>Estadão: "Fundação de Sarney dá verba da Petrobás a empresas fantasmas."

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Lá vou eu me alongar mais que o aconselhável em um texto, mas fazer o quê? Quando se trata de comentar a avalanche de denúncias que surge na imprensa acerca de José Sarney, o maranhense que se elegeu senador pelo Amapá, as palavras (em especial os adjetivos) parecem sempre escassas.

O escândalo do dia diz respeito à notícia de que a Fundação de Sarney teria repassado verbas da Petrobás a empresas fantasmas. A se confirmar a enésima denúncia surgida contra o imortal senador – aquele que escreveu sobre uma prostituta cujos mamilos escitavam até os cães -, ficará evidente que em matéria de infração às leis o autor de Brejal dos Guajas não brinca em serviço. Para facilitar, transcrevo abaixo alguns trechos da excelente matéria redigida pelo Estadão (íntegra aqui):

Fundação José Sarney – entidade privada instituída pelo presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), para manter um museu com o acervo do período em que foi presidente da República – desviou para empresas fantasmas e outras da família do próprio senador dinheiro da Petrobrás repassado em forma de patrocínio para um projeto cultural que nunca saiu do papel.

Do total de R$ 1,3 milhão repassado pela estatal, pelo menos R$ 500 mil foram parar em contas de empresas prestadoras de serviço com endereços fictícios em São Luís (MA) e até em uma conta paralela que nada tem a ver com o projeto. Uma parcela do dinheiro, R$ 30 mil, foi para a TV Mirante e duas emissoras de rádio, a Mirante AM e a Mirante FM, de propriedade da família Sarney, a título de veiculação de comerciais sobre o projeto fictício. (…)

Há muitos outros detalhes na página do Estadão, razão por que recomendo aos leitores a leitura completa da matéria. Aqui no blog, por razões práticas, não vou além do que foi acima transcrito simplesmente porque não é sequer necessário. Só o que vai relatado ali é motivo suficiente para o AFASTAMENTO IMEDIATO de Sarney da Presidência do Senado. Pensando melhor: é mais que suficiente para obrigá-lo a renunciar ao mandato. E convenhamos: as autoridades jurídicas (Polícia Federal e Ministério Público) já teriam material bastante para dar início a uma investigação criminal.

Percebam que não se está falando em mero denuncismo rasteiro e infundado. Há a informação de que pelo menos MEIO MILHÃO de reais teria sido desviado para empresas de fachada e para empresas pertencentes à família Sarney. Simplificando, pode-se dizer o seguinte: em sendo verdade tudo o que vai acima, a fundação de Sarney teria se LOCUPLETADO INDEVIDAMENTE com dinheiro público recebido de uma estatal! Sei que posso me tornar aborrecidamente repetitivo, mas não consigo evitar: em uma democracia séria, uma denúncia assim implicaria na imediata renúncia do envolvido. Mas volto a lembra do General De Gaulle: “Le Brésil n’est pas um pays sérieux.”

Querem ter uma ideia acerca da gravidade dos fatos denunciados pelo Estadão? Pois basta ver que, depois de pipocada mais esta irregularidade, a base lulista já fala abertamente em concordar com a instalação da CPI da Petrobrás, até ontem rechaçada por qualquer governista que fosse encontrado no Congresso Nacional. Tal informação foi confirmada pelo próprio maranhense – o autor de Marimbondos de fogo -, segundo quem o início da CPI da Petrobrás será na próxima terça-feira. E por que essa rápida mudança de rumo? Ora, porque as novas denúncias surgidas contra Sarney são de uma gravidade monstruosa! Assim, urge encontrar uma nova pauta, capaz de tirar de cima dele os holofotes de toda a mídia nacional. Vão conseguir? Não creio…

