>Eu, o defensor dos oprimidos.

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Os leitores conhecem a atriz Natália Rodrigues? Não?! Bem, eu também não a conheço lá muito bem… Depois que vi uma foto da moça, liguei o nome à pessoa. Se não me engano, foi uma dessas que surgiu para a televisão no seriado Malhação, da Rede Globo.
E daí? Bem, daí que Natália – tadinha dela… – veio apresentar uma peça teatral aqui, no Amapá. Por quê? Não tenho a menor ideia… Vai ver a produção da peça não gosta muito da moça, e decidiu castigá-la… Mas vou ao ponto: Natália, como toda pessoa de fora, se mostrou assustada com a perspectiva de desembarcar no Amapá – também conhecido como “Ilha de Lost”. Vejam o que a moça – e alguns amigos famosos – discutiram a respeito no Facebook:



Naty Rodrigues = Alguem ja fez peça em belem e amapa??

Dicas….rs

Mauricio Saade = ….rezar pro tempo passar logo,,, MazaLevar o Lucianno junto! hahahahahaha
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Bruno Mazzeo = O Amapá existe?


Flavia Rubim = rsrs* Ahh Mazzeo .. rs*

Giancarlo Barone = Querida, filmei semana passada toda la em Belem….Fica no Hilton… Bjss
Naty Rodrigues = amapá existe….mas nem imagino como seja……. to com medo do que vou encontrar…rsss valeu roger e gian……
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Naty Rodrigues = MAUUUUUUUUUUUUUU TO REZANDO TMB………..QUERO VOLTAR PRA CASA LOGO…..E TER MEUS AMIGOS PERTO…. SAUDADESSSSSSSSSSSSS

Raul Guterres = Putz, boa a pergunta do Bruno! Tb não sabia se existia mesmo, até cometer o desatino de ír lá! É QUENTE PRA CACETE, super feio, na beira do Amazonas, bem amarelado, cheio de mosquitos.

Ah, vocês podem imaginar a gritaria que isso rendeu por aqui, né? Algumas das manifestações sobre o episódio podem ser lidas aqui, aqui e aqui. Entre tantos defeitos desta terra deplorável, o bairrismo é, sem dúvida, o pior.
O que eu acho? Bem, acho que a Natália, assim como seus amigos, está coberta de razão! Ora, basta com a hipocrisia! Toda pessoa de fora tem o direito de se sentir assustada diante da ideia de cair no Amapá, afinal tata-se de um lugar ermo, longínquo, esquecido por Deus e estupidamente antidemocrático e provinciano. Não adianta cantar glórias tangenciais, como uma linha imaginária e a pororoca. Isso não tem importância! O que importa é esgoto, água tratada e hospitais de qualidade. É a falta disso – parte inerente da civilização – que assusta aqueles que vêm de fora.
Aos bairristas, digo mais: desafio qualquer a um me apontar uma mísera mentira, uma única falsidade dita nos diálogos travados entre a atriz e seus amigos. Não há! São apenas indagações legítimas e afirmações respaldadas pelos fatos. A fala final, aliás, de Raul Guterres, é a síntese perfeita deste lugar. Ou alguém vai negar que é quente? Ou vão dizer que não há mosquitos? Ou então que o rio é azul e cristalino? Santa paciência… “Ah, mas não é feio.” Bom, isso é matéria de gosto pessoal. Se alguém pode dizer que Paris é feia, por que o Amapá estaria livre da crítica?
Qual está sendo a linha principal dos que criticam Natália? Acusar a suposta ignorância dela, que não conheceria o Amapá nem suas características. “Onde estudou?!”; “De onde ela vem?”; “Só podia ter vindo de Malhação mesmo!”. Dentre outras coisa parecidas. Puro obscurantismo provinciano… Desafio qualquer um desses a me descrever em detalhes o estado americano da Virgínia, por exemplo. Ou Washington. Entenderam a lógica? Quem é bairrista – e não me refiro apenas ao Amapá – exige que sua “tribo” seja o centro do mundo. O lugar deve ser amado, conhecido e respeitado por todos… por pior que seja!!! “Ame-o, ou deixe-o!”, dizia-se na época da ditadura militar…
Sabem por que o Amapá é tão pouco conhecido – e respeitado? Porque não é importante. Simples assim. Ou alguém consegue demonstrar, com fatos, a importância nacional desta terra apequenada? Qual o percentual do PIB? Qual o número de habitantes? Qual sua relação na composição estratégia do continente? Ora, cantar as supostas glórias do Amapá é fazer piada. E de péssimo gosto!
Os entusiastas da terra dizem que o Amapá é “difamado” por ser pouco conhecido. Eu digo que é o contrário: o Amapá só não é mais criticado, porque é muito pouco conhecido! Quanto mais esta terra for conhecida, mais motivos para criticá-la surgirão.
Lembro, agora, daqueles que me atacam porque falo coisas como o que vai acima da “minha terra”. Pro diabo com essa gente! Não devo nada – ninguém deve – a um lugar! Chamo, aliás, Samuel Johnson em meu socorro: “O patriotismo é o último refúgio de um canalha!” O que dizer, então, do bairrismo?
Minha pátria é o indivíduo. Minha bandeira é o sistema de liberdades democráticas. Minhas armas são os direitos e garantias individuais. É isso que molda minha escala de valores éticos e morais, e me faz correr em defesa do direito que Natália tem de questionar, criticar e – atenção agora! – odiar este lugar. E mais: ela pode exercer tais direitos sem ser molestada por quem quer que seja.
Proteger os direitos do indivíduo contra qualquer coletivismo – seja ele político, ideológico ou simplesmente bairrista – é obrigação moral de qualquer um que acredite nas liberdades individuais. Lembram? “O ataque contra a liberdade de um, é o ataque contra a liberdade de todos.” Isso não pode valer só quando o tema reúne um consenso em seu entorno. Deve valer sempre. Aqui, neste blog, vale!
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2 ideias sobre “>Eu, o defensor dos oprimidos.

  1. Leandro

    >Caro YasháNão conheço o Amapá, mas me surpreende ver que os atores "globais" deixaram de lado o "politicamente correto" e disseram o que pensam, realmente impressionante já que em todo programa de TV principalmente da Rede Globo, há aquele cuidado para não dizer certas coisas com medo de agredir certos grupos e pessoas e certos comportamentos (Salvo se for branco, homem, heterossexual, católico e de classe média como você mesmo diz). Quisera Deus que a hipocrisia estivesse finalmente acabando.

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  2. José Rubemar

    >Todos nós devemos respeitar determinado lugar, independentemente de sua posição geográfica. Esta atriz global, coitada é uma garota mimada que tem medo de enfrentar o mundo, em sua primeira viagem longe da mamãezinha, mostra-se aturdida, igual à muitas patricinhas europeias iguais à ela, que veem o Brasil como uma selva. Lembro-me uma vez que uma senhora não acreditava que Gustavo Kuerten fosse brasileiro. Já o outro que defendeu a bandeira da patricinha, simplesmente quer que ela volte o olhar para ele, agradeça-o por se irmanar a esta impensada atitude. Ambos olham o mundo como as vitrines dos Shoping Center da vida. Este comentario dela traduz o mundo de fantasia que vive: praias, ondas, etc. Nos bastidores tem leprosários, mendicãncia, catadores de lixo, alguém que dorme na rua, um lugar distante e desprovido de uma paisagem paradisíaca, ocupado por pessoas pacatas porém longe da selva de pedra que emana o banditismo e pessoas desprovidas de sentimento para com o próximo.Eng.Rubemar

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