>Segundo turno confirma derrota fragorosa de Sarkozy.

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Da Folha Online (íntegra aqui):
O partido de centro-direita do presidente da França, Nicolas Sarkozy, saiu derrotado das eleições regionais de domingo.
A aliança esquerdista de oposição do Partido Socialista conseguiu 54,3% dos votos, enquanto que o partido governista UMP (União pelo Movimento Popular) ficou com apenas 36,1% da preferência do eleitorado.
A ultra-direitista Frente Nacional, de Jean-Marie Le Pen, contabilizou 8,7% dos votos.
(…) O primeiro-ministro francês François Fillon admitiu a derrota de seu partido, que agora só controla uma das 22 regiões francesas, a Alsácia. (…)
Eu acho que nenhum governante teve uma trejetória tão controvertida quanto o presidente francês, Nicolas Sarkozy. Depois de um início promissor, apresentando uma ousada agenda de reformas e enfrentando, sem medo, o lobby poderoso dos sindicatos franceses – ligados aos tradicionais partidos de esquerda -, Sarkozy se deixou arrebatar pelos holofotes e pelo glamour.
Logo que Sarkozy venceu as eleições, em 2007, acompanhei os primeiros passos de seu governo com algum interesse. A ambiciosa agenda de reformas apresentada por ele parecia algo inovadora, porquanto mostrava a disposição de enfrentar frontalmente algumas amarras sociais travestidas de “direitos dos trabalhadores”. Escrevi a respeito na época (aqui e aqui), lembrando que o último mandatário com coragem de peitar a indústria dos sindicatos – Margareth Thatcher – havia obtido um retumbante sucesso político.
Mas a rotina do sujeito começou a cansar apenas alguns meses depois da posse (aqui), quando ficou claro que o diminuto presidente gosta muito mais das festas, das fotos e das entrevistas do que do batente propriamente dito. Pareceu-me, enfim, que Sarkozy era como uma dessas celebridades meteóricas, cujo rápido sucesso cuidou de ofuscar-lhe os pensamentos.
Com o passar do tempo, manter a popularidade passou a ser o principal objetivo do sujeito, que preferiu abandonar as reformas – gerando insatisfação junto ao eleitorado mais conservador – e abrir as portas para políticos do Partido Socialista. Isso pra não mencionar as desastrosas intervenções dele na política externa, como no caso da censura ao governo de Uribe – condescendendo abertamente com as FARC -, bem como no episódio em que bancou o “camelô de aviões” diante de Lula.
A insatisfação do povo francês foi demonstrada nas urnas de forma avassaladora: o partido de Sarkozy governa apenas a Alsácia a partir de agora. Alguns dos principais ministros do governo, que concorreram como candidatos nas regionais, foram engolidos pelos socialistas.
Não bastasse tudo isso, Sarkozy também pode receber os créditos pelo crescimento considerável da direita mais maluca e xenófoba que existe: aquela de Jean-Marie Le Pen. Foi o “pequeno extremista” quem recebeu os votos de todos os conservadores insatisfeitos com os moderados, mostrando que Sarkozy errou em todas as frente possíveis.
A verdade é que o presidente da França escolheu ser apenas uma celebridade, deixando de lado a parte dura da governabilidade. Poderia ter dado certo se ele morasse no Brasil, onde o povo adora amar quem está diante dos holofotes. Mas lá, no mundo civilizado, quem elege um presidente espera apenas um… presidente! Sarkozy não quis sê-lo e, por isso, foi derrotado de forma incontestável pelos eleitores.
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