>Sobre assassinos de estimação.

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Estava eu, as always, esculhambando um pouco o assassino conhecido como Che Guevara (“Che” que, by the way, significa “porco fedorento”…), para aborrecer os esquerdistas que me seguem no Twitter, quando um fã do sujeito que prometeu “endurecer sem perder a ternura” (UI!) veio me confrontar.
Eu acabara de lembrar que Che, este “humanista libertador”, executou um companheiro de revolução (entenderam?! Eu disse COMPANHEIRO! Não era um inimigo capitalistaburguêselitistaedeolhosazuis, não!) porque o sujeito cometeu o gravíssimo crime de roubar… pão! Ah, aí o interlocutor reagiu, e disse que (1) Che não matara o infeliz, mas “apenas” votara pelo assassinato dele, e (2) que o “criminoso” não roubara um pão, mas cometera deserção. Hum… Beleza! Pro negócio ficar divertido, vamos supor que essa versão é verdadeira, só pra mostrar como é fácil destroçar a argumentação dessa turma. Ao trabalho!
Se Che votou pela morte do sujeito, é porque Che queria a morte dele, correto? Sim, correto! Bem, como o cara acabou mesmo sendo morto, não há contorcionismo retórico capaz de esconder o óbvio: Che Guevara concorreu, sim, para aquele assassinato (e pra muitos outros, mas isso não vem ao caso agora…)! Simples assim.
“Ah, mas ele não puxou o gatilho! Só votou pela condenação do cara.” Certo… Se essa – como chamarei? – “lógica” servir pra isentar Che de culpa, poder-se-ia dizer também que Hitler não matou nenhum judeu, afinal não era ele que ligava a torneirinha da câmara de gás, não é mesmo? Ou, ainda, ter-se-ia a obrigação de admitir que o responsável pelas bombas de Hiroshima e Nagasaki não foi Truman, mas o piloto dos aviões… Essa argumentação amalucada é a melhor coisa que os fãs de Che têm a oferecer?! Vixe!
A segunda coisa dita para justificar aquele assassinato foi que o meliante de altíssima periculosidade não teria roubado um pão, mas tentado desertar. Sendo assim, a pena de morte seria facilmente explicada, afinal ela é sempre aplicada quando há deserção em tempo de guerra.
Ai, ai… O problema é que essa turma não leu as cartas de São Paulo, o apóstolo. Sigam meu conselho e leiam-nas! Todas as respostas que um ser humano precisa para a vida estão lá, como por exemplo saber que é preciso diferenciar a flauta da cítara (I Cor 14, 7). Ou, em outras palavras, separar alhos de bugalhos.
Ora, o que é a deserção? Segundo o Aurélio, desertar é “deixar o serviço militar sem licença”. Tentemos ser, porém, mais específicos: segundo o Código Penal Militar (Art. 187), deserção é “Ausentar-se o militar, sem licença, da unidade em que serve, ou do lugar em que deve permanecer, por mais de oito dias”.
Agora que sabemos o que é deserção, vamos tratar de diferenciar a flauta da cítara: Militar e Exército oficial são coisas muito diferentes de revolucionário e grupo guerrilheiro! E as coisas não são assim porque eu quero. São assim porque esses são os fatos! É simplesmente impossível considerar que regras próprias das Forças Armadas de um Estado de direito legalmente constituído possam ser apresentadas como fundamento para as ações de um grupo guerrilheiro, Santo Deus! “Ah, a gente quer destruir a democracia burguesa, e tal, mas vumbora aproveitar esse artigo aqui do código deles. Só dessa vez, eu juro!” Ah, francamente…
Assim, se os entusiastas do homem conhecido como “porco fedorento” querem tentar justificar os crimes cometidos por ele e por sua turba, be my guest! Mas vamos manter a discussão num nível intelectual minimamente aceitável, não recorrendo a teses que têm a profundidade argumentativa de um caramujo apresentando um simpósio sobre a teoria da relatividade…
Pra encerrar, é sempre interessante e revelador analisar a origem de certas discussões. Por que tanta gente fica enfurecida quando se critica Che Guevara, Fidel Castro, Lênin e demais facínoras? Ora, porque os progressistas têm assassinos de estimação! Eles precisam justificar as atrocidades que sua gente cometeu ao longo da história, para manter viva a utopia do “outro mundo possível”. Por isso arrumam explicação pra tudo, desde a falta de papel higiênico no paraíso terrestre chamado Cuba, até os gulags, na antiga União Soviética.
De minha parte, não tenho bandidos, terroristas ou assassinos de estimação. Quero mais é que todo vagabundo arda no mais profundo dos infernos, seja ele de direita, de esquerda ou muito pelo contrário! Alguns, pra me apontar o dedo, “acusam-me” de ser direitista e tentam, ato contínuo, jogar Pinochet e os gorilas do regime militar brasileiro no meu colo. Ora, pro diabo com isso! Eu entrego as cabeças de todos esses assassinos numa bandeja de prata! E vocês? Entregam as cabeças de Che, Fidel, Lênin e companhia?!
Os progressistas sempre vão quebrar a cara enquanto insistirem em me medir pela régua deles. Eu não tenho assassinos de estimação, que precisam ser justificados e protegidos dos fatos. ELES, TÊM!
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2 ideias sobre “>Sobre assassinos de estimação.

  1. Anonymous

    >Concordo com você: nenhuma atrocidade praticada em nome de qualquer que seja a ideologia pode ser justificada, quer seja ela de "direita" ou de "esquerda". A vida humana é "dom" divino, portanto ninguem pode se julgar com "direito" de tirar a vida de outrem sob qualquer argumento.Mas é importante relembrar que o "imperio" também pratica essas atrocidades, as vezes de forma velada e sob o manto silencioso da "velha" midia, conforme noticiado hoje na reportagem abaixo:"Em meio à guerra contra o grupo islâmico Taleban, um comando de infantaria das Forças Armadas americanas cometeu atrocidades contra civis, assassinando crianças, mutilando corpos e exibindo suas ações em fotografias. A denúncia foi feita pela revista "Rolling Stone", em reportagem divulgada neste domingo em seu site. Os crimes teriam sido cometidos pelos homens do 3º Pelotão da Companhia Bravo, alocada na província afegã de Kandahar, uma das mais violentas do país. A revista relata que, em 15 de janeiro de 2010, eles deixaram a base de Ramrod em um comboio em busca de militantes do Taleban –mas dispostos a matar qualquer um(….)"

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  2. Joelma Bandeira

    >Concordo em parte com o que você argumenta. Quisera cada um de nós fazer uma revolução e mudar aquilo que não queremos mais de forma pacífica como Mahatma Ghandi fez, sem derramar uma gota de sangue. Porém, infelizmente nunca houve na humanidade quebra de sistemas de poder sem guerras e muitas mortes. Se tivesses que escolher entre a salvação do planeta ter que matar algumas pessoas, não matarias? Ou deixaria toda humanidade ser dizimada pela minoria? A luta de classe sempre existiu e vai existir. Você só tem que escolher de que lado você estar. Leia "O Príncipe" de Machiavel que terá um embasamento teórico mais fundamentado pra discutir essas questões. Abraço.

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