>Operação mãos limpas: "Papéis indicam que TCE era ‘bunker’ do esquema", diz Estadão.

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Transcrevo abaixo matéria de Vannildo Mendes, do Estadão. Como o texto estava disponível, no site do jornal, apenas para assinantes, postarei o link do blog de Tuka Scaletti, que o republicou.

Documentos apreendidos pela Polícia Federal mostram que o Tribunal de Contas do Estado do Amapá funcionava como uma espécie de bunker da quadrilha desmantelada na semana passada pela Operação Mãos Limpas, que seria integrada pelo governador Pedro Paulo Dias (PP), políticos, empresários e altos dirigentes do Estado.
Em vez de zelar pela moralidade orçamentária, o tribunal, conforme as investigações, aprovava contas cheias de vícios, convalidava licitações fraudulentas e legitimava o esquema de corrupção espalhado pelos vários setores da máquina pública. Em troca, seus membros participavam da partilha do dinheiro da corrupção.
Uma das provas mais contundentes são planilhas, submetidas à análise da perícia, que mostram, por exemplo, que cada um dos sete conselheiros recebia ressarcimento de despesas médicas em valores que variam de R$ 15 mil a R$ 160 mil mensais. Há indícios de que os recibos dessas despesas são falsos e os tratamentos alegados não existiram. Isso ajuda a explicar por que o presidente do tribunal, José Júlio de Miranda Coelho, um dos presos na operação, levava vida de milionário. Na mansão de veraneio, em João Pessoa, onde Coelho passava boa parte do ano, a polícia apreendeu cinco carros de luxo: uma Ferrari, uma Maserati, duas Mercedes e um Mini Cooper.
Para evitar que os carros sofressem com maresia ou outros efeitos climáticos, a garagem era climatizada e tinha revestimento especial.
Mas Coelho não estava só. As investigações constataram que os demais membros do tribunal ostentam sinais externos de riqueza incompatível com o salário que recebiam, de cerca de R$ 20 mil mensais, e podem ser obrigados a ressarcir os cofres públicos, quando o tamanho do rombo estiver calculado.

Comento:
A se confirmarem as gravíssimas informações que a imprensa nacional traz à tona a cada dia, estamos diante de algo que possivelmente não encontra paralelo na história. Eu, de minha parte, “nunca antes na história deste país” vi coisa parecida…
Não deixa de causar espanto e revolta saber que a mesma organização criminosa que supostamente enriqueceu a ponto de um dos seus membros conseguir construir uma garagem climatizada, é também aquela que fraudou licitações a fim de colocar tubos de esgoto em filtros de bebedouros escolares…
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2 ideias sobre “>Operação mãos limpas: "Papéis indicam que TCE era ‘bunker’ do esquema", diz Estadão.

  1. Rodson Juarez

    >Um salário de R$ 20 mil já soa demais desequilibrado, a meu ver, considerando um salário mínimo nacional de apenas RS 510,00. Já disse antes, não é privilégio nosso, não adianta sensacionalismo, ter exemplos de enriquecimento ilícito, basta conhecer um pouco mais outros estados e outros exemplos rápido vem à tona.O atual Governador do Amapá (em exercício), em evento no início do ano, disse ao público (repleto de bacharéis em direito recénformados) que caso quizessem ser ricos, que fossem empresários ou profissionais autônomos, que mesmo ganhando o teto constitucional, não teriam status de "ricos".Relamente, o magistrado vive muito bem, mas não pode ostentar riquezas desmedidas e luxos descabidos, a exemplo dos evidenciados na operação da PF, presidida por um ministro do STJ (sei lá por quê, num inquérito, Corte Especial, nem na CF de 88 consta a possibilidade, mas td bem)

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  2. Yashá Gallazzi

    >Olha, eu nem acho que haja salário exagerado… É como dizer que é absurdo ver um Kaká ganhando milhões e milhões por mês. Ora, se tem quem pague, é do jogo… Aqui, acham que o trabalho de magistrado vale isso tudo. Que seja! A única note dolente é que o valor não é decidido pelas regras do mercado, mas por projetos de lei criados pela própria magistratura. Isso, sim, não é natural.Quanto à idéia de que se ganha melhor na iniciativa privada, dizer o quê? É verdade mesmo! E digo mais: AINDA BEM! A iniciativa privada paga mais porque ela gera riqueza. O Estado, por sua vez, paga mais porque expropria a riqueza gerada pelo privado. E aí esbarramos no nó clássico do país…

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