>Jair Bolsonaro e um texto que envergonha toda a espécie humana – uma crítica públicagratuitaedequalidade feita por um reacionário.

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Eu não entendo, sinceramente, por que tanta gente considera o deputado Jair Bolsonaro um ícone da “direita liberal”. Aliás, entendo: isso é decorrente da completa falta de compreensão que o Brasil tem das teorias políticas clássicas. Aqui, ainda estamos naquela fase da história em que qualquer um que se diga contra o comunismo soviético é imediatamente chamado de “reacionário”…
Bolsonaro é tão liberal quanto eu sou japonês. O discurso rançoso dele contra as esquerdas em geral, não tem o condão de transformá-lo em representante da direita, principalmente porque a direita não tem representantes. Os liberais acreditam no indivíduo, não em construções abstratas destinadas a representá-los. Isso de falar em nome de uma catiguria, aliás, é bem mais típico do progressismo.
Vejam abaixo um artigo que Bolsonaro escreveu e que foi publicado na Folha de São Paulo de hoje. A coisa é tão caricata, que chega a parecer uma pegadinha. Não quando se trata de Bolsonaro, o sujeito que já defendeu – a sério! – dar uns tapas num filho que se demonstrasse homossexual. As palavras dele serão intercaladas com comentários meus, para que vocês tenham uma exata noção da quantidade abissal de asneiras ali escritas. Ao trabalho!
Os militares só conseguem manter a hierarquia e a disciplina porque a verdade está para eles como a fé está para os cristãos.
Trata-se de uma boçalidade, nada além disso. Aliás, uma boçalidade muito perigosa, afinal esse mesmo discurso é entoado pelos terroristas do fascismo ilâmico, que invocam sua “fé” para justificar as monstruosidades que praticam.
A mentira e a traição fazem parte da vida política brasileira, em que os vitoriosos se intitulam espertos, pois, afinal, dessa forma estarão sempre no poder.
Não sei ao certo o que diabos ele pretendia dizer com isso, mas não custa lembrar ao deputado que os militares infelizmente também fazem parte da “vida política brasileira”. O golpe de 64 – E, sim! Tratou-se de um GOLPE mesmo! – levou os militares ao posto mais alto do poder político nacional. Eles não são uma sorte de “salvadores outsiders“. São mais uma página da vida política nacional. Uma página muito triste, diga-se.
A esquerda no Brasil chegou ao poder pelo voto, graças aos militares que impediram em 1964 a implantação de uma ditadura do proletariado.
Vixe! Eis que o negócio começa a ficar encrespado… Ninguém – nem esquerda, nem centro, nem direita, nem porcaria nenhuma – chegou ao poder “graças aos militares”. Quem venceu legitimamente eleições no Brasil pós-ditadura, o fez apesar dos militares. As Forças Armadas impediram o surgimento de um regime comunista no Brasil? Pode ser… Não há dúvida de que o baguncismo instalado por João Goulart estava provocando uma ebulição na extrema esquerda brasileira, mas é – e sempre será – impossível dizer o que teria acontecido, pois o “se” não existe na história. De resto, não sei qual o objetivo de Bolsonaro ao escrever o período acima… Ele quer dizer que a esquerda deve agradecimento aos militares? Ou quer dizer que os militares devem desculpas ao Brasil? Eu achava que a principal desgraça causada pela ditadura militar havia sido a… ditadura militar! Agora Bolsonaro diz que ela é responsável também pelo sucesso do PT! Meu Deus! Essa turma da farda só fez besteira, então!
Os perdedores, nos anos subsequentes, financiados pelo ditador Fidel Castro, partiram para a luta armada, aterrorizando a todos com suas ações, que ainda fazem inveja ao crime dito organizado dos dias atuais.
