>"Fala que eu te escuto": respondendo ao comentário de um leitor.

>

Eu confesso que respondo aos comentários do blog com uma frequência menor que o aconselhável. Quando o faço, quase nunca é para responder aos chamados “anônimos”, por razões óbvias. Mas abro, agora, uma exceção para tratar de um comentário feito ao conteúdo do post abaixo. Leiam com atenção o que me escreveu um “anônimo”:
Ja ouviu falar em OPERAÇAO OBAN, PARASAR, DOI-CODI, LSN, SNI, ETC..? depois de tudo isso vem voce falar em “matando inocentes em nome da causa”? que tal perguntar aos pais dos “desaparecidos” politicos se eram inocentes aqueles torturadores dos poroes do DOI CODI que assinaram brutalmente, por exemplo, Wladimir Herzog? Me parece que seu “texto” comete uma inversão histórica imperdoável: ” A má-fé está em confundir o leitor, principalmente aquele que não conhece o contexto da época, querendo atribuir caráter criminoso em ações de combate, de insurgência contra a tirania, de guerra de guerrilha (como tomada de armas do inimigo, expropriação à bancos), da mesma forma que a Corôa Portuguesa atribuiu como criminosa a insurgência política de Tiradentes.”
– porque Dilma e seus companheiros eram julgados por um Tribunal Militar, e não pela justiça civil comum? – À Justiça Militar compete processar e julgar os crimes militares, crimes de guerra. É a prova irrefutável de que a própria ditadura reconhecia haver uma guerra de guerrilha em curso, e que as ações da guerrilha eram de combate.(depoimentos feito sob tortura tem valor pra você? sob tortura você “confessaria” seus “crimes”? entregaria seus “companheiros”? reflita sobre isso……….)
Comento: Está evidente que guardo divergências político-ideológicas inconciliáveis com o “anônimo” em questão. Mas esse não é o problema principal. O problema verdadeiro é que ele tenta me cobrar por algo que nunca escrevi aqui!
Da forma como foi redigido, o comentário em questão tenta criar uma espécie de “oposição moral” entre os terroristas de esquerda (que ele chama de “guerrilheiros” e de “subversivos”) e os vagabundos criminosos do regime militar. Com que objetivo ele faz isso? Simples: como condenei o terrorismo de Dilma e companhia, ele tenta, por vias oblíquas, jogar no meu colo o horror da ditadura. Pro diabo com isso! Desafio o “anônimo” – e qualquer outra pessoa – a encontrar neste blog uma única linha escrita em defesa da ditadura militar! Não há! E por que não há? Simples: eu não tenho bandidos de estimação! Na minha escala moral de valores, tanto os “torutradores dos porões do DOI CODI”, quanto a canalha de esquerda que andou sequestrando bancos e explodindo bombas rastejam no pântano do horror! Neste blog, não se flerta com nenhum tipo de terror! Não importa se ele foi praticado pelo regime militar, ou pela oposição da esquerda revolucionária a ele. SE É TERROR, VAI PRA LATA DE LIXO DA HISTÓRIA!
Nota-se, assim, que não é o meu texto que “comete uma inversão histórica imperdoável”. Ao contrário: quem subverte os fatos a fim de emprestar um caráter heróico à gentalha revolucionária é o “anônimo”. Em nenhum momento eu neguei que a esquerda radical travava uma guerra contra os militares. Pelo contrário: venho denunciando aqui há muito tempo essa batalha encarniçada entre o regime militar e os revolucionários de esquerda. Mas e daí? O fato de eles estarem numa guerra civil diminui o horror cometido? Devo, pois, supor que o “anônimo” – assim como todos os simpatizantes daquela esquerda – endossam as mortes de civis ocorridas nas Grandes Guerras Mundiais? Ou na recente guerra do Iraque? Afinal, foram decorrentes de “ações de combate”, né?
A diferença essencial entre o meu pensamento e o do “anônimo” é muito clara: ele tem simpatia por um dos lados. Eu quero mais é que ambos os lados vão para o mais profundo dos infernos! Não preciso justificar os atos do regime militar, porque os considero abjetos, pútridos e criminosos! E defendo que sejam investigados e punidos! Mas também não preciso justificar as ações covardes e igualmente criminosas praticadas pela esquerda revolucionária. E também defendo que haja investigação e punição aos responsáveis!
Em resumo, é como já disse acima: não tenho bandidos de estimação! Se é criminoso e terrorista – de esquerda, de direita, ou seja lá de que diabo for -, eu posso mandar pro inferno sem contrariar minhas convicções. E isso, meus caros, é libertador! Permite que se viva com uma consciência limpa que os entusiastas do terrorismo de esquerda simplesmente não conseguem ter, afinal vivem a fazer contorcionismo retóricos a fim de justificar o injustificável (eles sempre têm uma “causa”…).
Lanço aqui um desafio público ao “anônimo” – e a todos os que pensam como ele: eu condeno publicamente tanto o regime miliar, quanto o terrorismo de esquerda praticado naquele período! Acredito que ambos são criminosos e merecem, pois, punição. Viram? Nada mais claro e objetivo. Agora, pergunto: algum pogreçista, simpatizante das ações de “guerrilha” praticadas pela esquerda radical daquela época, é capaz de condenar publicamente o legado daquela gentalha? Vamos lá, valentes! Já mostrei que não há espaço no meu coração para bandidos de nenhuma espécie. E no de vocês? Há?
Anúncios

