>O politicamente correto já encontrou o culpado pela tragédia de Realengo: o referendo de 2005.

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“Abraham Lincoln may have freed all men, but Samuel Colt made them equal.”

A coleção de bobagens e vigarices que os “especialistas do fato consumado” têm repetido desde a lamentável tragédia ocorrida em Realengo é assustadora. Esses falsos profetas, seduzidos pela psicologização do mundo, espancam a lógica com a mesma desenvoltura com que derramam sua avalanche de argumentos desprovidos de qualquer fundamento concreto. Ninguém se interessa pelos dados objetivos – e o maior de todos, está posto, é a responsabilidade individual do assassino -, mas apenas pelo hobby preferido de todos pensador politicamente correto: levar os clichês para passear.
Eu fico fascinado com a desfaçatez de um acadêmico que vai à TV dizer, com um ar afetado de autoridade, que “é mais provável morrer num assalto quando se está armado”. De nada adianta lembrar à audiência que essa “constatação” não passa de um chute, afinal não há nenhum estudo empírico que a confirme. Que nada! O estrago já está feito… O coração condoído e a comoção nacional se encarregam de incutir no subconsciente do telespectador a mensagem nada oculta: “ARMAS MATAM! É PRECISO DESARMAR A POPULAÇÃO!”
Bullshit! Se esse tipo de argumentação tivesse que ser levada a sério verdadeiramente, seria necessário, por honestidade intelectual e respeito ao debate, apontar o quadro geral da coisa. Por exemplo, como quantificar quantos crimes já foram evitados simplesmente porque uma pessoa armada deu um disparo pro alto, afugentando o bandido que pretendia entrar na casa da ao lado? Ou essas estatísticas são apresentadas por inteiro, ou deixa-se de uma vez de lado esse exercício cotidiano de “mãe Dinah” que os intelectuais vêm fazendo nos meios de comunicação.
Pessoalmente, nem preciso de estatísticas para ser contra qualquer campanha estatal a favor do desarmamento. Basta lembrar que Sarney apóia essa estrovenga ridícula e, na minha escala individual de valores, tudo o que é bom para Sarney, é ruim para o Brasil… Estou exagerando? Bem, me digam vocês: alguém aí daria ouvidos a Sarney se ele aparecesse dizendo que comprar o carro “A” é melhor que comprar o carro “B”? Ou que um Big Bob é melhor que um Big Mac? Ou, ainda, que um milk shake de morango é melhor que um de ovomaltine? Ora, então por que diabos eu deveria escutar o que ele acha melhor sobre o porte de armas? Eu, não!
“Ah, mas isso é ser muito maniqueísta. Rejeitar só porque Sarney apóia não é algo muito simplório?” Bom, até posso concordar que seja. Mas o fato é que há uma infinidade de argumento lógicos capazes de mostrar – de forma conclusiva – que o desarmamento civil não tem absolutamente nenhuma relação com tragédias como a do Rio. Mostrar isso é espantosamente simples, basta que o interlocutor esteja disposto a entender.
Antes de qualquer outra coisa, é preciso que se pare de uma vez por todas com essa estupidez de dizer que ou o Brasil restringe (ainda mais!) o comércio legal de armas, ou vamos virar um país como os Estados Unidos. Já disse antes, e repito: queira Deus que nos tornemos como os EUA! Sabem por quê? Porque lá mata-se seis pessoas por grupo de 100 mil habitantes, quatro vezes menos que nestas terras tupiniquins. Isso, meus caros, não é assim porque eu quero que seja. É assim porque assim são os fatos!
Sim, eles têm lá seus massacres em Columbines da vida, mas that’s the point: nenhum lugar do mundo está livre da ação de psicopatas. Prever – e evitar – casos como o de Realengo – atenção agora!NÃO é política de Estado, afinal é simplesmente impossível determinar quando vai ocorrer um surto psicótico em alguém. Política pública é garantir que os cidadãos livres não sejam assaltados e mortos nas ruas, ou dentro de suas casas. Agora digam aí: onde os indivíduos estão mais protegidos no seu cotidiano? Na belicosa América, ou neste país mulato-hospitaleiro-pacífico-e-malemolente? So, I rest my case!
E eu nem vou aqui perder tempo comparando os índices de criminalidade do Brasil com os da Suíça, o país que tem a população civil mais armada do mundo. Tenho certeza que vocês já entenderam o espírito da coisa, e que não será preciso passar mais um carão no suposto pacifismo brasileiro…

“Mas se o psicopata não tem acesso a armas, há menos risco de causar mortes”, argumentam os que insistem em ligar o caso Realengo ao desarmamento civil. Meus queridos, vamos entender de uma vez por todas o seguinte: um psicopata não comete suas atrocidades porque tem acesso a armas. Ele as comete porque… é um psicopata! Não se trata de oportunidade, mas de condição, percebem? Se o tal Wellington não tivesse conseguido comprar armas (ilegalmente, diga-se de passagem. A proibição do comércio legal can suck my balls…), ele teria entrado lá com facas, correntes, barbeadores enferrujados ou qualquer outra coisa.

