>Que a oposição honre seus votos e faça… oposição!

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Vejam ao lado o “retrato” do Brasil pós-eleição. A vitória de Dilma, de Lula e do PT é inequívoca. Mas o país está dividido.
A trincheira cavada ontem pelos milhões de eleitores que votaram em Serra dá à oposição condições materiais e políticas para resistir bravamente. PSDB e DEM, que deveriam ter sido destroçados por uma suposta “onda vermelha” que se abateria sobre o Brasil, estão muito fortes. Governarão juntos dez estados brasileiros, dentre os quais São Paulo e Minas, os mais importantes. Pode-se dizer isso de outra forma: metade dos brasileiros terão governos de oposição, e a maior parte do PIB, ou seja, o Brasil que produz, também terá governadores de oposição.
O principal, contudo, são as condições morais e ideológicas que a oposição passa a ter a partir de hoje. É preciso falar ao país, e as urnas deram a PSDB, DEM e PPS plenas condições de fazer isso. Agora, cumpre se comunicar de forma clara e objetiva antes de mais nada com o eleitorado que votou contra a candidata do PT. Em seguida, é preciso falar aos 20% de eleitores que deixaram de votar, e que poderiam, como é óbvio, ter mudado o resultado do pleito. Por fim, cabe falar inclusive aos eleitores de Dilma, de Lula e do PT, mostrando que há um projeto alternativo a este. Mas, repito: o principal é falar para a oposição e como oposição!

E dizer o quê? Bem, sugiro que se insista no processo de desconstrução de Dilma. A oposição perdeu em 2006 e 2010 porque foi cúmplice do fenômeno que levou ao surgimento do “mito Lula”. Não pode e não deve repetir o erro com Dilma. Dilma não é Lula! Vou além: Dilma não terá a aprovação popular que Lula ostentou ao longo dos últimos oito anos. A oposição não tem desculpa para não se confrontar com o governo.
Uma boa idéia é explicar ao país que Dilma hoje é presidente apesar do seu passado, não graças a ele. Sim, é preciso desmistificar esse passado “guerrilheiro” de Dilma e chamar as coisas pelo nome: ela foi uma terrorista! Não foi? Bem, ela que mostre que defendia a democracia, então. Duvido que conseguiria…
Mas há mais a fazer. O PSDB e seus aliados precisam quebrar alguns paradigmas que vêm se mostrando danosos para a oposição. Em especial, é imperativo desmistificar as privatizações, falando ao Brasil e mostrando os ganhos que o processo de abertura da economia trouxe. Serra ensaiou fazer isso quando defendeu a privatização da telefonia, mas o fez de forma tímida. É preciso mais arrojo! Além disso, é urgente que a oposição fale para o Nordeste. Não importa se Lula e o PT continuarão vencendo naquela região. Mas é fundamental que a distância seja reduzida. Enquando o petismo beliscar 70% dos votos nordestinos, vai ser muito difícil derrotá-lo, afinal as vitórias em São Paulo e no Sul, apesar de importantes, se darão sempre por percentuais mais modestos, já que o PT tem entrada e história nessas zonas também.
Eu não convoco PSDB, DEM e PPS a serem irresponsáveis e destrutivos como o PT sempre foi. Longe disso! O que peço é coerência e honestidade: o mandato que a oposição recebeu ontem, nas urnas, foi, antes de qualquer outra coisa, uma ordem para fazer oposição a Dilma e ao PT. Que se faça isso! Depois de oito anos, tucanos e demais oposicionistas não podem mais cair no conto da “união nacional” e da “mão estendida”, pois sabem que isso só vale para o PT quando se trata de aprovar a agenda do… PT! Foi Dilma que recebeu o bônus de ser governo. Deixem para ela também o ônus!
Se perderem novamente o timming de iniciar o confronto, sofrerão nova derrota daqui a quatro anos, fatalmente. Neste momento, pouco importa quem será o líder e o próximo candidato. Importa, isso sim, definir estratégias, programas, discurso e valores. Se tem uma coisa que ficou clara nesta eleição é que se a bandeira for “dar continuidade”, o eleitor votará no candidato da situação. O que, convenhamos, é até óbvio. Uma oposição precisa oferecer diferenças, confronto e vigilância contínua. E se o misticismo em torna da “personagem Lula” oprimiu os oposicionistas nos últimos oito anos, essa desculpa não existirá a partir de agora. Repito: Dilma não é Lula! O atual presidente podia chorar sobre um passado de miséria, que contava a história do pobre que venceu e se tornou líder político. Já o passado de Dilma, qual é? Estaria o PT disposto a investir no “mito da guerrilheira”? Duvido! Vai que o Brasil descobre – sei lá… – civis mortos na ficha de Dilma. Isso não é comovente, como a história de Lula. É repugnante!
Enfim, é hora de mudar a estratégia. Está claro que o discurso apático dos últimos anos fez mal à oposição. É preciso, pois, que se faça mais confronto e mais embate. A continuidade, está claro, é oferecida pelo PT. Da oposição queremos ALTERNATIVAS! Mas alternativas a quê? Bem, ao mensalão, a Erenice, a Dirceu, a Sarney, a Maluf e a Collor. Querem mais? Ao aparelhamento da máquina, ao rebaixamento das instituições e ao assalto aos cofres públicos. Não é o bastante? A uma política que tornou o Brasil cúmplice moral de todos os ditadores do mundo, levando a bandeira brasileira a tremular ao lado da de nações onde mulheres são apedrejadas até a morte nas ruas. É para oferecer alternativas a isso que a oposição recebeu mais de 43 milhões de votos ontem. Só resta a ela uma alternativa: honrar o mandato recebido pelos eleitores.
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P.S.1: Teremos muito que escrever sobre os problemas da oposição, é claro. É grande a chance de que o PSDB passe, uma vez mais, os próximos quatro anos brigando pra ver quem acabará perdendo em 2014. É da natureza deles, fazer o quê? Eu acho até que talvez fosse hora de uma cartada surpreendente… Quem sabe apostando numa figura nova, e num discurso que encampasse mais a agenda liberal. Difícil? Bem, acredito que há espaço para esse discurso no Brasil, como falarei mais nos próximos dias. Mas vamos devagar. Uma coisa de cada vez.
P.S.2: A Folha e o Estadão anunciaram que usarão o termo “Presidente” para se referir a Dilma. Eu, por outro lado, continuarei a usar o termo “TERRORISTA”.
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