5 ideias sobre “>"Fala que eu te escuto": respondendo ao comentário de um leitor.

  1. Anonymous

    >analise pertinente, inclusive pelo dia de hoje 22.11.2010. Há exatos cem anos um "desses esquerdistas" (gentalha como voce se refere) insurgiu contra um "Estado, digamos, democrático (havia uma constituição lá)" que impunha sobre marujos e marinheiros castigos fisicos que, no mínimo , atentavam contra a dignidade humana: Pergunto:insurgir contra aquilo também era um ato terrorista? resistir a toda forma de opressão , ainda que pelas vias armadas, seja em governos de esquerda ou direita enquadra-se em seu conceito de terrorismo? Quanto a sua "pergunta" , o "legado daquela gentalha" foi o de garantir a voce o direito de escrever em seu blog suas opinioes e o meu de "respeitá-las, mesmo divergindo constantemente delas, pois enquanto você nem sonhava em existir milhares davam a própria vida pelo seu direito a viver em um páis democrático e livre como é hoje. P.S. Utilizar como "fonte" um "inquérito" produzido sob tortura na ditadura não é dar "certa" credibilidade a um regime de exceção amigo democrata????? reflita!!!!!

    Resposta
  2. Yashá Gallazzi

    >"Anônimo", vamos por aqui mesmo dessa vez, afinal não vou ocupar a home do blog inteira com essa discussão.Que tal deixarmos de lado a retórica abstrata e partir para fatos concretos? Pois bem, a questão não é se ao ser humano é dado resistir e lutar pela sua liberdade. É claro que a resposta é sim! Vou além: eu nunca disse o contrário! E, de novo, o desafio: prove que estou mentindo!Minha crítica à gentalha (sim, eu uso esse termo mesmo!) da esquerda revolucionária é basicamente por dois motivos: 1) a luta deles NÃO era pela democracia; e 2) eles mataram CIVIS INOCENTES em suas ações. Estou mentindo? Essas informações estão erradas? Mostre onde – se puder!Tente encontrar um (um só basta!) documento produzido pelos ideólogos desses grupelhos terroristas que tenha defendido abertamente a democracia. Cadê?! Ambos sabemos que não existe! E por que não? Bem, porque eles NÃO queriam a democracia! E os mais valentes admitem isso ainda hoje, confirmando que a "utopia" deles era derrubar o regime militar para implantar uma "sociedade socialista". Ou seja: trocar os militares por algo como Cuba ou a URSS. Belo "sonho democrático", heim?Não venha pra cima de mim com clichês di tipo "você deve sua liberdade a eles". Uma ova! Eu tenho minhas liberdades hoje APESAR deles! Devo elas, sim, a homens como Montoro, Covas, Ulysses e Tancredo. Nunca à canalha revolucionária, que tenta até hoje, oficialmente no poder, censurar a imprensa e controlar os indivíduos. Essa ladainha não me pega!Por fim, onde está que usei como fonte uma confissão produzida sob tortura? Mais uma vez você está inventando coisas! Leu a matéria?! Ela fala, sim, de informações prestadas ao regime. Mas, depois, diz que elas foram CONFIRMADAS hoje, décadas depois. Pergunto: o entrevistado foi torturado pela repórter? Francamente…De resto, nem seria necessário que um jornal tratasse do assunto. Foi Zé Dirceu, um ícone dessa esquerda que você tanto admira, quem chamou Dilma de "camarada de armas", lembra? Não acredite em mim, na Folha e no Estadão. Acredite nele!

