>FAQ

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* Nova atualização. O post ficará no topo do blog nas próximas 24 horas – as atualizações seguem abaixo.

Alguns leitores do blog sempre fazem (as mesmas) perguntas sobre minhas posições acerca de algumas questões políticas, econômicas, ideológicas e afins. A culpa talvez seja minha, afinal o blog não tem (ainda) uma seção onde sejam expostas, genericamente, as características e preferências deste vosso criado. Bom, aqui estou pra tentar sanar as dúvidas mais frequentes:

1) Qual a sua ideologia?
Eu acredito na supremacia do indivíduo sobre as coletividades, num Estado pequeno, na iniciativa privada, no sistema de liberdades individuais e na democracia representativa. Isso está comumente mais associado à direita liberal, mas esse é um conceito genérico demais. Há, por exemplo, desde liberais clássicos, até libertários modernos. Complicado ficar rotulando…
2) O que você pensa sobre aborto, drogas, pena de morte e eutanásia?
Sou contra: o aborto, a pena de morte, a eutanásia e a descriminação das drogas. Isso porque defendo de forma intransigente o direito à vida. Mais que isso: defendo que nenhum homem – e nenhuma sociedade – pode dispor da vida humana, nem decidir quando ela começa ou termina. Tudo isso acabaria fazendo de mim um sujeito conservador, mas de novo teríamos uma rotulagem excessivamente genérica. Querem ver? Vamos à próxima questão.
3) Você é a favor do casamento homossexual?
Sou a favor da união civil de homossexuais. Casamento? Bom, o que se entende por isso? Sou contra a edição de uma lei que obrigue as igrejas a reconhecer uniões homossexuais, porque bem… defendo que cada um é livre pra acreditar no que bem entende. Os homossexuais querem estar juntos e ter direitos de casal? Acho justo. Mas não se pode obrigar que religiosos concordem com isso, da mesma forma que não se pode obrigar os homossexuais a concordar com os religiosos. Cada um vive como bem entende, respeitando os demais – e respeitar é bem diferente de aceitar ou concordar.
4) Você tem religião? Qual?
Sou católico apostólico romano. E gosto de dizer que sou também “papista”: reconheço que minha igreja tem um líder espiritual, e que as palavras dele devem ser conhecidas, respeitadas e ouvidas. Reprovo aquilo que chamo de “neopentecostalismo católico”, praticado por movimentos como Renovação Carismática e Shalom, que praticamente transformaram a Santa Missa numa “aeróbica de Jesus”. Costumo dizer que se fosse obrigado (e não sou, que fique claro!) a escolher entre a Opus Dei e as “missas dançantes” do Padre Marcelo, ou do Padre Fábio, ficaria com aquela.
5) O que você pensa sobre financiamento público de campanha, voto distrital e demais faces da chamada reforma política?
Concordo com o voto distrital, pois ele aproxima o eleito dos seus eleitores, e torna a atuação parlamentar mais prática. Sou radicalmente contra o financiamento público das campanhas. Primeiro por razão ideológica: não acho que seja função do Estado usar o nosso dinheiro para sustentar campanhas eleitorais. Segundo porque não há a mais singela evidência de que o financiamento público acabaria com o privado. Pelo contrário: uma vez aprovado o financiamento público, todo financiamento privado aconteceria “por baixo dos panos”. Um caos!
O principal, porém, ninguém discute quando se fala em reforma política. Defendo o fim do cargo de vice para o Executivo, e dos suplentes para o Senado. Defendo que um parlamentar, para assumir um cargo no Executivo, seja obrigado, antes, a renunciar ao mandato. Acredito ainda que seja necessária uma redução drástica no número de parlamentares, para diminuir o tamanho do Estado, além de se cortar substancialmente as vantagens econômicas hoje existentes.
6) Você é a favor das privatizações?
Sim. Defendo que quase tudo deva ser privatizado. Acredito que o Estado deva se ocupar apenas de defesa externa, segurança pública, saúde básica e de pronto-atendimento, além da educação básica. E só! Mais que isso já acho intervencionismo exagerado e, no mais das vezes, danoso – afinal o Estado não tem vocação para administrar dinheiro.
7) Em que pessoas você se espelha? Quais são os seus ídolos?
Em política posso dizer que admiro Lincoln, Theodore Roosevelt, Churchill, Reagan e Thatcher. Em conomia sou fã da Escola Austríaca em geral – o velhote Mises é sensacional! Mais genericamente, posso dizer que gosto de São Paulo, São Tomás de Aquino e Santo Agostinho.
8) Você é a favor do imperialismo? [Acreditem, recebo muito essa pergunta.]
Essencialmente, não. Para ilustrar o que digo, costumo falar que por mim nem as Grandes Navegações teriam existido: a Europa continuaria sendo “apenas” Europa; as valiosíssimas cultura e medicina do Oriente seriam cultivadas pelos orientais; e os índios americanos estariam até hoje sacrificando virgens e batendo com os pés no chão para invocar os espíritos. Assim, cada um na sua.

Update [Atualizado em 28/03/2011, pra responder ao Paulo.]

9) O que você pensa sobre o direito ao voto? Prefere o obrigatório, ou o facultativo?
Sou a favor do voto facultativo simplesmente porque não existem “direitos obrigatórios”. A minha concepção de democracia alimenta a idéia de que ao indivíduo deve ser dado, inclusive, o direito de não jogar o jogo democrático.