Financiados por Fidel Castro? O sujeito em cujo país não há carne, leite, sabonete nem papel higiênico?! Ah, faça-me o favor… Nem o mais tresloucado comunista acredita que Castro conseguiu mandar dinheiro cubano pros radicalóides brasileiros. A turma da extrema esquerda partiu pra luta armada? Sim! Aterrorizaram muita gente? Sim! Fazem inveja aos bandidos comuns? Muita (principalmente porque ganham pensões gordas do erário…)! Mas esses foram os militantes da – repito – extrema esquerda. Não os “perdedores” citados por Bolsonaro, porque quem o golpe militar de 64 derrotou não foram os esquerdistas, mas todos os homens e mulheres livres do Brasil. Perdedores foram a democracia e as liberdades individuais! Bolsonaro vai deixando claro a cada linha que entende muito pouco acerca do regime democrático…
Foram 20 anos de ordem e de progresso.
Eita! Temos certeza que Bolsonaro não estava sob efeito de alguma substância entorpecente?! Vinte anos de ordem e progresso?! Senhor deputado, NENHUM REGIME TOTALITÁRIO REPRESENTA PROGRESSO! Quando um país se vê durante duas décadas sem liberdades individuais as mais basilares, é impossível falar em qualquer tipo de progresso! O Brasil experimentou 20 anos de VERGONHA e RETROCESSO! Nenhuma tirania é justificável, não importa as desculpas que levaram ao surgimento dela. Ordem? É possível… Até a Alemanha nazista viva em “ordem”… Mas progresso, nunca! A frase acima é uma VERGONHA para toda a espécie humana! E deixa claro que Bolsonaro não representa nada sequer parecido com o liberalismo, inimigo feroz de todos os regimes tirânicos. O deputado só fala em nome dele mesmo – e das vozes que por ventura ouça dentro de sua cachola…
Os guerrilheiros do Araguaia foram vencidos, evitando-se que hoje, a exemplo da Colômbia, tivéssemos organizações como as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) atuando no coração do Brasil.
Sim, os guerrilheiros do Araguaia foram vencidos. Não, eles jamais seriam uma espécie de FARC brasileira, mesmo porque não tinham pedigree para tanto. Bolsonaro novamente recorre a uma trapaça retórica muito comum em discursos tresloucados como o feito por ele nesse artigo: aponta o mal representado pelo inimigo, para justifica o mal endossado por ele. Lixo! Uma linha de argumentação tão primitiva só poderia se prestar a defender uma idéia igualmente primitiva.
O nosso povo vivenciou sequestros de autoridades estrangeiras e de avião, dezenas de justiçamentos, tortura, execuções como a do adido inglês e a do tenente da Força Pública de São Paulo no Vale do Ribeira, bombas no aeroporto de Recife e carro-bomba no QG do 1º Exército, respectivamente com mortes de um almirante e de um recruta, latrocínios, roubos etc. O regime, dito de força, negociou e foi além das expectativas dos derrotados ao propor anistia até mesmo para crimes de terrorismo praticados pela esquerda.
Sim, a esquerda radical praticou todas as atrocidades descritas acima por Bolsonaro. Isso não é segredo, nem ilação. É fato histórico! Já cansei de escrever aqui: a extrema esquerda brasileira, que promoveu a luta armada contra o regime militar, é tão hedionda quanto a ditadura que pretendia combater. Entre esquerdistas revolucionários e militares golpistas, não há mocinhos. São ambos vilões! Ambos algozes da democracia. Na guerrilha deles, quem perdeu foi a sociedade livre e a democracia. Nenhum dos lados merece defesa ou justificação. VÃO AMBOS PARA A LATA DE LIXO DA HISTÓRIA! Eu defendo de forma radical o indivíduo e suas liberdades fundamentais, por isso condeno com igual veemência a esquerda extrema, e o regime militar. Por isso digo que Bolsonaro escreveu um artigo que é a síntese do pensamento mais simiesco que pode haver, na busca desenfreada por emprestar arrimo moral para o mal em estado puro. Finalizo este ponto com uma observação: quer dizer que o regime militar “negociou e foi além das expectativas” ao propor a Lei da Anistia? Ora, conversa fiada! Os militares não propuseram a anistia porque queriam ser bonzinhos com os terroristas da esquerda, mas porque queriam proteger seus torturadores e seus assassinos! Repito: NÃO HÁ MOCINHOS NESSE CONFRONTO! E não são as trapaças redacionais de Bolsonaro que mudarão os fatos históricos.
Agora, no poder, eles querem escrever a história sob sua ótica, de olhos vendados para a verdade.

