>Greve de juízes federais? CHAMEM O BOPE!

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Ê, Brasilzão… Leiam o que vai abaixo, publicado na Globo Online:
A Associação dos Juízes Federais (Ajufe) decidiu em assembléia realizar uma paralisação no próximo dia 27 de abril. Os magistrados reivindicam atualização do teto constitucional remuneratório do funcionalismo público, ao qual estão subordinados, direitos iguais ao do Ministério Público Federal e maior segurança para os juízes, que têm sido vítimas de atentados de organizações criminosas. Segundo o presidente da Ajufe, Gabriel Wedy, a assembléia que decidiu pela paralisação foi a maior da história da associação, da qual participaram 1.670 associados. Destes, 74% decidiram por parar o trabalho por um dia e 9% por uma greve imediata.
Os juízes argumentam que o pagamento de seus salários não está cumprindo a Constituição, já que deveria ser atualizado anualmente e foi aumentado apenas uma vez nos últimos seis anos. O aumento reivindicado é de 14,7%. Atualmente, segundo a Ajufe, os magistrados ganham cerca de R$ 20 mil, entorno de R$ 12 mil descontados os impostos (…)
Comento:
Eu leio esse tipo de coisa e me lembro de De Gaulle: “Le Brésil n’est pas un pays serieux.” De fato, este não é um país sério… Difícil até saber por onde começar a destrinchar os absurdos teratológicos que a notícia acima revela. Que tal uma olhadinha na lei? Diz o art. 37, inciso VII da Constituição Federal que “o direito de greve será exercido nos termos e nos limites definidos em lei específica.
Diante disso, pergunto: cadê a droga da “lei específica”? Não existe?! Ora, então sinto muito, excelências, mas entendo que fazer greve simplesmente não é uma opção legal que esteja ao vosso alcance! “Ah, mas há jurisprudências em outro sentido!” Claro! Jurisprudência é igual medicina caseira: tem receita pra tudo que é gosto. Eu estou dando a minha opinião pessoal apenas. Posso? Sim, posso! Da última vez que chequei, o Brasil (ainda…) era um país livre. Adiante!
Não bastasse aquilo que considero um impedimento legal insuperável, há ainda a questão moral que, entendo, não pode ser deixada de lado. Ora, ninguém é obrigado a ser juiz federal. O sujeito escolhe essa carreira porque quer, atraído, principalmente, pelos altos salários (sim, excelências. São bem altos.), pela estabilidade e – por que não dizer? – pela vocação de exercer a magistratura e servir ao público. Trata-se, como é notório, de uma carreira de Estado, cuja importância é vital para a própria existência da democracia.
Um juiz não é um metalúrgico. Percebam: não estou desmerecendo nenhuma das profissões, apenas digo o óbvio: é preciso tratar desiguais como desiguais. Um metalúrgico pode fazer greve, porque se a Ford interrompe sua produção, o problema é interno; privado. O sindicato dos metalúrgicos que se entenda com os donos da montadora, e ponto final. Juízes, porém, não podem fazer greve, porque a paralização do Estado-juiz atenta contra o próprio fundamento da democracia – sem mencionar que prejudica única e simplesmente a sociedade, que paga altíssimos impostos para, dentre outras coisas, garantir os elevados salários de suas excelências.
Pessoalmente, sou radical quanto a isso: sou contra o direito de greve para os servidores públicos de qualquer cargo. Isso, eu disse contra! Vou além: no caso dos servidores das áreas de saúde e segurança pública, qualquer movimento de greve deveria ser tratado como ato de terrorismo, porque concorre diretamente para ameaças à vida da população.
Ninguém é funcionário público por imposição. Aqui no Brasil, principalmente, quem se decide pelo serviço público o faz em busca da malfadada estabilidade, e dos altos salários. Querem, enfim os bônus. Que arquem com o ônus, ora essa! Não tá satisfeito com o salário (20 mil dilmas por mês!!!) ou com as condições de trabalho? Ora, é sempre possível arrumar outro emprego… Vai – sei lá… – ser piloto de Fórmula 1, ou jogador de futebol…

É urgente que se resgate a essência etimológica da expressão “servidor público”… Ninguém toma posse num cargo público e pronto. Todos o fazem para, a partir daí, começar a servir o público, de quem todo servidor é empregado. Isso vale para vigilantes, enfermeiros, motoristas, promotores, procuradores, juízes e até para o presidente.

Greve de juízes?! Pra mim, isso se resolve com polícia.
UPDATE: pra quem gosta de dizer que “eu não sei do que tô falando”, ou que “não tenho autoridade pra escrever isso, porque não sou juiz”, vai o link para o artigo de um juiz federal sobre o assunto. Enjoy!

—–
P.S.: Antes que alguém venha derramar nos comentários a ladainha de como os servidores públicos são oprimidos pelos governos, que dão baixos reajustes e blá, blá, blá, quero deixar claro que penso o que penso mesmo sendo servidor público. Sim, vocês leram certo! Eu acho que servidor público nenhum deve ter direito de fazer greve, e acho isso mesmo estando na área. Podem ir chorar n’outra freguesia.
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Uma ideia sobre “>Greve de juízes federais? CHAMEM O BOPE!

  1. Jota

    >Eu sou funcionário de empresa pública. Aderi a uma greve há alguns meses, por uma mistura de pressão e burrice. Participar de uma greve vai contra meus princípios, mas abri uma exceção, deixei-me levar pelo movimento. Até hoje tento entender o que me levou a fazê-lo. Sinto-me envergonhado por ter sido tão bundão.Os sindicalistas se utilizavam de manobras para aceitarem somente aquilo que era condizente com suas próprias vontades. Todo o resto era coisa da oposição, da "extrema-direita neoliberal" (!!!). Não mencionarei outras bizarrices sindicalistas…Percebi, então, que estava diante de um jogo de cartas marcadas. O resultado da greve? Bem, eu consegui repor as horas da greve com trabalho, e no final o reajuste foi o que já havia sido ofertado. Como voltei ao trabalho antes do fim da greve, tive menos horas para repor. O que posso dizer é que nunca mais quero saber de qualquer coisa que envolva sindicatos. Se estiver realmente insatisfeito, procuro outro emprego. Afinal, foi o que sempre fiz na iniciativa privada, e sempre deu certo.

    Resposta

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