>"Um dia que viverá na infâmia".

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Na última sexta-feira, dia 1º de abril, relembrou-se o advento do golpe militar de 1964. Tomo emprestada uma famosa frase de Franklin D. Roosevelt, ex-presidente americano, para definir o que aquele dia representa: “A date wich will live in infamy”.
Escrevi em 2009 aquele que reputo um dos melhores textos já publicados neste blog. Nele disse tudo o que penso sobre o golpe de 64, não deixando margem para qualquer dúvida: o que os militares fizeram foi um estupro democrático. Um evento assim não pode nunca ser festejado, mas deve, antes, ser lamentado. Vejam alguns trechos daquele texto, que sintetiza aquilo que tenho para dizer sobre o assunto:
(…) Em 1964 não houve revolução democrática coisa nenhuma! O que houve foi um GOLPE DE ESTADO puro e simples, que terminou acarretando ao país todos os efeitos deletérios típicos de uma ditadura.

Chamar o estupro institucional promovido pelas Forças Armadas de democrático é, na melhor das hipóteses, uma piada. A democracia brasileira não foi resgatada pela ação dos militares. Ao contrário: sucumbiu, em parte, graças ao golpe que foi promovido. Não se enganem: o totalitarismo tomou o país porque não havia ninguém disposto a defender a democracia. E que se note: isso vale tanto para a direita, quanto para a esquerda, que queria, sim, uma ditadura de molde soviético.

Assim, promover uma solenidade para enaltecer o dia em que a democracia recebeu o tiro de misericórdia é, convenhamos, um grande absurdo (…)

Retomo:
A “solenidade” mencionada no último parágrafo transcrito consistiu numa reunião para “saudar a ‘revolução popular de 1964′”. Lixo! Por qualquer ótica que se veja aqueles eventos, a conclusão obrigatória é sempre a mesma: as Forças Armadas rasgaram a Constituição e deixaram de lado seu papel de garantidoras da ordem, para, de forma abjeta, destroçar as liberdades individuais.
Pouco importa o motivo que seja apresentado para justificar a ação dos militares naquele 1º de abril, porque não se pode justificar o horror: nenhuma razão é boa o bastante para que o Estado, munido de seu braço repressor, decida cassar liberdades e caçar cidadãos.
Já cansei de repetir: não tenho ditadores, terroristas e assassinos de estimação. A meu ver, condescender com uma tirania em nome de “bons propósitos” é abrir a porta do inferno, e isso eu não faço. Seja essa tirania de direita, de esquerda, ou do diabo que a carregue.
Minhas únicas bandeiras sempre serão a supremacia do indivíduo, as liberdades individuais e a democracia representativa. Tudo que atente contra isso, venha de onde vier, será inevitavelmente rechaçado aqui, porque concorre para barbarizar a civilização e corromper os valores morais sobre os quais se erigiu o Ocidente.
O dia 1º de abril de 1964 não é uma data para ser comemorada. É apenas um dia tenebroso, que “viverá na infâmia” para todo o sempre.
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Uma ideia sobre “>"Um dia que viverá na infâmia".

  1. Morena Flor

    >Bravo, Bravíssimo, Yashá!Ditaduras nunca mais neste país.Chega.Agora, é torcer para q a gangue q tomou o planalto de assalto através de seus eleitores e de seu "jeitinho" não se transforme em mais uma delas.

    Resposta

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