>Operação mãos limpas: "Alvo do ‘grupo da harmonia’, Amapá vira terra sem lei", diz Estadão.

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Convido todos a lerem com atenção alguns trechos da matéria de Bruno Paes Manso, publicada no Estadão Online (íntegra aqui). Trata-se, na minha modesta opinião, de algo histórico.
Oposição enfraquecida, cooptação de lideranças de poderes que deveriam fiscalizar o Executivo, pouco espaço para denúncias na imprensa local. A hegemonia política do chamado “grupo da harmonia”, aliança feita no Amapá entre as principais autoridades locais, tem ajudado a transformar o Estado em palco de escândalos e prisões sucessivos sem que haja perspectivas de mudanças
A eleição atual, por sinal, vai contar com candidaturas de presos em operações da Polícia Federal no Amapá desde 2004.
Além das candidaturas de Waldez Góes (PDT) ao senado e da tentativa de reeleição do governador Pedro Paulo Dias (PP), ambos presos na Operação Mãos Limpas, concorrem ao cargo de deputado estadual João Henrique Pimentel (PR), ex-prefeito de Macapá pelo PT, e a deputado federal Sebastião Bala Rocha (PDT), ex-senador e secretario de Saúde, ambos presos na Operação Pororoca, de 2004.
As fraudes na saúde são apontadas desde a Pororoca sem que quase nada mudasse. Em 2007, durante a Operação Antídoto I e II, outros dois secretários foram presos por suspeitas em fraudes na compra de remédios – Uilton Tavares e Abelardo da Silva Vaz. Na Operação Mãos Limpas, o governador Pedro Paulo foi o quarto secretário seguido a ser preso por suspeitas em fraudes.
O “grupo da harmonia” começou a se fortalecer em 2002, quando Waldez Góes assumiu o governo sucedendo a João Capiberibe (PSB). Pregava o bom relacionamento entre os poderes e conseguiu avanços. Fecha com o grupo o presidente da Assembleia, Jorge Amanajás (PSDB), que concorre a governador e foi chamado para depor na Operação Mãos Limpas; o presidente do Tribunal de Contas do Estado, Julio de Miranda, ex-presidente da Assembleia Legislativa ainda preso na mesma operação; e até parte da oposição, como é o caso de uma ala do PT, que tem cargos na Companhia de Eletricidade do Amapá em composição com o atual governo.
O favorito na corrida para governo, Lucas Barreto (PTB), que é considerado um outsider ao grupo, conta com as bênçãos do senador José Sarney (PMDB-AP). Entre 2007 e 2008, Barreto foi um dos beneficiados por um dos mais de 600 atos secretos no Senado com salário de R$ 7 mil.
O senador Sarney, aliás, é o fiel da balança do grupo. Político com envergadura nacional e grande influência no governo federal, foi ele quem conseguiu que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva gravasse depoimento no horário eleitoral aos dois candidatos a senador apoiados por Sarney (Gilvam Borges, do PMDB, e Waldez Góes) e desse as costas ao candidato petista e da coligação. Manter bom relacionamento com Sarney é condição necessária para continuar em harmonia no Amapá.
Os Capiberibes que o digam. São atualmente os únicos a assumirem confronto aberto com o grupo – apesar de alianças terem sido feitas anteriormente. Os efeitos políticos são evidentes. A deputada federal Janete Capiberibe (PSB) foi cassada pelo Tribunal Superior Eleitoral, acusada de compra de votos em 2002, mesma acusação que deve levar à decisão pela cassação do marido, João Capiberibe.
Boa parte da imprensa contribui para o ambiente pacificado ao se calar apesar dos sucessivos escândalos. Sobrevivem graças aos recursos de propagandas institucionais da Secretaria Estadual de Comunicação, da ordem de R$ 7 milhões.
Comento:
Apenas algumas pequenas considerações.
1) A oposição não está enfraquecida apenas em razão da força político-institucional da chamada “Harmonia”. Muita da culpa é da própria oposição, que, a meu ver, vem colocando o personalismo acima dos interesses políticos. Ou, em outras palavras, vem misturando demais os dois… Penso que a oposição do Amapá precisa parar de ser apenas uma espécie de “anti-Harmonia”, e passar a formular projetos factíveis.
2) A matéria faz bem em lembrar que Jorge Amanajás, candidato ao governo do estado, também sempre fez parte do atual grupo político de poder. Ele se elegeu deputado estadual e Presidente da Assembléia Legislativa com o apoio dos políticos que fazem parte da base de sustentação do ex-governador, hoje a serviço do atual governo. Isso é matéria de fato, não de opinião.
3) Interessante também que o Estadão lembrou a proximidade que existe entre Sarney e Lucas Barreto, o candidato que lidera as pesquisas no Amapá apresentando-se como uma espécie de “terceira via”. Já é o segundo grange veículo de comunicação nacional que aponta a ligações políticas entre os dois. Considerando que o candidato nunca as desmentiu, só posso concluir que são verdadeiras.
4) Concordo com o Estadão: não há perspectiva de mudança no horizonte. Há tempos venho escrevendo aqui: o Amapá está condenado para sempre!

5) Imprensa? Que imprensa?

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Uma ideia sobre “>Operação mãos limpas: "Alvo do ‘grupo da harmonia’, Amapá vira terra sem lei", diz Estadão.

  1. mike osoviskh

    >Caro Yashá.Continuo sempre lendo seu blog, mas não tenho comentado muito. Creio que não devemos abrir mão das coisas boas e seu blog está nesta categoria.Concordo com tudo o que disse, mas acho que o Amapá não é diferente do resto do Brasil q vota com lula, e mesmo que Serra ganhe, o que, graças a marquetagem incompetente dele parece o mais provável, não vejo perpectiva de mudança. Viu a pesquisa dos magistrados sobre o voto no nordeste. A grande maioria votaria por um "agrado".Também estará o Brasil condenado para sempre???Abraços

    Resposta

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