>"Operação mãos limpas": Governador em exercício quer volta ao cargo de antecessor preso.

>

Abaixo transcrevo trechos da entrevista que o Governador em exercício do Amapá, Dôglas Evangelista, concedeu ao G1. A íntegra, caso interesse, está aqui (os destaques em negrito e sublinhado foram feitos por mim).
O governador em exercício do Amapá, Dôglas Evangelista, defendeu neste sábado (11) em entrevista ao G1, a volta ao cargo do governador Pedro Paulo Dias (PP), preso nesta sexta-feira (10) na Operação Mãos Limpas da Polícia Federal.
Para Evangelista, presidente do Tribunal de Justiça do Amapá, o cargo pertence a Dias e, enquanto ele não for condenado, deve continuar respondendo pelo Executivo. Pedro Paulo Dias é candidato à reeleição. Ele era vice de Waldez Góes (PDT), também preso na operação da PF e que renunciou ao cargo de governador para se candidatar ao Senado.

“Este problema é antigo, ele era secretário ainda. Então, eu não vejo problema nenhum em ele continuar governando. Ele vai responder na medida das suas possibilidades”, afirmou Dôglas Evangelista.

(…) G1 – O senhor acha que Pedro Paulo Dias tem condições de voltar a governar o estado?
Evangelista – Este problema é antigo. Ele era secretário ainda. Então, eu não vejo problema nenhum em ele continuar governando. Ele vai responder na medida das suas possibilidades.

G1 – Não pode prejudicar a imagem do estado o governador sair da cadeia de volta para o cargo?
Evangelista – Acho que não. A imagem já foi bastante machucada.

G1 – O sr. acha que ele teria de voltar para o cargo?
Evangelista –
O cargo é dele, ele tem que voltar ao cargo. Enquanto ele não for condenado, ele é considerado inocente.
G1 – Em relação aos presidentes de outros poderes, não há problema também?
Evangelista –
O Jorge Amanajás (presidente da Assembleia Legislativa e candidato ao governo do Estado pelo PSDB) foi chamado só para prestar esclarecimentos. O do Tribunal de Contas (Julio Miranda), eu estranhei, porque ele foi preso porque É um cidadão de uma vida econômica boa, já foi comandante da PM, três vezes deputado, ele já acumulou recursos. Eu não sei porque ele foi preso. Diz que o inquérito é um negócio de fundo, o Tribunal de Contas não tem nada a ver com fundo. Ele deverá deixar a presidência porque a eleição lá [no Tribunal de Contas] deverá ser agora. (…)
Comento:
Com respeito a todos os que possam pensar diferente deste escriba, discordo do pensamento exposto pelo Governador em exercício, em especial dois pontos fundamentais: 1) O fato de as acusações serem, nas palavras dele, “problema antigo”, não diminuem a importância da coisa toda. Ao contrário: aumentam! Isso prova que o Amapá é, há bastante tempo, alvo daquilo que parece ser uma rede criminosa organizada; 2) Diferente do desembargador – que muito possivelmente conhece mais o direito do que o subscrito -, não acho que o cargo de governador do Amapá seja de Pedro Paulo. Aliás, acho que foi exatamente essa persinalização da coisa pública que levou o Amapá a esse estado vergonhoso em que se encontra.
No mais, há um outro ponto no qual o desembargador está – como direi? – “tecnicamente certo”, mas do qual discordo em essência: os envolvidos na “operação mãos limpas” (assim como quaisquer outros investigados por todo tipo de crime) são, sim, inocententes até que se prove o contrário. Isso é o que se chama de “presunção absoluta de inocência”, uma instituição de origem Romana, que caracteriza o direito latino até os dias de hoje.
Já disse aqui no blog, no passado, que discordo disso. Me alinho mais ao entendimento anglo-saxão, ilustrado à perfeição num julgado emblemático da Suprema Corte da Inglaterra: “Não podemos, em nome de nossas convicções e de nossos valores, conceder aos inimigos da democracia e da liberdade as prerrogativas que eles, em nome das suas, nos tolheriam.” Ou seja: quem trabalha pra dilapidar as instituições da democracia e os seus fundamentos, não pode querer se valer deles depois.
No mais, cumpre apenas registrar que a principal medida adotada pelo governador interiro – a de suspender todos os pagamentos a cargo do Estado – foi a mais adequada ao momento. O objetivo número um deve mesmo ser tentar estancar a sangria do Estado.
Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s