    Resposta
  3. Eduardo Araújo

    >Acrescento (com sua licença, caro Yashá):Hoje em dia, até historiadores marxistas, de claro pendor esquerdista, admitem:1 – os BANDOS (ênfase em BANDOS, mas se o esquerdopata anônimo discordar, melhoro para CORJAS IMUNDAS) de guerrilheiros visavam, sem qualquer margem para outra leitura, a implantação no país de uma ditadura comunista nos exatos moldes cubanos e para isso foram, via de regra, treinados naquela ilha;2 – portanto, a motivação daqueles BANDOS nada tinha a ver com democracia, nem muito de longe. Entrementes, além de não terem pretensões relacionadas com democracia, tampouco os BANDOS tinham a democracia a favor deles, porquanto o apoio popular conferido a eles aproximava-se de ZERO.Por isso, caro Yashá, peço-lhe de novo licença, desta feita para fazer também minhas as suas palavras:"Não venha pra cima de mim com clichês di tipo "você deve sua liberdade a eles". Uma ova! Eu tenho minhas liberdades hoje APESAR deles! Devo elas, sim, a homens como Montoro, Covas, Ulysses e Tancredo. Nunca à canalha revolucionária, que tenta até hoje, oficialmente no poder, censurar a imprensa e controlar os indivíduos. Essa ladainha não me pega!"Não retiro um mísero ponto de sua constatação.Igualmente, compartilho o ponto de vista em relação ao outro lado – os militares. Ocorre que, você salientou muito bem, a gentalha de esquerda é convenitentemente ultra-crítica quanto aos seus inimigos, mas carece de uma mínima auto-crítica ante as atrocidades impetradas pelos bandidos esquerdistas. Corrobora isso, caro Yashá, a incoerência – melhor, a HIPOCRISIA – do esquerdista anônimo, como amiúde de esquerdistas em geral. Ora, ora … Quando é para defender os bandidos covardes assassinos de suas CORJAS, vale até dizer que a ditadura militar reconhecia estar diante de uma "guerra de guerrilha em curso", o que – assim se depreende do citado comentário – justificaria as ações de extrema violência praticada pelos "santinhos bonzinhos" da esquerda. Afinal, não estavam em uma "guerra"?Mas o interessante é que se estavam em uma guerra, que diferença haveria entre atrocidades de um lado para o outro? Ué, então as torturas praticadas pelos militares também não faziam parte da "guerra"? Em síntese, na cabeça esquerdista paira a seguinte dicotomia:Atrocidades cometidas por esquerdistas = ações heróicas contra um regime opressorAtrocidades cometidas por militares = atrocidades cometidas por militares (e, de carona, por direitistas, conservadores, católicos "retrógrados", o pessoal da Arena, o Simonal, a dupla Dom e Ravel, enfim, quem não era santinho bonzinho, i.e., militante esquerdista).Engraçado, não? Dois pesos e duas medidas.

    Resposta
  4. Paulo Neto

    >Vendo essa discussão desde o post anterior fico com a ligeira, eu disse ligeira, impressão de que o anônimo… sei lá… tipo… se fodeo… não sei… talvez.

    Resposta
  5. Anonymous

    >Caro Paulo Neto, com todo respeito, há tempos tenha "travado" com o jovem Yashá um debate de idéias, bastante divergentes, porém sempre respeitoso e democrático. A mim , sempre foi concedido o espaço no blog para "tecer" meus comentários, por vezes opostos ao do "dono" do blog, mas sempre bem recebidos aqui (jamais censurados). Nao vejo como "derrota" (você prefere no seu português "classico" e cotidiano o termo – "se fodeo"). Sinceramente nao vejo dessa forma, opinioes divergentes, em síntese, nao conduzem a uma "vitória" ou "derrota". Sinto-me vitorioso, afinal elegemos a primeira mulher presidente do Brasil (muitos consideram-na "terrorista", fazer o que? respeitar e divergir). Caro Paulo, a democracia se constrói assim , livremente, debatendo idéias,sem "ofensas", "agressões", "intimidações", ou seja posso de dar um "tapa com luva de pelica" e só bem depois é que você vai ficar com "a ligeira, disse ligeira" impressao que você é que se….

    Resposta

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s