O que temos de fato concreto é que proibir o comércio legal de armas não poderia garantir que fatos como os ocorridos em Realengo deixassem de acontecer. Ou vocês acham que o psicopata, tal qual São Paulo na estrada de Damasco, veria a luz e decidiria, pelo bem dos outros, não comprar armas no mercado negro? Ora, tenham a santa paciência! Afinal, é preciso que se lembre que as pistolas usadas por Wellington não foram adquiridas legalmente, com emissão de nota fiscal e toda a burocracia (que é imensa!) pertinente. Again: como diabos a vitória do “SIM” naquele referendo (ou em algum outro) poderia ter mudado as coisas? Não poderia! Essa linha argumentativa não passa de trapaça retórica pura e simples.

E nem vou perder muito tempo comentando a idiotice segundo a qual toda arma ilegal foi, um dia, legal. Isso implicaria dizer que todas as armas hoje na ilegalidade foram roubadas da casa de alguém, o que é, por motivos óbvios, uma estupidez sem tamanho. Sem considerar casos como o do maluco que abriu fogo num cinema em Campinas (acho que foi lá mesmo, mas giyf), matando várias pessoas. Pra quem não lembra, o rapaz estava portando uma metralhadora Uzi, uma arma de uso exclusivo das Forças Armadas! Desnecessário dizer que aquela belezinha nunca foi legal, afinal ninguém pode comprar algo assim na loja da Taurus mais perto de você. E aí, desarmamentistas? Cadê seu Deus agora?!
Eu não gosto de armas. Não teria uma arma. Mas não aceito que o Estado me tire o direito de poder vir a ter uma arma, no dia em que eu decidir fazê-lo, ainda mais quando o faz valendo-se de desculpas esfarrapadas de quinta categoria!
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5 ideias sobre “>O politicamente correto já encontrou o culpado pela tragédia de Realengo: o referendo de 2005.

  1. Arthurius Maximus

    >Depois do estatuto do desarmamento, que criou as maiores restrições possíveis para comprar uma arma e praticamente acabou com o porte, os homicídios aumentaram 17%.Nos Eua, onde a população é mais numerosa e, em alguns estados, você pode comprar fuzis de assalto pelo correio; a taxa de homicídios é inferior a nossa.A verdade que esses idiotas não querem mostrar é que as razões da violência estão na políica que só investiga 3% dos crimes (mesmo assim são crimes ditos de autoria conhecida); um Judiciário anacrônico, preguiçoso e lento; leis paternalistas e brandas demais e uma sociedade política que favorece o crime.

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  2. Anonymous

    >Caro Yashá,eis uma reflexão que gostaria de compartilhar com você. Tudo o que segue, obviamente, é minha modestíssima opinião. Eventuais furos lógicos, por favor, aponte sem dó. Acho que meu raciocínio faz algum sentido; mas, caso dê para aprimorá-lo, à vontade! Ficarei agradecido.Abraço,Thiago…Um colega que se acha muito progressista (fazendo, conscientemente, uma contraposição com quem ele entende ser reacionário) vem me lembrar que uma das armas utilizadas pelo assassino de Realengo pertenceu, um dia, a uma pessoa que a comprou legalmente. Esse revólver foi roubado ou furtado (não soube me dizer ao certo) e, depois, revendido ao Wellington. Isto, aparentemente é fato; o problema está na leitura que se faz do fato.Em primeiro lugar, deve-se diferenciar as armas cujo comércio é permitido à população civil (ainda que altamente restrito) daquelas cujo comércio é vedado, ou seja, cujo uso é exclusivo de Forças Armadas e de segurança PÚBLICA. Essa distinção não é corriqueira; mesmo as empresas regulares do ramo da segurança privada só podem utilizar as armas cuja venda seja franqueada à população civil. Já viu segurança de carro-forte com AR-15, M-16, HK-33? Com escopeta? Obviamente não. Essas armas têm seu uso disciplinado por normas internas do Exército e qualquer posse ou porte em desacordo com elas é ilegal. Mesmo se um policial civil estiver com um fuzil cujo uso só tenha sido autorizado às Forças Armadas, o porte será ilegal. Há, ainda, armas e munições proscritas, ou seja, que nem as Forças Armadas e de segurança pública podem comprar e usar (balas “dum-dum” ou revestidas de teflon, por exemplo; a PRF não pode comprar metralhadoras .30 e .50, por exemplo). A própria arma em si é ilegal.

