Os imbecis da “Faculdade Mayara Petruso” e a liberdade deles de dizer suas imbecilidades.

E eis que alguns imbecis, laureados na “Faculdade Mayara Petruso de Obtusidade Sociológica”, a FAMAPOS, resolveram externar seu chororô pela eliminação do Flamengo, ontem, escrevendo asneiras naquela rede social de mensagens curtas conhecida como Twitter. Vejam:
A inteligência, nota-se, passou ao largo dessas pobres almas, cuja profundidade intelectual assemelha-se à de uma couve-flor. Talvez por isso o sentimento que eles me despertam seja a mais sincera pena. Sim, verdade. Nem revolta, nem infignação… Nada. Só mesmo pena.
Antes que a patrulha pogreçista e politicamente correta baixe aqui me acusando do que quer que seja, permitam que eu seja claro e direto: acho que aqueles dois celerados escreveram imbecilidades monumentais. Pronto. Ficou claro o que penso sobre o mérito dos tweets publicados pelos “bolsonarinhos”, né? Ok, agora vamos à polêmica: eu defendo a liberdade de expressão em sua plenitude, isto é, inclusive o direito que os idiotas têm de escreverem suas idiotices por aí.
Os leitores já ouviram falar da Westboro Baptist Church, sediada no Kansas? Não?! Pois segurem-se nas cadeiras e tentem não vomitar ao ler a breve síntese que vai a seguir, feita pelo Reinaldo Azevedo:
“Há uma igreja no Kansas, nos Estados Unidos, chamada Westboro Baptist Church. É composta por um bando de malucos liderados por um tal Fred Phelps. Ele teria recebido uma mensagem divina informando que Deus está castigando as tropas americanas no Iraque e no Afeganistão por causa da… tolerância com o homossexualismo!!! A missão de sua igreja seria anunciar isso ao país. E o que faz Phelps e seu bando de lunáticos, boa parte gente de sua própria família? Cruza o pais de Norte a Sul, de Costa a Costa e, onde houver o funeral de um soldado, lá estão eles brandindo cartazes como o que se vê acima: “Obrigado, Deus, pelos soldados mortos”, “Obrigado, Deus, pelo 11 de Setebro” e “Você vai para o inferno”. Eles são asquerosos? Não tenho a menor dúvida. A direita americana os despreza. Os liberais (a esquerda de lá) não menos.”
Nojento! Abjeto! Nauseante! O líder dessa tal igreja e seus fiéis encarnam um – vá lá… – “pensamento” tão moralmente pútrido, que merecem o desprezo de todo o mundo civilizado. São uma escória; um lixo humano! Quanto a isso, estou certo, qualquer um concorda.
Mas, e daí? Daí que Albert Snyder, pai de um fuzileiro naval morto em combate, incomodado com a manifestação grotesca que a Westboro promoveu durante o enterro de seu filho, processo a igreja por danos morais. O juiz de primeira instância deu ganho de causa ao pai, arbitrando uma indenização quantificada em onze milhões de dólares. Na segunda instância, o valor foi reduzido para cinco milhões. E eis que na Suprema Corte americana, por esmagadores 8 votos a 1, ficou decidido que a Primeira Emenda (que trata da liberdade de expressão) garante aos estúpidos travestidos de religiosos o direito de expressar as asneiras que expressam.
Sei perfeitamente que numa sociedade como a brasileira, onde o “patrulhamento do bem” tem sido cada vez mais intenso, a essência da decisão da Suprema Corte dos EUA pode não ser muito bem compreendida. É do jogo… Ainda estamos engatinhando quando o assunto é respeito à liberdade de expressão, ao passo que a América já estipulou, há séculos, que o Estado não pode sequer legislar sobre o tema, pois qualquer lei destinada a disciplinar a liberdade de expressão significaria, na prática, limitá-la.
Meu objetivo ao trazer o exemplo do caso Snyder Vs. Phelps é apenas mostrar que não existe liberdade de expressão “pela metade”. Ou ela é PLENA, ou não é liberdade! É por isso que, apesar de repudiar frontalmente e com veemência as coisas asquerosas ditas por aqueles moleques lá de cima, ontem, no Twitter, defendo que eles têm, sim, o direito de dizê-las. Assim funciona uma sociedade civilizada: alguém é livre para falar suas imundícies, e nós somos livres para discordar delas. Tolher a liberdade ou impor a censura? Isso seria intolerável!
