>Eleições americanas: Republicanos impõem dura derrota a Obama e assumem o controle da Câmara dos Deputados.

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Vamos falar um pouco sobre eleições realmente importantes? Ontem os americanos foram às urnas para renovar por completo a Câmara dos Deputados, um terço do Senado e escolher 37 governadores. O resultado deveria servir de paradigma para a oposição brasileira, sempre tão avessa à idéia de confronto político.
Menos de dois anos depois do início da “era Obama”, o Presidente-de-ébano sofreu uma derrota duríssima nas urnas, que custou ao Partido Democrata o controle da Câmara dos Deputados. Os oposicionistas Republicanos não apenas roubaram do governo a maioria da Casa, como também passaram a contar com uma dianteira mais que respeitável: 239 a 183 deputados até o momento (ainda falta definir 13 cadeiras).
O desastre só não foi maior porque os Democratas conseguiram manter a maioria no Senado, apesar de também terem perdido vários integrantes. Agora, o partido de Obama tem 51 senadores, contra 46 dos Republicanos (ainda há 3 indefinidos). A maioria é de apenas um voto…
Para que se tenha uma idéia, a folgada maioria obtida pela oposição na Câmara dos Deputados pode permitir, inclusive, a revisão do health care (reforma do sistema de saúde pública) aprovado por Obama, e apresentado pelo presidente como carro-chefe de sua gestão. Outros temas igualmente controversos, como a lei de imigração, dificilmente serão aprovados segundo os planos da Casa Branca. É, enfim, um cenário bem preocupante para o homem mais importante do mundo.
O que levou o Partido Republicano a semelhante triunfo? Não custa lembrar que depois da eleição de Obama, dez entre dez analistas políticos decretaram a “morte” do GOP (Grand Old Party), esmagado pelo sucesso do primeiro presidente negro dos Estados Unidos. Fora da América – no Brasil, inclusive! – chegou-se ao extremo de afirmar que seria o fim o bipartidarismo nos EUA, especulando-se sobre o surgimento de novas forças, diante da incontornável “derrocada do conservadorismo”.
Tudo besteira! A onda de entusiasmo diante do charme e da retórica de Obama não durou nem dois anos. O Messias negro, que chegou a dizer, durante a campanha eleitoral, que “o mundo pararia de se aquecer” e que “o nível dos mares pararia de subir”, descobriu que no exercício do cargo as cobranças são implacáveis. Mais que isso: descobriu que num país de raízes liberais, avançar sobre o bolso e a liberdade dos indivíduos não costuma render bons dividendos.
O conservadorismo e o Partido Republicanos nunca estiveram tão fortes na América, e há dois fatores primordiais que concorreram para isso: a) o surgimento do movimento denominado Tea Party; 2) a política permanente de enfrentamento que a oposição adotou diante do governo Obama, desde o primeiro dia.
É evidente que o tal Tea Party teve um papel importante, principalmente ao reavivar a militância mais libertária, que clama por um Estado menor, por menos impostos e menos regulação. Essas bandeiras sempre foram muito caras a boa parte dos americanos, e empunhá-la num momento em que o governo central adota uma política de aumento desenfreado dos gastos só poderia trazer – como trouxe – ótimos dividendos.
O principal, contudo, foi a postura firme e decidida do Partido Republicano no Congresso desde o início do governo Obama, partindo para o enfrentamento direto. Não houve trégua. Não houve condescendência. Nada! Obama foi confrontado com a realidade fria da política a partir do primeiro minuto, sem que houvesse espaço para qualquer misticismo. Em outras palavras, a ação dos Republicanos concorreu para destroçar o “mito Obama”, cobrando ação do “homem Obama”. Em vez de embarcar na retórica salvacionista do Presidente-de-ébano, o GOP atuou para tirar-lhe a força.
Nada mais lógico, afinal em 2008, mesmo derrotados, os Republicanos tiveram 47% dos votos, isto é, pouco menos que a metade do eleitorado americano votou neles. Honrar essa parcela importante do país, cumprindo o papel de fazer oposição a Obama foi o caminho para o sucesso de agora. É nisso que PSDB, DEM, PPS e quem mais quiser se opor ao PT e a Dilma precisam fazer. Isso se ainda pretendem voltar ao governo algum dia…
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