>Obama aprova a reforma da saúde. Mas não era bem a que ele queria…

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Leiam o que vai abaixo, publicado no G1 (íntegra aqui):
A Câmara de Representantes dos Estados Unidos – como é chamada a Câmara dos Deputados americana –aprovou na noite deste domingo (21) o texto do projeto de lei que propõe a reforma do sistema de saúde norte-americano. As emendas ao projeto também foram aprovadas.
O texto principal foi aprovado com 219 votos a favor e 212 contra. Era necessário o mínimo de 216 votos para a aprovação. Nenhum republicano votou a favor da proposta. As emendas foram aprovadas com 220 votos a favor e 211 contra.
(…) A votação representa uma importante vitória política para o presidente Barack Obama, já que reformar o sistema de saúde dos EUA era sua principal promessa de campanha.
(…) O texto de lei permitirá garantir a cobertura médica para 32 milhões de americanos que não têm nenhum plano de saúde. O objetivo é cobrir 95% dos americanos com menos de 65 anos; os mais velhos já são atendidos pelo sistema Medicaire.
(…) Obama conquistou votos de alguns democratas de última hora, depois que a Casa Branca anunciou nesta tarde que irá emitir, assim que a proposta for aprovada, uma ordem executiva garantindo que verbas federais não poderão ser usadas para abortos.

Muitos opositores à reforma alegam temer que o dinheiro federal acabasse financiando abortos. Depois do acordo anunciado pela Casa Branca e por líderes do partido, esses parlamentares garantiram seu apoio à reforma.  (…)

Não tenham dúvida de que Obama, o Presidente-de-ébano, consegui uma bela vitória política na noite de ontem. Isso porque a política precisa ser analisada, acima de tudo, por meio de seus resultados práticos: Obama se elegeu falando em reformar a saúde. Reformou. Logo, pode entregar aos seus partidários – principalmente àqueles mais liberias (no sentido americano do termo) – o resultado prometido. Em outras palavras, podemos estar certos que os Democratas saberão explorar muito bem a votação de ontem. Isso não quer dizer, porém, que a reforma aprovada seja o triunfo sonhado por Obama…
De fato, a proposta aprovada ontem é absurdamente diferente daquela idealizada por Obama. Para que se tenha uma ideia, todos os pontos polêmicos e controvertidos foram retirados pela Casa Branca, a fim de garantir uma aprovação tranquila e, em última análise, de obter o apoio dos Republicanos. A ideia era mostrar um Obama sóbrio, capaz de transformar uma bandeira claramente progressista num tema de unidade nacional. Não deu certo: nenhum Republicano deu seu voto à reforma, e vários Democratas também decidiram votar contra a indicação do Cristo negro.
O principal esteio da reforma idealizada por Obama era a criação do seguro público de saúde, destinado a concorrer com os privados. Esse foi o ponto mais bombardeado pelas oposições – e o que mais despertou a ira dos americanos, que não gostam de ver o Estado esticando demais seus tentáculos… Para conseguir aprovar a lei ontem, Obama precisou desistir disso.
No caso do aborto, o caso é ainda mais emblemático. Obama, um abortista convicto, pretendia que parte dos recursos da reforma – no total, fala-se em quase um trilhão de dólares! – fosse destinado ao custeio de abortos, algo que o eleitorado mais conservador (eu chamaria de “mais humano”…) rejeitou em peso. Resultado? Obama teve de recuar novamente, editando uma ordem executiva proibindo o repasse de qualquer valor oriundo da reforma para procedimentos de interrupção da gravidez.
Agora, resta ver como as oposições – e não me refiro só aos Republicanos, mas à sociedade em geral – vão se comportar diante do “triunfo” de Obama. Por que entre aspas? Porque só a imprensa mundial parece ver o presidente americano em estado de graça. Analisemos os fatos: Obama elegeu-se como um mito e navegou em mares de popularidade nunca antes vistos. Agora, consegue aprovar sua principal bandeira de campanha, mas, em vez de se dirigir vitorioso à nação, precisa se confrontar com o fato de que 60% dos americanos rejeita a lei que ele tanto quis. Como impedir que essa massa dê aos Republicanos, em novembro próximo, o controle do Congresso?
A impressão que tenho é que Obama se esforçou para popularizar, nos EUA, uma bandeira típica de um país do terceiro-mundo. Talvez por isso o povo de lá tenha rejeitado com tanta veemência a iniciativa. Os efeitos a longo prazo da reforma? Bem, a longo prazo todos estaremos mortos, como disse Keynes – que Obama parece adorar. No curto prazo, posso dizer com certeza o seguinte: 1) Alta nos preços dos seguros privados de saúde; e 2) Demissões. A médio prazo, pode-se aponta ainda: 1) Elevação dos impostos; 2) Redução do poder aquisitivo da população em geral; e 3) Mais inflação.
Difícil seduzir um povo que se formou sob a lógica do self-made man a concordar com semelhante agenda. Repito: Obama não enfrenta uma enorme rejeição – há apenas um ano de sua posse! – porque os americanos deram “uma guinada à direita”. Ele é rejeitado porque os americanos, em sua maioria, acham que o Estado não deve se meter indevidamente em suas vidas. Ou, em outras palavras, tirar dinheiro dos seus bolsos.
Obama venceu? Sim, de certa forma. Resta saber se o povo americano vai querer comemorar essa vitória com ele. Ou se ela será responsável por sua maior derrota política.
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