>Operação mãos limpas: segundo Estadão e Folha, "políticos envolvidos são aliados de Sarney."

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Vejam abaixo trechos de uma matéria publicada no Estadão (íntegra aqui):
O grupo político envolvido no escândalo desvendado pela Polícia Federal no Amapá durante a Operação Mãos Limpas tem o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), como integrante mais notório.
O nome de Sarney não aparece entre os envolvidos no esquema, mas a ligação política entre ele e o ex-governador Waldez Góes (PDT), preso na Operação Mãos Limpas, vem se estreitando desde 2006, quando se aliaram na campanha política que garantiu a reeleição de ambos. A troca de elogios entre os dois políticos foi a principal bandeira da disputa, alimentada pelo slogan “o que é bom tem que continuar”.
No dia 13 de julho, Sarney chamou em seu gabinete o ministro da Saúde, José Ramos Temporão, para atender o governador do Amapá, Pedro Paulo Dias (PP), um dos 18 detidos, e o secretário de Saúde do Maranhão, que ali estavam. Temporão deixou de lado a situação de emergência existente na época nos Estados nordestinos atingidos pelas enchentes e foi atender os aliados de Sarney.
Em 16 de julho de 2009, o presidente do Senado não economizou elogios ao ex-governador Waldez Góes ao discursar no plenário. Para Sarney, Góes “foi capaz de unir forças políticas, por seu temperamento e espírito público e fez uma administração pacífica”. “Por dever de lealdade e, ao mesmo tempo, testemunha de verdade, quero dizer que ele realizou uma obra política reconhecida por todos os amapaenses e por toda a classe política do Amapá”, discursou. (…)
Agora vejam um texto postado por Josias de Souza, da Folha de São Paulo, às 22h26min do último dia 14/09/2010 (íntegra aqui):
A pedido do Ministério Público, foi prorrogada por mais cinco dias a prisão temporária de seis mandachuvas do Amapá encarcerdos na última sexta (10).
Deve-se a decisão ao ministro João Otávio de Noronha, do STJ. Ele é o relator do processo no tribunal. Permanecem em cana:
1. Pedro Paulo Dias (PP): governador e candidato à reeleição.
2. Waldez Góes (PDT): ex-governador e candidato ao Senado.
3. José Júlio de Miranda Coelho: presidente do Tribunal de Contas do Estado.
4. José Adauto Santos Bitencourt: ex-secretário estadual de Educação.
5. Aldo Alves Ferreira: secretário estadual de Segurança.
6. Alexandre Gomes de Albuquerque: empresário.
No total, haviam sido presas 18 pessos. Portanto, 12 ganharam o meio-fio.
O ministro concordou que a meia dúzia restante deve permanecer presa em benefício do andamento do inquérito.
Apuram-se os meandros de um megaesquema de desvio de verbas públicas federais. Coisa estimada, por ora, em R$ 300 milhões.
O grosso foi surripiado de dois fundos voltados à educação –o Fundeb (ensino básico) e o Fundef (ensino fundamental).
A trupe integra o grupo de José Sarney (PMDB-AP), o morubixaba maranhense que adota o Amapá como domicílio eleitoral.
Até a semana passada, o governador Pedro Paulo e o antecessor Walder Góes eram apoiados em suas pretensões eleitorais por Lula.
Agora outra matéria do Estadão (íntegra aqui). Leiam com atenção! Prometo que esse “passeio jornalístico” valerá a pena:
A nomeação de um dos pivôs do esquema de corrupção no governo do Amapá foi acertada pelo presidente do Senado, José Sarney, em seu gabinete. Depoimento prestado à Polícia Federal no dia 26 de novembro do ano passado mostra que a escolha de Aldo Alves Ferreira para a Secretaria de Justiça e Segurança Pública do Estado teria tido interferência direta de Sarney.
A nomeação de Aldo Ferreira foi, segundo o depoimento, realizada em pagamento a um favor prestado ao então governador do Amapá, Waldez Góes (PDT). O secretário foi preso na última sexta-feira durante a Operação Mãos Limpas ao desembarcar em Brasília. Em seu gabinete, em Macapá, policiais apreenderam duas malas com R$ 540 mil em espécie. As investigações encontraram indícios de fraudes em licitação em contratos firmados pela secretaria.
O assessor jurídico da secretaria, Luiz Mário Araújo de Lima, ouvido logo no início das investigações, relatou ter sido informado que a escolha de Aldo Ferreira foi decidida em reunião entre Sarney, o senador Gilvam Borges (PMDB) e a deputada Fátima Pelaes (PMDB). Conforme o depoimento, Aldo Ferreira teria exigido o cargo como pagamento por um favor a Waldez Góes e sua mulher, Marília Góes.
Aldo Ferreira teria eliminado de uma investigação da Polícia Federal qualquer menção sobre a participação de Góes e Marília num esquema de fraudes na compra de medicamentos e materiais médicos, descoberto em 2007. Naquela época, Aldo Ferreira estava na Superintendência da Polícia Federal no Estado. As investigações levaram à prisão de dois ex-secretários de Saúde, deputados e empresários.
Na reunião no gabinete de Sarney, conforme o depoimento de Lima, Gilvam Borges teria se posicionado contra a escolha do secretário “por entender que a exigência de Aldo era demasiada”. Sarney teria advertido o senador. “Sarney o admoestou dizendo que quem estava precisando de favor eram eles e não Aldo”, disse o assessor jurídico. Aldo teria sido nomeado secretário nessa mesma reunião.
Sarney é ainda apontado como suspeito de ordenar a contratação de um helicóptero para o Grupo Tático Aéreo (GTA), contrato que o assessor jurídico afirma ser “absurdo” e fraudulento. O gasto com o aluguel do helicóptero chega a R$ 300 mil mensais, incluindo despesas pagas pelo Estado como combustível e salário dos pilotos. No depoimento, Lima afirmou que “Aldo não tem influência sob o contrato do helicóptero GTA” e que acredita que o caso seria “diretamente” com Sarney.
Outro lado. Por meio de sua assessoria, Sarney negou que tenha se reunido com o grupo de parlamentares para discutir a nomeação de Aldo para a Secretaria de Justiça e Segurança Pública do Amapá. “Essa reunião nunca existiu”, informou. “O presidente não interferiu ou influiu na escolha do referido secretário ou de qualquer outro secretário de Estado do Amapá.” O senador também negou influência na indicação da empresa que aluga o helicóptero para o GTA.
Comento:
Se não é possível afirmar que Sarney fizesse parte do esquema criminoso investigado pela Polícia Federal, que culminou com com a prisão de toda a cúpula de poder do Amapá há uma semana, durante a “Operação mãos limpas”, não se pode negar que o maranhense é aliado político dos envolvidos – assim como Lula. Isso é matéria de fato, não de opinião! Basta notar que Sarney discursou no Senado tecendo elogios ao ex-governador Waldez Góes, que também ganhou de Lula um vídeo “simpático”, convidando os amapaenses a elegerem-no senador.
É evidente que ambos talvez nem imaginassem o que faziam seus aliados aqui do Amapá, não é? Lula, por exemplo, tenho certeza que não sabia de nada, afinal ele desconhecia até os atos de Dirceu e Erenice, muito mais próximos a ele que Waldez Góes e companhia… Mas isso não apaga o fato de que eram, sim, aliados políticos! De que estavam, até havia uma semana atrás, no mesmo barco que patrocinava a candidatura de Dilma à Presidência. Isso, como já demonstrado, é fato. E fato histórico!
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