Declaração de voto – I: os candidatos do Amapá.

Vou deixar registrado aqui, neste texto, aquilo que farei no próximo domingo, dia da eleição, quanto aos candidatos aqui do Amapá. Alguns leitores aqui no blog, um punhado de gente no Twitter e muito mais pessoas no “mundo real”, confrontadas com minha descrença diante da política do Amapá e com meu pessimismo quanto ao futuro, me perguntam com frequência em quem votarei. Bom, aqui vão as respostas.

Deputado Estadual e Deputado Federal: Votarei “branco” para os dois cargos. Assim, “sem medo de ser feliz”. As opções que se apresentaram para esta eleição simplesmente opções não são. Não há ali nenhum que possa me representar, que mereça, por inteiro, o meu voto. Quem viu o horário eleitoral do Amapá sabe o que digo… Não há propostas concretas que me interessem, posições político-ideológicas que se aproximem – ainda que apenas um pouco – das minhas, ou mesmo capacidade mínima de desenvolver um pensamento logicamente encadeado do começo ao fim. Enfim, não tenho, pessoalmente como escolher qualquer um. Nenhum deles me representa!
Senador: São dois votos para o Senado neste ano, o que só complica as coisas. As razões apontadas acima servem perfeitamente para este caso também: não reconheço dentre os candidatos ninguém que me represente. João Capiberibe, ex-governador, representa um legado e uma linha de oposição que simplesmente não me dizem nada de positivo. Papaléo Paes, que tenta a reeleição, ajudou a eleger Sarney Presidente do Senado. É o bastante para que não tenha o meu voto. Gilvan Borges é, bem… alguém em quem eu me vejo proibido de votar. Não é nada pessoal… Vai ver o problema sou eu, não ele, né? Quem sabe… Só não é o tipo de lembrança que quero ter para dividir com meus filhos e netos no futuro. Waldez Góes, também ex-governador, foi preso há alguns dias pela PF. Não preciso de maiores motivos para não votar nele. Acredito que ainda tenho a liberdade de dizer que não me sinto confortável votando em “ex-presos”.
E há Randolfe Rodrigues, candidato pelo… PSOL! Bom, na minha escala pessoal de valores, isso seria suficiente para não votar nele, afinal não me parece lógico dar o voto para alguém que, em pleno século XXI, ainda defende o socialismo. Só o paradoxo que é estar numa sigla que fala em “socialismo” e “liberdade” ao mesmo tempo, sem explicar como diabos isso seria possível, já é algo inconciliável com minha veia mais – como direi? – “reacionária”. Porém – e, sim! Eu sei que vocês estavam sentindo o cheiro dessa conjunção aqui… -, há outros fatores em jogo…
Randolfe é, pelo que me consta, uma pessoa honesta. Nunca esteve envolvido com escândalos e sua atuação parlamentar na Assembléia Legislativa do Amapá sempre foi correta. A ideologia dele? Bem, tem ficado só em cima dos palanques, ainda bem… Considerando isso e o fato de que considero um imperativo categórico tentar contribuir para evitar que os demais postulantes não consigam ser eleitos, decidi votar em Randolfe para uma das vagas de Senador. Alguém que fará oposição a Sarney e ao PT no Senado é sempre bem vindo, ainda mais quando consigo ter certeza que o discurso socialista dele não passará disso: discurso. Afinal a natureza “nanica” do PSOL não permite que ele faça a revolução, né? É isso, um dos votos será de Randolfe. O outro voto será “branco”.
Governador: Tentarei ser prático – mesmo porque o post já está bastante longo. Camilo Capiberibe, assim como o pai dele, João Capiberibe, traz em sua candidatura a estampa de uma oposição que simplesmente não consegue se mostrar, aos meus olhos, como uma alternativa digna de voto àquilo que atualmente temos. Se não gosto do projeto de poder do atual grupo político, defenestrado, em parte, pela operação mãos limpas, deflagrada pelo STJ e pela PF, também não gosto da alternativa apresentada pela coligação formada por PSB e pela esquerda do PT, que se assenta, inegavelmente, num projeto familiar de poder.
Pedro Paulo dias, atual governador e candidato à reeleição, foi preso pela PF durante o exercício de seu mandato. Querem motivo maior para que eu não vote nele? Eu dou: ele se apresenta como candidato da continuidade, como representante de um governo que, na minha avaliação, não deixa nada de positivo para o Amapá. Em suma, não me representa!
Jorge Amanajás esteve, pelo menos até abril último, no seio do atual grupo de poder que comanda os rumos do estado. Elegeu-se Presidente da Assembléia Legislativa com o apoio de toda a base de sustentação do governo Waldez/Pedro Paulo e nunca esteve contra o governo atual. A equação se torna simples: se sou contra o grupo político que aí está, também sou contra quem emprestou apoio a ele – ou por ele foi apoiado. Isso pra não dizer que a retórica empregada por Amanajás durante a campanha me parece absurdamente abstrata. É sempre a história do “eu sei como fazer”; “eu resolvo”; “eu sei o caminho”; “eu tenho vontade política”… E clichês similares. Com a devida vênia, já sou bastante grandinho pra esse tipo de coisa. Não me pega!
Lucas Barreto foi assessor de Sarney. Isso não é boato nem intriga, é matéria de fato. O próprio Lucas reconheceu isso no debate de terça, na afiliada da Rede Globo aqui no Amapá. Este escriba, como vocês devem ter notado, não nutre simpatia alguma por Sarney (posso não gostar dele, né, justiça eleitoral?). Nem o “Sarney enquanto político”, muito menos o “Sarney enquanto escritor”. Vocês sabem, né? Sou um conservador: acho que o Brasil estava mais bem servido com Machado de Assis, se é que vocês me entendem… Sendo assim, pouco importa se Lucas Barreto é a única real alternativa à polarização bizonha que existe entre o grupo dos Capiberibe e aquilo que o Estadão chamou de “Grupo da Harmonia”. Foi aliado, empregado, amigo, assessor de Sarney, não tem chance de ganhar meu voto. Por isso, votarei “branco” para governador do Amapá. Simples assim.
Pronto, eis aí a minha declaração de voto no que diz respeito aos cargos aqui do Amapá. É muito pouco empolgante, eu sei. Mas fazer o quê? É o que dá pra fazer neste rincão esquecido por Deus. A culpa não é minha, creiam. Se fosse possível escolher, eu escolheria. Mas não é.
P.S.: Há candidatos do PSTU concorrendo ao Senado e ao Governo, mas é evidente que não cogito sequer minimamente votar em algum deles – já me basta a semana no purgatório que terei de pagar por ter decidido votar num candidato do PSOL…
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5 ideias sobre “Declaração de voto – I: os candidatos do Amapá.

