>ESCÂNDALO! Datafolha quer "marcar" o eleitor religioso. O que vem depois? Campos de concentração?!

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Encontrei lá no Coturno Noturno a imagem que segue. Cliquem sobre ela para ampliar e leiam com calma e atenção. Pode parece pouco importante à primeira vista, mas é coisa muito séria. Estão começando uma campanha para DEMONIZAR AS RELIGIÕES no Brasil, tudo para atender aos interesses de Dilma e do PT. Falarei um pouco mais em seguida.

O Datafolha, que errou vergonhosamente ao longo de todo o primeiro turno, agora decidiu marcar a fogo a testa dos crentes do Brasil – e por “crentes” quero me referir a todos os que têm alguma fé, como é óbvio. O que virá em seguida? Os que praticam alguma religião e, por influência de seus valores, rejeitam o aborto serão mandados para campos de concentração?! É PERMITIDO SER FAVORÁVEL AO ABORTO, MAS É MOTIVO DE ESTUDO SER CONTRÁRIO A ELE?!
Não! A pesquisa não reflete uma mera “curiosidade sociológica”. Muito pelo contrário! Trata-se de algo preparado com o fim único de intimidar e constranger quem tem alguma religião e, principalmente, aqueles que se opõem ao aborto. Notem que o formulário começar indagando ao entrevistado acerca de suas crenças para, em seguida, cobrar satisfações apenas de quem declarão ter alguma fé! Está lá, na pergunta 19:
P.19 (PARA QUEM TEM ALGUMA RELIGIÃO) Você recebeu alguma orientação na igreja que você freqüenta para que não votasse em algum candidato a presidente? (SE SIM) Você recebu orientação para não votar em qual destes candidatos?
E então vinha a ordem para que o entrevistador apresentasse ao entrevistado um cartão contendo o nome dos candidatos que disputaram o primeiro turno.
Já aí verifica-se uma trapaça vergonhosa, claramente destinada a SATANIZAR AS CRENÇAS e empurrar o crente para uma posição defensiva. Por exemplo: por que o Datafolha se interessa apenas em saber se os eleitores crentes sofreram influência para não votar em determinado candidato? Será que não há nenhum ateu ou nenhum agnóstico que também se opõe ao aborto? Por que isso parece sem importância?
O contrangimento ao eleitor continua nas perguntas 20 e 21. Naquela, o Datafolha cobra (!) do entrevistado que confesse se mudou seu voto de acordo com a orientação que recebeu. Na seguinte, pergunta em quem o entrevistado deixou de votar. Curioso, não? Por que não perguntaram em quem ele passou a votar? 
Está tudo bastante óbvio, não? A idéia não é aferir em qual grau as crenças morais e religiosas podem influenciar o voto. A idéia é apresentar um relatório final que leve a opinião pública a acreditar que as Igrejas impediram a vitória de Dilma no primeiro turno! É UM ESCÂNDALO!
Se o Datafolha passou a considerar importante conhecer o que o eleitor pensa sobre moral e fé (antes não considerava, por quê?), isso poderia ser feito de maneira séria e isenta de outra forma. Por exemplo, perguntando se o entrevistado é favorável (ou não) ao aborto e, em seguida, se pratica alguma religião. Só depois viria a indagação sobre o voto dado no primeiro turno. Esse contorcionismo retórico que imprensa o eleitor na parede e pergunta sobre “influências” é vergonhoso! Mesmo porque, de uma forma ou de outra, todos somos influenciados em nossas escolhas pelos nossos valores pessoais! E NÃO HÁ NADA DE ANORMAL NISSO! Por isso essa tentativa de satanizar o crente que deixou de votar em Dilma humilha, ainda mais, o Datafolha!
E isso tudo sem mencionar que a premissa está errada e é preconceituosa. Afinal, quem determinou que igrejas não podem influenciar os seus fiéis? Falo pela minha, a católica: se eu professo uma fé é porque me alinho aos seus valores. É absolutamente normal que eu deva observância aos preceitos que a norteiam. Surpreendente seria o contrário, não é?! Ora, se CUT e MST, por exemplo, podem ter candidatos preferidos e candidatos que rejeitam, por que a Santa Madre não poderia? Pode, sim!
As igrejas, quaisquer que sejam, fazem parte da construção de toda a sociedade. É natural que se expressem, inclusive, politicamente. É perfeitamente aceitável que digam aos seus fiéis – que estão ouvindo porque querem, não porque são obrigados – que determinado candidato, por defender valores incompatíveis com os professados lá dentro, não os representa. Em outras palavras, se o maluco do PCO pode pedir aos trabalhadores que não votem em patrão, por que os ministros religiosos não podem pedir aos fiéis que não votem em quem pretende legalizar o aborto? Ou, para ir além, se o PT pode mentir dizendo que Serra vai privatizar a Petrobrás e o Banco do Brasil (antes fosse verdade…), porque não se pode FALAR A VERDADE, ISTO É, QUE O PARTIDO DE DILMA DEFENDE A LEGALIZAÇÃO DO ABORTO?
Eu não voto em Dilma. E minha convicção é decorrente de vários fatores, dentre os quais está, sim, minha fé católica. Eu acredito que tenho todo o direito de me opor a alguém que não defende a vida. E sem ter a “testa marcada” por quem quer que seja.
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Uma ideia sobre “>ESCÂNDALO! Datafolha quer "marcar" o eleitor religioso. O que vem depois? Campos de concentração?!

  1. andre

    >Concordo plenamente com sua “critica”, mas divergiremos novamente em relação a “FONTE”. A folha não é, nunca foi e jamais será petista. Você sabe que o Otavinho não veste roupa vermelha por causa do PT?. Quinta e Sexta passada, Estadao e Folha, respectivamente, publicaram longos e “cansativos” editoriais referendando o voto em Serra. O “pavor” do II turno, levou essas duas “preciosidades” do conservadorismo midiático a descer do muro e assumir a plumagem amarela.(apesar do serviço que prestam ser de concessão pública). A meu ver a “pesquisa” não objetiva “intimidar” as crenças mas , principalmente, colocar sobre os “ombros de Dilma” a pecha. Ô imprensazinha sem vergonha!P.S. Dê uma olhada nesse “trecho” do filósofo Hélio Scwartsman:“ Longe de mim sugerir que pastores e padres não têm o direito de convencer seus rebanhos a votar segundo a palavra de Deus, ainda que esta esteja aberta às mais diferentes interpretações, muitas vezes inconciliáveis entre si. A democracia só existe quando as pessoas são livres para dizer o que pensam, mesmo que sejam besteiras ou fantasias delirantes, e o eleitor vota prestando contas apenas à sua consciência. Mas ninguém jamais afirmou que a democracia era a autoestrada para o paraíso. (…..) O perigo de utilizar uma lógica espiritual para pautar a política é que ela introduz absolutos morais em questões que precisam ser resolvidas de uma perspectiva essencialmente prática, normalmente com recurso a negociações. Em suma, tudo o que não precisamos é trazer para as leis e políticas públicas é a noção de pecado. É claro que existe um equivalente laico do conceito de pecado, que é o crime. A diferença é que, enquanto este último tem uma justificação exclusivamente racional em bases mais ou menos utilitárias e comporta gradações, o primeiro, por ter sido ditado por uma autoridade superior e supostamente incontestável, nos chega na forma de pacotes inegociáveis. De certo modo, pensar religiosamente é negar a política.

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