>O ótimo discurso da senadora Kátia Abreu. Ou: sem medo de defender as liberdades individuais.

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Há algum tempo venho dizendo que os senadores Demóstenes Torres e Kátia Abreu são as duas vozes mais lúcidas da oposição brasileira. Ontem mesmo, na tribuna do Senado, a ex-senadora do Democratas, que já anunciou sua intenção de migrar para o PSD, fez um dos melhores discursos políticos dos últimos anos. Vejam alguns dos principais trechos:

“(…) Cumpre, pois, que se inicie desde já um novo ciclo na vida política brasileira, em que se dê conteúdo doutrinário à democracia, em que cada agente político expresse convicções e seja cobrado pela fidelidade que tem a elas – e não a cargos e interesses menores. Isso não se resolve apenas com reformas nas leis que regem o sistema político. Mais que a reforma política, é preciso reformar a mentalidade dos agentes políticos. A nossa mentalidade.”

“(…) Não é admissível que a quinta economia do planeta, com o amplo horizonte que neste momento a ela se descortina no cenário mundial, não exerça interlocução com sua própria sociedade. Há um amplo segmento de cerca de 110 milhões de brasileiros da classe média órfãos dessa interlocução.”

“(…) Nosso ideário consagra a defesa da economia de mercado, como único regime capaz de gerar riqueza e sustentabilidade, sem as quais não se erradica a pobreza. Não cremos no Estado-empresário, que consideramos um falso brilhante. A experiência do socialismo real, nos diversos países que o adotaram, o evidencia. Ficaram mais pobres que antes.”

“(…) O que vemos como urgência – e isso faz parte da reforma das mentalidades na política – é a defesa da liberdade individual, da liberdade de pensamento, liberdade para fazer suas escolhas (Liberalismo = Liberdade). Vemos cada vez mais o país sendo submetido à ação das patrulhas do pensamento, que impõem os dogmas do politicamente correto, criminalizando os que deles divergem. Liberdade de pensamento é o convívio civilizado com as idéias com que não concordamos, mesmo com as que eventualmente abominamos, nos limites da lei. Ser tolerante é tolerar o intolerável.

“(…) Socialismo e fascismo, sim, têm algo em comum: o culto ao Estado, que, em ambos os casos, deixa de servidor do cidadão para tornar-se seu dono, intrometendo-se crescentemente em questões inerentes à vida privada e ao arbítrio das famílias. É contra esse estigma ideológico, falso como uma nota de três reais, que combateremos. O termo “social” que adicionamos ao nome do partido indica que essa preocupação com as famílias de baixa renda ou sem renda nenhuma não é monopólio de ninguém e está longe de ter dono.

“(…) A hegemonia do pensamento esquerdista, que a estratégia gramsciana de revolução cultural inoculou na academia, estabeleceu a ditadura do pensamento. Quem hoje se sente à vontade, nas universidades e meios culturais, de se apresentar como sendo de direita ou liberal? Será renegado e excluído do debate, como um pária. E isso é trágico. Torna a democracia um engodo, um debate entre iguais, que deriva para uma luta por cargos. Nada mais. É para romper com esse paradigma e permitir que a sociedade brasileira – sobretudo sua classe média -, que se tem mostrado avessa à agenda comportamental do politicamente correto, que o PSD entra em cena.

Comento: ALELUIA! Pensei que não viveria para ver um político brasileiro com coragem de defender abertamente a economia de mercado e as liberdades individuais, ao mesmo tempo em que critica sem medo o legado socialista.
Não pensem que me empolgo com o tal PSD. Já vi vários partidos nascerem repletos de boas intenções, para depois cair na vala comum da política nacional. Mas é inegável que, pela primeira vez desde a redemocratização, surge uma força política disposta a defender bandeiras tipicamente liberais, acenando para a classe média e fazendo questão de se posicionar contra a tradição socialista. Impossível negar que acho isso muito bom.
—–
P.S.: Enquanto a senadora Kátia Abreu fazia esse brilhante discurso, o senador Aécio Neves, aquele do “Projeto Minas”, ganhava elogios do governista Jorge Viana. Segundo o petista, Aécio representa “a oposição que todo governo gostaria de ter”. Tem que ver direito isso aí…
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2 ideias sobre “>O ótimo discurso da senadora Kátia Abreu. Ou: sem medo de defender as liberdades individuais.

  1. Anonymous

    >Acho que a criação do PSD é uma jogada oportunista de alguns setores de alguns partidos "menos esquerdistas" do Brasil que viram que tem gente bagarai (votantes do serra) que não está muito satisfeita com o PT e que só querem "alguém" com colhões para enfrentar esse partido pilantra. O DEM e o PSDB já mostraram não ter bolas para isso.

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  2. Anonymous

    >A senadora Katia Abreu, presidente da conaf, provavelmente irá presidir o PSD e, junto com Kassab, vão sentar-se no "colo" do governo Dilma, conforme já amplamente anunciado pelo "PIG". Seu "discurso", mais retórica de linguagem, parece meio contraditório para quem crítica o "estado" e a "esquerda", mas daqui pra frente abraça-os. Nossa "direitona" não perde o "velho" costume da Arena,PDS, PFL, DEM e, agora PSD, "somos liberais, mas precisamos da sombra do Estado para nos "proteger".rss..

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