>"Na raiz desta falta de espiritualidade está a insuficiência da formação litúrgica."

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Muito interessante a entrevista que o padre Gregório Lutz, doutor em liturgia, concedeu ao portal Zenit. Transcrevo apenas um pequeno trecho, que me chamou particularmente a atenção (íntegra aqui):
(…) muitos dos nossos irmãos padres e leigos não têm consciência da função de Jesus Cristo como “celebrante principal” da Liturgia, muitos também não sabem que nas ações litúrgicas tudo acontece “pela força do Espírito Santo” (SC 6). Espiritualidade diz de fato respeito à presença e ação do Espírito Santo em nosso ser e agir como membros da  Igreja e, particularmente, na Liturgia. É verdade que o Espírito Santo sopra onde quer e, certamente no campo da Liturgia ele estava presente em muitas das iniciativas próprias e características da Igreja no Brasil. Mas, sobretudo quando uma pessoa acha que só ela possui o Espirito Santo ou, pior ainda, quando ela se acha dona da Liturgia, deve-se duvidar que o espírito, no qual age, seja o de Deus. Em verdadeira espiritualidade trabalha quem entende os ministérios ou qualquer serviço dentro da Liturgia ou ligado a ela, no espírito de Jesus, que é o de servir gratuitamente, para que os outros tenham vida; neste espírito a pessoa se esforçará na medida do possível e para uma Liturgia  autêntica. Acho que devemos reconhecer que também no Brasil nem todos os agentes de pastoral litúrgica têm esta espiritualidade e que esta falta é causa de abusos e banalizações que de fato também existem entre nós. Neste contexto, eu gostaria de lembrar mais uma vez que na raiz de todos os problemas que encontramos em nossas celebrações litúrgicas, e também desta falta de espiritualidade, está a insuficiência da formação litúrgica.
Comento: Em outras palavras, quem aceita forró, samba, marabaixo e outros tipos de “música” nas celebrações, e instiga os fiéis a praticarem a “aeróbica de Jesus”, num repetir-se infinito de “tira o pé do chão!” e “joga a mão pra cima!”, sorry, but you’re doing it wrong!
Por outro lado, como esperar que certos sacerdotes compreendam a profunidade que se encerra numa liturgia tradicional, se não sabem sequer encadear os plurais de uma frase, ou coordenar as orações construídas? Triste…
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6 ideias sobre “>"Na raiz desta falta de espiritualidade está a insuficiência da formação litúrgica."

  1. Anonymous

    >Vc ja leu a Constituiçao Conciliar sobre a Sagrada Liturgia? Veja abaixo:"119. Em certas regiões, sobretudo nas Missões, há povos com tradição musical própria, a qual tem excepcional importância na sua vida religiosa e social. Estime-se como se deve e dê-se-lhe o lugar que lhe compete, tanto na educação do sentido religioso desses povos como na adaptação do culto à sua índole, segundo os art. 39 e 40. Por isso, procure-se cuidadosamente que, na sua formação musical, os missionários fiquem aptos, na medida do possível, a promover a música tradicional desses povos nas escolas e nas acções sagradas".Ta lá no Vaticano: http://www.vatican.va/archive/hist_councils/ii_vatican_council/documents/vat-ii_const_19631204_sacrosanctum-concilium_po.html

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  2. Yashá Gallazzi

    >Anônimo, já li, sim, o documento que você citou. Li e ENTENDI! O que ele diz?Que é preciso dar à tradição e música próprias de alguns povos "o lugar que lhe compete". Diz ainda que os missionários deve estar aptos "NA MEDIDA DO POSSÍVEL, a promover a música tradicional desses povos".Ué, onde isso entra em conflito com a entrevista transcrita, ou com meus comentários?!Eu entendo perfeitamente que não se apaga a tradição de bater bumbo de um país como o Brasil. Mas essa tradição deve ter "o lugar que lhe compete". Levá-la às ações religiosas? Bem, "NA MEDIDA DO POSSÍVEL"…Entende? Ser receptico a traços culturais próprios é uma coisa. Transformar a instituição da Santa Missa num rufar contínuo de tambores, ou num suceder de xotes adaptados à música Gospel, não apenas é IR MUITO ALÉM do estipulado pelo Vaticano, como também é algo de muito MAU GOSTO!

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  3. Anonymous

    >Sim, e concordo. O problema é que a própria Igreja brasileira, ao incluir na Campanha da Fraternidade ou nos Cds da liturgia arranjos de Forró e toada (horríveis por sinal), dá respaldo pra esse tipo de coisa se perpetuar.

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  4. Yashá Gallazzi

    >Anônimo, eu também acho que a responsabilidade maior é da própria igreja brasileira, aparelhada, primeiro, pela Teologia da Libertação e, depois, pelos entusiastas da "aeróbica de Jesus". É por isso que a critico reiteradamente aqui no blog.

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