é lá muito competente em matéria de investimentos…

Concluindo, só posso saudar ainda mais a participação do setor privado na gestão da coisa pública. Como é de costume, um problema foi identificado e sanado de forma rápida e eficiente. Mas o diabinho da legião não se importa com isso. Na verdade, ele nem liga se o povo está apanhando nas estações ferroviárias. Tudo o que ele quer é um carguinho público, que só poderia conseguir por meio do aparelhamento da máquina. Por isso não querem a privatização. Talvez, se um companhêro de partido trabalhasse nas estações e desse, eventualmente, algumas chibatadas nos cidadãos, tudo não passaria de – como é mesmo – “invenção da mídia golpista e preconceituosa”, alimentada pela “sanha dazelite“.

Haja paciência…

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Uma ideia sobre “>Selvageria no Rio e estupidez na internet.

  1. Celso78

    >Imagino como não seria tudo se a ferrovia fosse do Estado. Talvez a única diferença seria o agressor: algum PM, em vez de um funcionário qualquer. E aí, o usuário seria tratado a cacetete e bala mesmo.

    Resposta

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