>Descompostura.

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Ai, ai… O que dizer depois de um retumbante três a zero? Nada! A Itália foi varrida, estraçalhada pelo time de pelada montado pelo Dunga. Inapelável. Injustificável.

E olha que devemos nos render ao óbvio: a seleção brasileira melhorou – e muito! – nos últimos meses. Na verdade, acho que a grande virada se deu em fevereiro, exatamente depois do jogo contra Itália, naquele amistoso realizado em Londres. Ali, se o Brasil perdesse, acho que o cargo de Dunga ficaria a perigo, principalmente porque o bom e velho Felipão havia acabado de sair do Chelsea… Mas a minha querida Squadra Azzurra tratou de ajudar o anão treinador, perdendo de forma bisonha.

Aquela derrota não foi como a de ontem. Ontem foi tudo muito pior, mais vexatório. A Itália perdeu sem mostrar nenhuma competitividade. Sim, ela não jogou bem em nenhum dos jogos da Copa das Confederações, mas isso nunca me incomodou. A Itália venceu quatro mundiais sem jogar bem. Dar espetáculo nunca fez parte do DNA da Azzurra, que sempre primou por times fortes, motivados e taticamente muito disciplinados. Por isso o tal “jogo feio” da Itália não me aborrece. O que me aborrece – e preocupa – é exatamente a dificuldade que a Nazionale mostra em alguns aspectos que sempre foram básicos pro seu futebol, tais como a marcação e a defesa.

Ao contrário do que se possa imaginar, não me preocupa ter perdido de três para o Brasil. Pior – muito pior! – foi tomar dois gols em contra-ataques. Sim, contra-ataques! Ora, mas essa não era a arma, a especialidade dos italianos? Por que diabos o treinador insiste em uma formação ofensiva, com três atacantes, e uma total insegurança na defesa? Isso não funciona na Itália, simplesmente porque não está no nosso DNA. Se o time não sente segurança na sua marcação e na sua barreira defensiva, não consegue relaxar e jogar com a cadência e a determinação tática que sempre lhe foi peculiar. E Marcello Lippi insiste em não enxergar esse particular… Insistem com essa “nova ofensividade”, esse “futebol progressista”, segundo suas próprias palavras. Que progressista uma ova! Quero é o meu conservadorismo de volta! Quero o meu catenaccio e contropiede, que nos fez campeões e impôs temor aos adversários depois de partidas épicas, como a de 1982. Escrevi sobre isso na coluna da semana passada, no Perspectiva Política.

Depois de ontem, o técnico italiano terá que rever algumas certezas, e comandar algumas mudanças no time. Alguns nomes, vitoriosos em 2006, simplesmente não suportam mais o esforço que uma seleção demanda. Assim, às pressas, lembro de alguns: Zambrotta, Toni e Camoranesi. Mas pode ser que jogadores diferenciados como Pirlo e Cannavaro também tenham que entrar no barco… Ao mesmo tempo, alguns jovens talentos devem ganhar mais oportunidades na Azzurra. Quem acompanha o campeonato europeu sob 21 sabe bem o que estou dizendo. A Itália tem no forno uma das melhores gerações de jogadores do mundo, sem o menor exagero. Gente como Giovinco, Motta, Santon, Marchisio, De Ceglie, Balotelli, D’Agostino, Montolivo e Balotelli possui talento suficiente para desequilibrar uma partida. E não me refiro só à tática europeia. Estou falando de garotos com enormes qualidades técnicas. E, por fim, há aqueles que já estão em evidência, e que precisam estar nesta seleção atual, como Pazzini, Rossi e Cassano, este último um dos maiores talentos italianos desde Roberto Baggio.

Enfim, a Nazionale precisa voltar a jogar o seu futebol. E não se trata de jogar bem e bonito, longe disso. Trata-se de recuperar a disciplina tática e a lógica que fez do futebol italiano um dos maiores do mundo: um time cuja defesa seja forte e inexpugnável, aliado à velocidade no contra-ataque, conduzido por algum jogador de talento fora de série. É assim, e não com três atacantes, que venceremos novamente. Até lá, só me resta torcer pela grande Squadra Azzurra e reconhecer os méritos do Brasil, hoje muito melhor do que a concorrência.

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2 ideias sobre “>Descompostura.

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