Ao que parece, o destino de Sarney chegou ao marco definitivo. Ou, simplificando, à beira do abismo. Não há mais condições políticas para que os governistas impeçam a CPI da Petrobrás, principalmente depois das denúncias de hoje, afinal toda a opinião pública iria pensar o óbvio: o governo não quer a CPI para proteger Sarney – coisa que Lula já afirmou ser uma prioridade do Planalto. Mas se o governo quer proteger Sarney é sinal de que alguma coisa realmente poderia ser encontrada, não é mesmo? Basta raciocinar: se Sarney é inocente, a CPI não encontrará nada de ilegal que leve ao maranhense. “Então que se faça a CPI!”, passaram a gritar os lulistas. Só que surge outro problema… Dada a situação atual, uma comissão destinada a investigar a estatal do petróleo, longe de dar um descanso a Sarney, poderia acabar por tragá-lo, em definitivo, para o centro do furacão. É pura lógica aplicada: como instalar uma CPI da Petrobrás e não investigar os repasses feitos à fundação de Sarney? Não dá… Por isso a tal beira do abismo, antes referida.

A oposição, aliás, já parece estar farejando o cheiro de podre, razão por que o tucano Arthur Virgílio se apressou em dizer o óbvio: a CPI vai ter que investigar a fundação de Sarney. E vai mesmo! Não há possibilidade de os governistas escolherem o caminho da minimização dos fatos, principalmente em razão daquela espécie de “orgulho nacional” que os brasileiros sentem em relação a nossa petroleira. Por isso Mercadante – o senador do duplipensardisse que Sarney vai ter que se explicar. Trocando em miúdos: não há mais São Lula capaz de salvar a pele do sujeito!

Desnecessário dizer que a nota emitida por Sarney não tem o condão de me convencer… Ao tentar explicar o assunto, o maranhense – aquele eleito pelo Amapá – disse que é presidente de honra da tal fundação, e que não tem nenhuma responsabilidade sobre ela. Hum… Vá lá… Se quisermos ser muito benevolentes com o imortal, comprando sua tese de defesa, ainda seria preciso dizer o óbvio: retire seu nome daquela sujeira, então! Mas eu não quero ser benevolente. Quero é ser lúcido e sério, por isso devo insistir no que já afirmei: não consigo me sentir convencido…

Sem falar que uma tese bem parecida com essa já foi usada alhures, em um escândalo também muito relevante, lembram? Qual é… Puxem pela memória… “Presidente de honra”… “Nenhuma responsabilidade”… Lembraram? Sim, isso mesmo! Estou falando das escorregadas de Lula durante o mensalão. Naquela época, o apedeuta insistiu muito na tese de que foi fundador e é presidente de honra do PT, mas não era – nem é – responsável pelo partido. Assim, se eles compravam deputados para sustentar o governo petista, Lula deveria continuar sendo tido como inocente. Será possível que em tão pouco tempo vão tentar nos fazer engolir a mesma patacoada? Francamente!

Deve ser por isso que Alberto Dines chamou de “platitudes” aquilo que Sarney escreve na Folha de São Paulo, afinal “se usar a coluna para defender suas posições como congressista ou chefe do Legislativo arrisca-se a ser demitido por justa causa.” O que eu acho? Acho exatamente o mesmo que achava antes: chegou-se ao fundo do poço e, em vez de parar, começou-se a cavar a fim de descer até o mais profundo dos infernos. Aliás, a ideia que recebi via Twitter, do #FORASARNEY! é muito interessante. Eles nos conclamam a ligar de graça para o “Alô Senado” (0800-612211) apenas para perguntar quando Sarney vai sair. Sim, eu sei que não tem qualquer resultado prático. Mas falemos francamente: ligar de graça para aporrinhar o homem é deveras divertido, não?

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5 ideias sobre “>Estadão: "Fundação de Sarney dá verba da Petrobás a empresas fantasmas."

  1. Amapaense honesto

    >Diante de tantos escândalos, tantas denúncias envolvendo o nome de Sarney, acho que deve ser feita uma só pergunta: QUEM O ELEGEU? QUEM O MANDOU PARA O SENADO!Devemos ao país inteiro um pedido de desculpas!

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  2. Soldier

    >O cerco se fechou: os podres da Petrobás estão levando à fundação de Sarney… Vai ser difícil sobreviver a isso.Mais um texto muito bom e rico em informação. Só gostaria que você escrevesse mais sobre o Amapá, para ler algo que saia da mesmice. Algumas vezes há textos (sempre ótimos!) aqui sobre o Sudão, a Inglaterra e a Argentina, mas o Amapá não aparece tanto quanto suas mazelas recomendariam.

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