Atentem para isso: acima começa o único parágrafo correto do artigo de bolsonaro. A tal “Comissão da Verdade” idealizada pelo governo do PT pretende, de fato, apresentar uma “versão própria” para fatos históricos. Essa coisa de punir criminosos e limpar a história é conversa fiada! Quisessem fazer algo a sério, cuidariam de apurar TODOS os crimes cometidos entre 64 e 84, INCLUSIVE AQUELES PRATICADOS PELA EXTREMA ESQUERDA! Essa conversa de punir um lado só – o lado que é inimigo deles – é apenas outro golpe, nada mais. Note-se bem: eu não sou contra que os crimes cometidos durante a ditadura militar sejam punidos. Eu sou contra é que apenas PARTE deles o seja! Querem colocar atrás das grades dos militares que torturaram e mataram ao longo de 20 anos? Eu apóio! Mas exijo que os terroristas da esquerda também sejam punidos – começando por aqueles que estão aboletados do Palácio do Planalto atualmente. Comigo é assim: não tenho bandidos de estimação, nem justifico qualquer um dos lados do terror. Quem faz isso é Bolsonaro, ao justificar uma ditadura. Ou Dilma, Lula, Franklin Martins e demais petistas, ao justificar o terrorismo das esquerdas.
Projeto do Executivo, ora em tramitação na Câmara, cria a dita Comissão da Verdade, composta por sete membros, todos a serem indicados pela presidente da República, logo ela, uma das atrizes principais dos grupos armados daquele período, que inclusive foi saudada pelo então demissionário ministro José Dirceu como “companheira em armas”. Ninguém pode acreditar na imparcialidade dessa comissão, que não admite a participação de integrantes dos Clubes Naval, Militar e da Aeronáutica. Essa é a democracia dos “companheiros”. Ainda pelo projeto, apurar-se-iam apenas crimes de tortura, mortes, desaparecimentos forçados e ocultação de cadáveres, não tratando de sequestros, atentados a bomba, latrocínios, recebimento de moeda estrangeira de Cuba, sequestro de avião e justiçamentos.

O deputado nada mais fez do que resumir como funcionaria a tal “Comissão da Verdade”. E, sim! A ser isntituída da forma como está no projeto, estaríamos diante de um tribunal de exceção das esquerdas, destinados apenas a caçar algumas bruxas. Repito o que já afirmei antes: querem caçar bruxas? Ótimo! MAS QUE SE VÁ ATRÁS DE TODAS!
 
