>A casa não contabilizada – 6: O ridículo das explicações não conhece limite!

>

As informações sobre a casa não contabilizada de Sarney se sucedem na velocidade de uma teclada no F5. Vejam a mais recente peripécia retórica criada pela assessoria do maranhense que se elegeu pelo Amapá, publicada no blog do Noblat – que está fazendo uma ótima cobertura do caso, diga-se:

A assessoria de imprensa de José Sarney (PMDB-AP), presidente do Senado, acabou de divulgar outra nota, corrigindo a anterior. Na primeira declaração, a assessoria culpava o contador de ter copiado a lista de declaração dos bens de 1998 em 2006.

Mas agora alegam que, na verdade, o contator atualizou a lista de 98, mas esqueceu de acrescentar a casa avaliada em R$ 4 milhões.

As declarações à Justiça Eleitoral são bem diferentes. (…)

Segue a nova nota da assessoria de Sarney:

“Esta nota corrige equívoco anteriormente divulgado. O erro cometido na declaração de bens do senador José Sarney à Justiça Eleitoral em 2006 não foi, como afirmado, a repetição da lista de bens de 1998, mas a omissão da casa, por esquecimento, depois de feita a atualização patrimonial. O fato é que a propriedade está informada à Receita Federal e ao Tribunal de Contas da União desde 1999, conforme certidão anexada à primeira nota”.

Ai, ai… Como afirmou com muita propriedade o General De Gaulle, “Le Brésil n’est pas um pays sérieux”, ou, em bom português: O Brasil não é um país sério. E aqui surge o paradoxo fundamental de nossa simiesca civilização: fosse o Brasil um país sério, já não mais seria o Brasil.

Analisando o que já foi dito pela assessoria do autor de Breja dos Guajas, aquele livro que, segundo o grande Millôr Fernandes, seria motivo para impeachment, podemos escolher um dentre as duas hipóteses seguintes: 1) Acredita-se no que foi dito pelos funçonaros do maranhense e aceita-se, por conseguitne, essa patacoada do erro que foi um equívoco fruto de um esquecimento; ou 2) Toma-se tudo por um emaranhado de estripulias retóricas e textuais, que não esclarecem absolutamente nada. Se escolhermos a primeira opção, há que se observar o óbvio: Sarney precisa mudar algumas peças da sua equipe. Afinal, não pega bem estar rodeado sempre de gente tão propensa a esquecer, errar, se equivocar e, em resumo, enfiar os pés pelas mãos.

Lembram daquele amigo, que trocou e-mail comigo acerca da casa muito engraçada de Sarney? Depois dessa nova nota, ele, sempre muito indignável, bradou: “Eles acham que somos idiotas!”. Eu, sempre muito cético, retruco: não, eles têm é certeza disso! Decididamente, n’est pas um pays sérieux.

Anúncios

2 ideias sobre “>A casa não contabilizada – 6: O ridículo das explicações não conhece limite!

  1. George

    >Adorei a simplificação do paradoxo: se este fosse um país sério, não poderia ser o Brasil. Resume com propriedade nossa pobreza.

    Resposta

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s