>Uma verdade inconveniente: o usuário é culpado pela matança decorrente do tráfico.

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Digam o que quiserem os fãs de Paulo Henrique Amorim, Luiz Carlos Azenha e Luis Nassif, mas a capa de VEJA desta semana merece entrar para a história! Poucas vezes um veículo jornalístico conseguiu, com uma imagem, sintetizar tão bem um estado de coisas, uma realidade sócio-política. A ilustração acima, caros, vale por um tradado de sociologia.
É despiciendo discorrer sobre os eventos deploráveis vividos no Rio de Janeiro, na última semana. Todos fomos bombardeados de notícias ao longo de dias, inclusive ouvindo “especialistas” os mais diversos, cada um senhor de uma teoria revolucionária, capaz de colocar um ponto final no cruento estado das coisas. O debate, porém, sempre acaba girando em torno daquilo que realmente é o cerne da questão: a descriminação das drogas. Como os leitores devem saber, há argumentos sólidos para defender ambas as teses. Indico este post, do Fábio Marton, lá no Not Tupy, caso queiram ler algo favorável à liberação das drogas. E este, do Reinaldo Azevedo, para ler algo a favor da proibição.
O histórico deste escriba não deixa dúvidas: sou frontalmente contra qualquer descriminação das drogas, sejam elas leves, pesadas, em pequenas quantidades ou às toneladas. As razões? Bem, as óbvias: 1) Os bandidos que se dedicam, hoje, ao tráfico, não vão escolher viver de trabalho honesto quando houver a descriminação. Vão, isso sim, encontrar outro nicho criminoso no qual prosperar; 2) O resto do mundo, pelo que se sabe, não vai descriminar as drogas. Assim, o Brasil se tornaria apenas uma espécie de paraíso dos drogados de todo o mundo, uma espécie de zona franca dos entorpecentes; 3) O flagelo social decorrente da explosão do cosumo que se seguiria à descriminação das drogas seria deletério para o país.
Há argumentos que se contrapõem àqueles alinhavados acima? Claro. Da mesma forma que os há para reforçá-los. Trata-se, cada vez mais, de uma questão de alinhamento ideológico, de ética mesmo. E, como tal, é necessário que o ser humano tenha coragem de fazer uma escolha: ficar com os imperativos morais categóricos, ou se deixar seduzir pelo consenso politicamente correto. Mas quero me ater ao papel do dito “usuário”: vítima ou algoz? Respondo.
Posso sintetizar a questão chamando ao debate o argumento do célebre “Capitão Nascimento”, no filme “Tropa de Elite” – não por acaso, demonizado pelo pogreçismo nacional: como bem asseverou o policial, em cena famosa daquela obra, é o usuário que provoca a guerra entre o Estado e o tráfico. É o usuário que provoca a guerra entre facções rivais de traficante. É o usuário que mata, por vias oblíquas, os moradores inocentes, presos entre fogos cruzados.
Não há um só lugar na face da terra em que descriminar o uso de drogas tenha produzido efeitos positivos. O exemplo clássico de tal medida é a Holanda, que se tornou uma espécie de zona de baixo meretrício da Europa. Todo aquele glamour que existia ao se programar uma viagem para Amsterdã, ou Rotterdã, acabou. Os europeus não querem mais saber de um lugar onde você pode ser preso por acender um Marlboro, ao mesmo tempo em que o vizinho de mesa cheira uma esbranquiçada carreira de cocaína. Os índices sociais e econômicos da Holanda despencaram nos últimos anos, o que está levando o próprio povo de lá a tomar uma direção diametralmente oposta, caminhando para escolher uma coalizão mais conservadora nas eleições vindouras. Uma das bandeiras principais? Acabar com o livre-mercado dos entorpecentes.
Mas e a repressão? Deu certo? Ora, sempre que foi feita de forma séria e decidida, sim. Há outro caso emblemático: Nova York. Rudolph Giuliani, o sujeito que eu queria ver concorrendo à Presidência dos EUA pelos Republicanos, debelou o tráfico – e a criminalidade como um todo – naquele estado por meio do programa mundialmente conhecido como “Tolerância Zero”. Em que consistia? Ora, está evidente, não? Polícia nas ruas, leis mais duras, fim de benefícios carcerários, ocupação das áreas tradicionalmente dominadas pelos bandidos e proteção ostensiva à população. Simplificando, é o popular: caçar o inimigo, encontrar o inimigo e matar o inimigo. E funcionou? Sim! Muito! Nova York é uma das cidades mais seguras dos Estados Unidos e antros como o Central Park, antes tomados pelos traficantes, está limpo de novo.
A verdade é que não há alternativa: apenas a mão forte do Estado, por meio de seu aparelho de segurança e repressão, pode colocar fim ao flagelo do tráfico e do crime. Permitir que a “classe média descolada e politizada” continue puxando seu baseado, ou acendendo seu cachimbo de crack, não pode ter nenhum efeito positivo, porquanto estimula um comércio que é sabidamente deletério. O sujeito quer defender a paz, o “outro mundo possível” e dar um tapinha? Que o faça. Mas deve fazer sabendo as consequências dos seus atos, ou seja, que toda nota de dez, vinte ou cinquenta reais dele é usada para comprar as armas que são entregues a crianças. É usada para comprar o arsenal militar que foi empregado para abater um helicóptero da polícia.
A hipocrisia precisa acabar. Não é mais possível que essa gente abespinhada, que faz passeatas e protestos contra os mortos nas favelas, seja a mesma que financia os crimes hediondos praticados pelos animais que tomaram os morros cariocas. Animais, eu disse? Sim, isso mesmo! Por isso defendo que sejam caçados! E, não! Isso não é discurso “conservador, reacionário e de direita”. É discurso óbvio, lógico. Defender a linha dura contra a bandidagem – e quam a financia – não é fazer vista grossa para os tais problemas sociais. Pelo contrário: a polícia nas ruas poderia resolver boa parte das mazelas que assolam o Brasil. Experimentem perguntar para os moradores das favelas o que eles acham: pobre não gosta de maconheiro, traficante e bandido. Quem gosta desses tipos é o pogreçismo intelequitual, ávido por algumas carreiras de cocaína e por umas pedrinhas de crack.
Ou o Estado reaje com firmeza de uma vez por todas, ou será a barbárie. A tolerância zero com o crime é o único caminho que resta. Mariano Beltrame, Secretário de Segurança do Rio, disse que a derrubada do helicóptero da PM foi o “nosso 11 de setembro”. Sendo assim, só me resta lamentar, pois não temos um Bush para caçar o inimigo, encontrar o inimigo e matar o inimigo.
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4 ideias sobre “>Uma verdade inconveniente: o usuário é culpado pela matança decorrente do tráfico.

  1. Fábio

    >Sério cara: você é reacionário de mais! Sugerindo cadeia pro usuário, que é só um doente. Uma vítima! Isso é nazismo!

    Resposta
  2. Gabriel Tatagiba

    >Sou a favor da discriminalização por questões ideológicas, de direitos individuais etc. Porém, assino embaixo desse texto: é preciso agir com menos ideologia e mais pragmatismo. Eu sugeriria uma intervenção federal lá, mas não espero qualquer atitude decente de Lula e Cabral

    Resposta

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