Uptade [Atualizado em 14/04/2011 (confesso que essa pergunta até demorou a chegar…)]
10) O que você pensa sobre o direito de ter armas, e um plebiscito sobre desarmamento?
Eu não gosto de armas. Não tenho e não penso em ter uma arma em casa. Confesso que, num mundo ideal, me sentiria mais seguro sabendo que meu vizinho também não tem uma arma, e não corre o risco de sair atirando feito um louco se algum dia o time de futebol dele levar um sapeca-ia-iá. Mas não estamos num mundo ideal, não é mesmo?

A retórica ongueira do “as armas matam” não me pega. Armas não matam ninguém. Quem mata são os indivíduos. Assim, proibir por meio de leis que civis comprem legalmente armas de fogo é tão estúpido quanto inócuo. Basta notar que países como Estados Unidos e Suíça, onde a população pode comprar uma pistola no supermercado da esquina, são infinitamente menos violentos que o Brasil, onde vigora uma das leis mais restritivas do mundo.

Proibir o comércio legal de armas sob a alegação de que isso combateria a violência é como proibir as eleições, a fim de impedir que corruptos sejam eleitos…

—–
That’s it! Foram essas que lembrei. Mais alguma coisa? Mandem aí nos comentários, que depois respondo, beleza?

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11 ideias sobre “>FAQ

  1. Paulo

    >A minha pergunta foi para o espaço?Por que?Será que você não pode responder, pela 3º vez, o que peguntei?A pergunta foi,e é:A sua opinião sobre,em eleições, voto obrigatório ou facultativo?Você pode responder com duas palavras.Obrigado.

    Resposta
  2. Nelson

    >Tirando a parte das drogas, posição da qual respeitosamente discordo, tenho o mesmo pensamento que você, Yashá.Sobre as drogas, baseando-me no mesmo princípio da liberdade dos indivíduos, creio que o Estado não deva interferir no que seus cidadãos podem consumir, pelo simples motivo de tal consumo fazer mal ao usuário. Seria um benefício à sociedade se, ao invés de consumir o erário combatendo o narcotráfico, o Estado, assim como faz com o cigarro e o álcool, promovesse a criação de clínicas de reabilitação destinadas a usuários de entorpecentes interessados em largar o vício, posto que a guerra contra as drogas há muito vem se mostrando ineficiente. Então, sou a favor da descriminação das drogas que, mesmo tidas como ilícitas, não levam o indivíduo a ter atitudes fora do juízo de suas faculdades mentais. São poucas, mas existem, como, por exemplo, a maconha.Não pensem os incautos que sou mais um "esquerdistazinho" querendo queimar minha plantinha em paz,não apoio o uso das drogas, mas isso, para mim, não deve configurar escopo para o Estado criar impedimentos que vão além do que é realmente, em uma democracia, necessário coibir.Abraços, Nelson.

    Resposta
  3. Anonymous

    >Nelson, eu não entendo. O indivíduo tem o pleno direito de destruir o próprio corpo com drogas. Até aí, faz sentido. Porém, depois você diz considerar que o estado deve investir em uma estrutura específica para ajudar o indivíduo quando lhe pesarem demais as consequências de suas próprias decisões! Aí fica fácil. Ninguém pode me impedir de me drogar, mas quando eu estiver na m****, aí eu exijo ajuda!

    Resposta
  4. Nelson

    >Anônimo: Pois é, cara. É complicado. Mas, observando países europeus que tomaram essas medidas, vê-se que é melhor "desintoxicar" a população do que mandar prender viciados que, muitas vezes, por assim serem, não conseguem por si só findar com o próprio vício. Aí entra o Estado que propõe ajudá-lo através da internação e dos mecanismos cabíveis. Veja, por exemplo, Portugal.:)

    Resposta
  5. Paulo

    >YasháObrigado pela resposta e desculpe pela minha insistência.Tirando a parte referente à sua religião, nas demais posições, assino embaixo.

    Resposta
  6. Anonymous

    >Para um "bom" cristao você passa por um "ótimo" pecador. Quer dizer que você defende apenas a educação básica como Estatal: o ensino superior, na sua concepção, deve ser privado e, no caso brasileiro, privatizado. Que mal pergunte: Onde você fez faculdade? 1)Publica ou 2)Privada? Se a resposta for a opçao 1(um) vai ser uma verdadeira decepção né, ou seja "EU" usufrui, mas o meu "IRMAO" tem que pagar. É o "neocatolicismo".

    Resposta
  7. Anonymous

    >Só por curiosidade: O que você faz da vida? Trabalha com o que? Nasceu em Macapá? Se não, como foi parar aí?Eu nasci e me criei no estado do Amapá, a tempos moro fora e acompanho o que acontece por aí por alguns blogs e twitter. Confesso, que você chamou a atenção pela inteligência, cultura, conhecimento e acidez.

    Resposta
  8. Dannilo Stélio

    >Não sei se você lembra de mim, Yasha, mas vi seu comentário no blog da alcinéia e recordei de vc. É o Dannilo, aqui do Fórum. Legal encontrar teu blog. Muito boas suas colocações. Já estou seguindo !

    Resposta

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