É notório que a esquerda quer passar para a história como a grande vítima que lutou pelo Estado democrático atual, invertendo completamente o papel dos militares, que, em 1964, por exigência da imprensa, da Igreja Católica, de empresários, de agricultores e de mulheres nas ruas intervieram para que nosso país não se transformasse, à época, em mais um satélite da União Soviética.
Sim, a esquerda radical, de fato, tenta se mostrar como uma grande defensora da democracia. E isso não só no Brasil, mas no mundo todo. E isso a despeito das provas incontroversas de que lutou ao longo de toda a sua história para sabotar as liberdades, não para promovê-las. Mas daí a dizer que os militares só agiram porque “empurrados” pelo povo? Aí é demais! Aí entramos no terreno da desonestidade intelectual mais rasteira. Vejam: é impossível negar que o golpe militar teve, sim, a simpatia de alguns grupos sociais, dentre os quais estão várias camadas populares. Essa história de que as Forças Armadas atendiam os interesses dos “ricos”, enquanto os “pobres” eram defendidos pela esquerda radical é mentira! Muita gente normal saiu às ruas para saudar o golpe. Até gente que hoje se senta confortavelmente no colo do lulo-petismo, como Elio Gaspari, por exemplo. Mas isso foi uma reação. Clamor prévio pela entrada em cena do Exército? Ah, isso é piada! E, mais: o que mudaria, caso fosse verdade? Nada! Hitler teve apoio popular, nem por isso estava certo… Quem disse, aliás, que “o povo” está sempre do lado certo? Costumo dizer que a democracia é tão importante, que precisa ser defendida de tudo. Até do povo. Novamente Bolsonaro se mostra desesperado na busca de justitificar o insjustificável.
Os militares sempre estiveram prontos para quaisquer chamamentos da nação, quando ameaçada, e, se a verdade real é o que eles querem, as Forças Armadas não se furtarão, mais uma vez, a apoiar a democracia.
Opa! Olha a trapaça retórica aí, mais uma vez! Como assim, mais uma vez, apoiar a democracia”?! Isso faz supor que ao dar um golpe contra a ordem democrática, as Forças Armadas estivessem apoiando a… democracia! Mas é um paradoxo inacreditável! Bolsonaro se mostra exatamente igual a Emir Sader e demais radicalóides da esquerda, ambos revindicando o título de “defensores da democracia”, quando, em última análise, defendem aquilo que a aniquila.
Se hoje nos acusam de graves violações de direitos humanos no passado, por que não começarmos a apurar os fatos que levaram ao sequestro, à tortura e à execução do então prefeito Celso Daniel em Santo André?
Ah, a língua inglesa tem uma ótima expressão para definir o que pretende o deputado Bolsonaro com a construção acima. Blackmail! Notem que não resta qualquer dúvida: Bolsonaro se vê ameaçado pelas investigações do tribunal esquerdista de caça às bruxas, e responde como? Ameaçando-os com os esqueletos que eles mesmos têm em seus armários. Patético… Em essência, pode-se reescrever o que vai acima mais ou menos assim: “Se não nos acusarem de graves violações no passado, não começaremos a apurar o caso Celso Daniel”… Lixo! Como dito, ele e os extremistas da esquerda nada mais são que duas faces da mesma moeda: a moeda do totalitarismo que avilta a democracia e as liberdades! Eu remarei uma vez mais contra as duas correntes: por que não apuramos TUDO? Se é mesmo o caso de “resgatar o passado” e “limpar a história”, que ela seja limpa de todos os cadáveres, não só apenas daqueles produzidos por um lado…
Ou será que, pela causa, tudo continua sendo válido, até mesmo não extraditar o assassino italiano Cesare Battisti por temer o que ele possa revelar sobre seu passado com terroristas brasileiros hoje no poder?
Olha, se tem alguém que entende dessa coisa de “pela causa tudo é válido”, esse alguém é Bolsonaro. Afinal, foi ele que, ao longo de todo esse artigo lastimável, nada mais fez que produzir contorcionismos retóricos os mais ridículos a fim de justificar uma tirania. Esse senhor não pode ser tomado como representante de nada! Quanto menos dos liberais, que seriam os primeiros a chutar-lhe o traseiro, como sempre fizeram ao longo da história com todos aqueles que tentaram encontrar argumentos para defender o assalto à democracia e às liberdades individuais.
E pensar que há quem escarneça de um Tiririca…
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4 ideias sobre “>Jair Bolsonaro e um texto que envergonha toda a espécie humana – uma crítica públicagratuitaedequalidade feita por um reacionário.

  1. João Pedro Mello

    >Aqui no Brasil, o comunismo soviético é "progressismo", quem se opõe é reacionário e quem expõe escândalos com "progressistas" envolvidos é golpista. Sobre a "comissão da verdade", não há uma semelhança até no nome com o "ministério da verdade" de 1984? Depois desta, tanto faz se o regime militar foi bom ou ruim, tanto faz as opiniões: os esquerdistas terroristas e guerrilheiros vão se tornar mártires e os militares o mal absoluto.Bolsonaro diz coisas certas às vezes, ele defende o regime militar porque ele é militar, não se pode adotar totalmente a filosofia dele, mas pode se tirar coisas interessantes de seus discursos.

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