>Operação mãos limpas: Fraude no Amapá atingiu hospitais, diz Estadão.

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Para realizar a manutenção dos equipamentos sucateados nos hospitais amapaenses, o então secretário do Estado da Saúde, Pedro Paulo Dias (PP), que deixou o cargo este ano para ser governador, contratou por meio de licitação feita às pressas uma empresa sem especialização na área. O valor aproximado do contrato era de R$ 1 milhão por mês
Isso significa que a empresa recebia em um ano quase o dobro do orçamento anual de toda a Polícia Civil do Estado, cujo valor é de R$ 6,2 milhões. Apesar do contrato milionário, os responsáveis pela manutenção dos hospitais não prestavam praticamente serviço algum, com consequências desastrosas para a saúde pública do Amapá.
Os detalhes sobre os supostos esquemas foram relatados à Polícia Federal pelo empresário Francinaldo da Rocha Cordeiro, proprietário da empresa Mega Hospitalar Eletrecidade, especializada em manutenção de equipamentos hospitalares, que não conseguiu participar das concorrências. O descaso na área da saúde permitia que sumissem equipamentos importantes de diversos hospitais, como ocorreu com uma mesa cirúrgica ortopédica e um mamógrafo do Hospital Geral de Macapá, segundo os depoimentos.
A principal empresa beneficiada pelo suposto esquema era a Mecon, de Francisco Odilon Filho, que além de fazer manutenção de maquinário em hospitais, tinha contrato para vender equipamentos hospitalares à Secretaria Estadual da Saúde. Na cidade, Odilon também é dono da Faculdade Fama e da Choperia da Lagoa. Segundo Cordeiro, Odilon tinha também uma empresa que fornecia alimentos aos presos do Instituto de Administração Penitenciária (Iapen) e ao Hospital de Emergência. Comida muitas vezes “estragada”.
Na Polícia Federal, a testemunha afirmou que presenciou o dono da Mecon pagando propina a um diretor do Hospital Estadual de Santana chamado Mauro. Só pelo serviço prestado no Hospital de Jari, a Mecon ganhava R$ 200 mil ao mês. Apesar disso, segundo o depoente, os equipamentos, tanto em Jari como em municípios como Oiapoque, Calçoene, Amapá, Santana e Macapá estão sucateados por falta de manutenção. Mesmo diante da suposta improdutividade, Cordeiro afirma que a empresa tinha prioridade na liberação de pagamentos da pasta.
Em outros hospitais do Amapá, conforme a testemunha, a rotina de falsificação das guias de pagamentos era semelhante ao esquema que ele acompanhou no Hospital de Jari. Lá, as “guias falsas” de prestação de serviço eram atestadas pelo diretor do hospital, Dr. Ernesto, ou pelo enfermeiro Chico Bahia.
Mas nem todos os funcionários aceitavam passivamente a situação. No depoimento, Cordeiro conta que o diretor chegou a reclamar com o então secretário da Saúde, Pedro Paulo Dias, das péssimas condições e da falta de manutenção dos equipamentos. Mas que depois relatou ter sido ameaçado de demissão. Cordeiro tentou conversar com um dos diretores do Hospital Geral sobre o problema. Esse se omitiu e lhe respondeu que “não iria se meter com peixe grande”.
Em setembro de 2009, Cordeiro conta que chegou a encontrar Odilon, junto com uma terceira pessoa. Diante das cobranças da incompetência dos serviços prestados pela empresa, Odilon respondeu a Cordeiro: “Não adianta você se meter que aqui eu mando em tudo”. Na empresa de Odilon, conforme o inquérito, ainda havia um funcionário conhecido como Sabá, artífice de eletricidade, que também trabalhava na Secretaria da Saúde. Cordeiro diz que era Sebá o responsável pelos desvios de equipamentos dos hospitais para o depósito de Odilon, que ficava ao lado da Faculdade Fama.
Comento:
Pedro Paulo Dias, ex-secratário de saúde e atual governador candidato à reeleição, foi preso no dia 10/09 em razão do seu suposto envolvimento nos crimes investigados pela “Operação mãos limpas”, deflagrada pela Polícia Federal. Ontem, com a expiração do prazo da prisão temporária, Pedro Paulo e outros três investigados – entre eles o ex-governador do Amapá, Waldez Góes – foram colocados em liberdade.
Quem vive no Amapá sabe que as condições da saúde pública são realmente deploráveis. E, de acordo com os fatos narrados na matéria acima, o atual grupo político de poder, encabeçado por Waldez e Pedro Paulo, acabou contribuindo para que a situação se agravasse.
Gestor público que descuida da saúde é, a meu ver, digno de ser rejeitado nas urnas. Em duas semanas os cidadãos do Amapá terão a chance de rejeitá-los. O farão? É esperar pra ver…
—–
P.S.: E este humilde blog, uma vez mais, “fura” a concorrência local, desta vez com a contribuição indispensável do amigo @hugoportal, que deu a dica via Twitter.
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2 ideias sobre “>Operação mãos limpas: Fraude no Amapá atingiu hospitais, diz Estadão.

  1. jota

    >em política, aprendi que o fanatismo é que nem o da religião, embriaga. O nosso Estado está apenas no começo, e isso serve para aqueles, que diziam aos quatro ventos que isto aqui não mudaria nunca…Desde antes da constituinte que temos uma verdadeira troca de famílias no poder estadual, basta dizer que este empresário citado agora, também navegou com tranquilidade em governos passados…O que estou tentando dizer, é que o nosso estado, se tornara Estado com pessoas novas e competentes ali na frente…o tempo dirá…

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  2. Yashá Gallazzi

    >E cadê as "pessoas novas e competentes"? Eu acho nunca aparecerão. Que o Estado está condenado e nunca vai melhorar. Estou errado? Como você mesmo afimrou, "o tempo dirá"…

    Resposta

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