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  3. Anonymous

    >Já em relação às armas cujo comércio é permitido, a legalidade ou ilegalidade não é intrínseca da arma. O que é ilegal é seu porte (posse em local público) ou simples posse (em local privado – numa gaveta do meu criado-mudo, por exemplo). Logo, se uma arma é adquirida legalmente, está na posse do indivíduo que tem autorização, e vem a ser roubada/furtada, a arma “era legal” e “deixou de ser legal”. Se o regular proprietário recupera a arma (digamos que ela seja apreendida pela polícia e devolvida ao legítimo dono), a mesma voltaria a “ser legal”.Alguns exemplos demonstram que esse raciocínio não é teratológico.Imagine três situações distintas. Um civil portando, legalmente, um revólver .38; um policial militar, com trajes civis, portando a pistola PT 380 da corporação; um recruta da Marinha, soldado, portando um fuzil FAL-762, pertencente à Força, enquanto fica de sentinela numa guarita. Todos são atacados por bandidos e têm suas respectivas armas roubadas (roubo = art. 157 do Código Penal). Todas elas, ato contínuo, são vendidas a traficantes de drogas baseados num determinado local da cidade. A partir daí, tais armas passam a ser “alugadas” a quadrilhas que pretendam realizar outros crimes distintos de tráfico e associação para o tráfico, além do uso pelos próprios traficantes.Pergunto: as três armas citadas permanecem “legais”? É cristalino que não. O porte delas está em desacordo com que estipulam as respectivas legislações de regência. O revólver tinha seu uso autorizado ao civil; a pistola, ao PM, inclusive quando de folga; o fuzil, ao praça, exclusivamente em serviço. É esta a realidade dada? Não. E em que momento o porte deixou de estar de acordo com o ordenamento jurídico? Quando foram roubadas.Em outras palavras: o que define se a arma “está” na legalidade ou não é seu portador (e, em certos casos, as circunstâncias em que o portador está de posse da arma – nenhum militar pode levar fuzil e granadas para passar o fim-de-semana em casa…).

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  4. Anonymous

    >Primeira conclusão: ainda que se possa dizer que um dos revólveres tenha origem remota legal, é impossível não admitir que ele utilizou duas armas ilegais em sua chacina. Isto, simplesmente, porque o modo como ele as adquiriu não é o previsto em lei (mais do que isso, é vedado e tipificado como crime de “tráfico de armas”), e porque sua posse de tais revólveres não era autorizada pelo órgão estatal competente.Mas por que dei essa volta toda? Porque o eixo atual da discussão é o seguinte: “se o comprador original não pudesse ter adquirido legalmente a arma, o Wellington nunca teria tido acesso a ela”. Bem, isso é umameia-verdade. O que garantiu a ele acesso não foi aquela compra legal; foram, em verdade, duas outras condutas, ambas ILEGAIS: o furto/roubo (1ª); o tráfico – venda ilegal – depois (2ª).É, portanto, plenamente legítimo substituir a afirmação categórica referida acima pela seguinte: “se o proprietário legal da arma nunca tivesse sido furtado/roubado, ou se essa arma furtada/roubada tivesse sido apreendida antes de ser contrabandeada, o Wellington nunca teria acesso a ela”. Isso muda totalmente o eixo do debate, não é mesmo? O que ninguém se atreve a dizer é que houve uma escolha consciente em fazer o debate girar em torno daquele primeiro eixo, e não deste segundo, e que essa escolha foi de caráter IDEOLÓGICO, já que em termos lógicos, o segundo eixo faz tanto sentido (ou mais) quanto o primeiro.Agora, o arremate: quais das condutas foram eleitas legalmente para ser combatidas pelo estado? As que foram tipificadas como crime! Se esse caso traz discussões de segurança pública, elas devem ser feitas no que respeita aos fatos anteriores à tragédia AOS QUAIS CABIA AO ESTADO DAR COMBATE: o furto, ou roubo; e o posterior contrabando, a venda (essa sim) ilegal feita a Wellington. Ninguém na “grande imprensa” sequer levantou esse ponto.Segunda conclusão: houve três condutas relevantes, no que tange à arma, antes da tragédia. Houve uma compra legal de um revólver (até aqui, a arma “era legal”); depois, houve um furto ou roubo desse revólver (a partir daqui, com a ocorrência de crime, a arma “caiu na ilegalidade”); e, posteriormente, houve o tráfico desse revólver (outro crime – a arma “continuou na ilegalidade”).Conclusão final: a falha do poder público foi em impedir esses dois últimos fatos, dado que constituem crime; em relação ao primeiro, NADA HOUVE que significasse violação das normas de direito aplicáveis.Por tudo isto, o único nexo de causalidade que se pode estabelecer é em relacionado à posse já ILEGAL, tornada ilegal pelo crime, do revólver. Se há uma “culpa”, não é a da compra legal do revólver, mas a dos dois crimes posteriores que levaram o revólver às mãos do psicopata. Crimes que estado não preveniu nem solucionou. O problema não está em o estado não banir o comércio legal de armas; está em o estado não conseguir combater furtos, roubos e contrabandos.

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  5. Alexandre

    >O comentário do Tiago foi matador.Essa nova tentativa de desarmamento é só um meio de mostrar serviço e atrapalhar ao mesmo tempo.

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