  1. Hildemar Jorge Mauro

    >Yashá,Desde 10.01.1990 moro em Macapá, tempo suficiente para ver muita coisa acontecer por aqui. Políticos, como Evandro Milhomen, Gervásio Oliveira, Waldez Góes, Sebastião Rocha, Ildegardo Alencar, Jorge Souza, Jaci Amanajás, Mandií, Eury Farias, Leury Farias, Dalva Figueiredo, João Henrique, entre outros, começaram ou estavam com o João Capiberibe,que ajudou a todos eles em épocas bem passadas, o que contraria frontalmente o que você chama de "projeto familiar". Afastaram-se do Capiberibe. Tiveram seus motivos, certamente nada edificantes.Basta ver o que se tornaram e o que são hoje.Onde está cada um deles atualmente? O que fizeram e o que defendem desde que se afastaram do Capi? Há uma evidente carência de quadros com densidade eleitoral no PSB atual.Além disso o Capi, com justos motivos, está escaldado com os exemplos desses políticos. Com certeza Janete e nem seu filho Camilo e nem os demais candidatos da coligação (excetuando a Dalva)trairão as boas causas pelas quais ele luta. É uma pena o seu voto em branco. Não ajuda na tentativa de melhorar o combate contra a "harmonia" que você,(lembra?) é um dos mais ferrenhos e qualificados opositores. Apelo, respeitosamente, para você reconsiderar a sua intenção de votar em branco nas demais vagas. É uma bela oportunidade de tentar ajudar a mudar o quadro caótico que temos hoje. Votar em branco, no meu entendimento,ajuda a continuar o que hoje nós tanto combatemos. Um abraço fraterno.Hildemar Jorge Mauro

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  2. Yashá Gallazzi

    >Hildemar, tentarei ser objetivo.É evidente que as preferências pessoais de cada um acabam contaminando as análises. E é normal que seja assim. É também por isso que eu, que desgosto de todos os candidatos, vejo-os apenas como gente despreparada. E deve ser por isso que você, eleitor de Capiberibe, discorda de minha opinião. Beleza, é do jogo. Não escrevi para convencer ninguém. Nunca faço isso. Escrevi porque queria fazê-lo, só.Você discorda do que eu apontei como sendo um "projeto familiar de poder" da atual oposição. Mas logo adiante reconhece que, de fato, é a família toda que está na disputa… "Ah, mas eles foram abandonados (ou traídos, sei lá…) pelos outros". É, pode ser… Mas isso não exclui o fato de que se fez uma opção política pelo grupo familiar. Isso é questão de fato, não de gosto. E eu não me agrado com isso. Acho pouco. Minhas exigências políticas são bem maiores que isso.No mais, se formos olhar apenas do ponto de vista propositivo, o ideário da oposição atual também não me seduz. Em outras palavras, a alternativa política que eles apresentam à "harmonia" não é, a meu ver, suficientemente boa para levar o meu voto.Com isso, não quero dizer que PSB/PT sejam tão ruins quanto seus adversários. Quero dizer que, para mim, cada um é ruim à sua maneira. Só isso.

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