>Principal partido de oposição da Itália elege seu novo (velho) líder.

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Do portal de notícias do Uol:

O novo secretário nacional do principal partido da oposição da Itália, o Partido Democrata (PD), é Pier Luigi Bersani, que venceu as eleições primárias de hoje com mais de 50% dos votos, segundo Dario Franceschini, o antigo secretário-geral, em roda de imprensa.

(…) Pier Luigi Bersani, de 59 anos, apoiado pelo ex-primeiro-ministro Massimo D’Alema, é o responsável pelo departamento de Economia do partido e foi ministro da Indústria, Transporte e Desenvolvimento Econômico nos Governos de Romano Prodi, D’Alema e Amato, além de ser um dos artífices do nascimento do PD.

(…) Quase dois milhões de pessoas acudiram hoje às urnas, entre filiados do partido e cidadãos italianos ou estrangeiros com permissão de residência na Itália que tenham pagado apenas dois euros para votar, segundo o PD, para estimular a afluência de eleitores nas eleições primárias.

(…) O novo secretário-geral do PD considera que a continuidade do projeto da L’Ulivo, a coalizão de centro-esquerda da qual nasceu o PD, é necessária para o partido.

(…) A tradicional instabilidade da política na Itália decidiu em 2007 às duas principais formações de centro-esquerda italianas a criar um único e sólido agrupamento reformista: o PD.

O Partido Democrata assinou sua ata de nascimento em 14 de outubro de 2007, quando Walter Veltroni foi eleito secretário-geral em processo de primárias no qual participaram entre 3,3 e 3,5 milhões de eleitores.

Mas nas legislativas realizadas em abril de 2008, às que o PD se apresentou em coligação com “Itália dos Valores”, os resultados foram decepcionantes para o novo partido da esquerda italiana.

O novo partido de Silvio Berlusconi, “O Povo das Liberdades”, e seus parceiros obtiveram 46,81% dos votos e 344 deputados, enquanto o PD e seus aliados alcançaram 37,54% e 246 cadeiras no Congresso.

Povera Italia… É a primeira coisa que me vem à cabeça: pobre Itália…
O Partito Democratico, criado há coisa de dois anos, surgiu como uma centelha de esperança de modernização da política italiana, refém há décadas de personagens obtusos e envelhecidos – seja do ponto de vista etário, seja do ideológico. Quando ficou evidente que os dois principais partidos de oposição a Berlusconi – La Margherita e Democratici di Sinistra – iriam mesmo se fundir em um novo movimento, moderado e reformista, surgiu a esperança de uma renovação verdadeira na Itália, mesmo para aqueles que eram eleitores do outro pólo, aquele chefiado pela direita e, mais especificamente, por Silvio Berlusconi.
Mas a sanha da velha esquerda, aquela órfã do Muro de Berlim, colocou tudo abaixo. Nas eleições gerais de 2008, o PD foi derrotado pela direita e por Berlusconi, mas, ainda assim, o resultado final está longe de ser considerado desastroso. Ainda mais quando se analisa o veredicto das urnas sob a ótica do longo prazo: o novo partido de centro-esquerda, desacompanhado dos velhor partidos da esquerda radical (os socialistas e comunistas) conseguiu se firmar como segunda força da política italiana. E isso em sua primeira eleição! Mas foi pouco para os velhos líderes, originários, principalmente do Partido Comunista Italiano – dentre os quais, Massimo D’Alema. Essa gente ultrapassada já desistiu há muito de qualquer objetivo sério: quer apenas vencer Berlusconi nas urnas. Governar depois? Ah, eles não se importam com isso.
Assim, Walter Veltroni, um líder jovem (para os padrões italianos) e moderno, foi defenetrado da liderança do PD, que entrou em colapso e fez reviver, em seu seio, as milhares de correntes próprias da esquerda radical. Os herdeiros do socialismo/comunismo, derrotados pelo ideário fundador do PD, foram trazidos de volta à vida e, de um dia para o outro, começaram a surgir movimentos os mais idiotas: os no global, os neocomunistas, os libertadores do socialismo, os soldados do comunismo, e tantos outros. A proposta de renovação e oxigenação do PD, nos moldes do que Tony Blair fez no Reino Unido, com o Labour, foi sepultada.
Veltroni caiu e, imediatamente, o antigo establishment socialista/comunista tomou as estruturas do PD de assalto. D’Alema, neste aspecto, pode ser comparado a uma espécie de José Dirceu da política italiana: mesmo fora dos holofotes é ele que manda na burocracia partidária. Por isso conseguiu, com muita desenvoltura e facilidade, colocar Pier Luigi Bersani na chefia do partido. Quem é Bersani? Ora, um Berzoini italiano, para continuar na linha de comparação feita antes…
Com o resultado das primárias de ontem, o PD se condenou à morte, por escolher o retorno à estratégia moribunda que destruiu a centro-esquerda italiana. Abandonou-se, assim, o debate de ideias e a escolha de uma agenda de reformas, para ficar, pela enésima vez, se concentrando apenas em vencer Berlusconi. Eu pergunto: e o que farão quando – e se – chegarem lá? Como vão governar a Itália, se o partido está perenemente corrompido e dividido entre movimentos os mais incompatíveis? Não é de se estranhar que a direita tenha ganhado força, afinal Berlusconi pode oferecer aos eleitores algo que a oposição de esquerda jamais poderá: uma coalizão sólida e unida.
Povera Italia… Presa entre Berlusconi e a direita tresloucada, e a esquerda caquética, herdeira do socialismo/comunismo. Não estranharei se, em um futuro próximo, alguma liderança alternativa, apartada daqueles dois pólos, surgir e arrebatar os eleitores… Basta, para tanto, apresentar um plano de governo sério e mostrar, de uma vez por todas, que política não se resume a pessoas velhas e ideologias mais velhas ainda.
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