Desde ontem, quando o assunto apareceu na internet, me manifestei contra o mérito do que foi dito a respeito dos nordestinos. Não porque considero racismo. Nada disso! Ao contrário, até: nordestino não é raça, pois só a raça humana existe. Critico porque, ao contrário do que foi dito, os nordestinos não são “a desgraça do Brasil”. A verdadeira desgraça do país é a existência de gente obtusa o bastante para acreditar nesse tipo de imbecilidade algo primitiva.
Notem, pois, que debato o mérito das opiniões e, exercendo minha liberdade de expressão, discordo delas. Em momento algum, porém, pretendo que a liberdade de expressão alheia seja limitada. Ora, o sujeito deveria ser proibido de exprimir sua opinião apenas porque está dizendo besteiras?! Mas, Santo Deus, ele tem direito às besteiras dele! Essa é a democracia. Essa é a vida em sociedade.
Apontar o quão pedestre foram as falas daqueles idiotas no Twitter é perfeitamente justo e válido. Eles são – repito! – livres para se expressar, da mesma forma que nós somos livres para discordar. Agora, querer denunciá-los a ONGs, à polícia, ao Ministério Público e a sei lá mais quem, tendo como único objetivo judicializar a controvérsia é fascismo!
Sim, eu disse fascismo mesmo! Os “tolerantes” que se exaltaram para condenar a “intolerância” expressa naqueles tweets, foram rápidos ao sacar da manga os adjetivos-padrão nesse tipo de entrevero: “nazistas”; “fascistas”. E, ato-contínuo, começaram a ameaçar com MP, PF e demais braços armados do Estado, mostrando clara disposição de valer-se do aparelho de repressão estatal a fim de investir contra liberdades individuais. Ora, de quem foi o fascismo?!
Defender a liberdade de expressão quando concordamos com o que é dito, perdoem a minha sinceridade, é tarefa das mais fáceis. O teste verdadeiro para as convicções é defender a liberdade de expressão quando o que é dito nos desagrada, nos provoca asco, nos desperta náuseas.
No meu mundo ideal, imbecis como os de ontem, no Twitter, poderiam continuar escrevendo suas obtusidades sobre nordestinos, bugres ou – sei lá… – sobre mim. E quem não estivesse de acordo poderia retrucar, apontando as incoerências e exercendo o direito à crítica. Judicializar o debate e a controvérsia tendo por escopo calar o outro, sinto, não passa de totalitarismo. Um “totalitarismo do bem”, poder-se-ia dizer, afinal a “causa” defendida é abraçada pelo pensamento politicamente correto. Mas, ainda assim, um totalitarismo.
Eu temo mais as “ditaduras do bem”, que buscam silenciar os “maus”, do que as imundícies que estes vomitam sem qualquer vergonha de expor a própria ignorância. A democracia e o sistema de liberdades individuais pode sobreviver muito bem a estes – como a decisão da Suprema Corte americana demonstra -, mas não sei se sobreviveria àqueles.
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2 ideias sobre “Os imbecis da “Faculdade Mayara Petruso” e a liberdade deles de dizer suas imbecilidades.

  1. Nelson

    >É meio esquisito. Por mais que eu também defenda exatamente o que você expôs acima, ainda sinto ganas de… sei lá… meter o processo nesses "félas". Você que tem mais conhecimento de Direito que eu (1º período LOL), como pensa, por exemplo, que ficariam e os crimes de difamação ou de opinião? Deixariam de existir?Judicializar a coisa não significa necessariamente ter pretensão de calar a outra parte, mas buscar ressarcimento pelo dano moral causado pelo agente.Isso, na sua opinião, deve acabar, para que possamos viver numa sociedade mais justa, no literal sentido da palavra?Abraços. Boa noite. 🙂

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  2. Janaina

    Vc está correto quando diz que defender a liberdade de expressão quando se concorda com certa opnião é muito fácil, de fato é. Não sou tão liberal quanto vc, acho que não há direito fundamental absoluto – nem a vida, nem a intimidade e muito menos a liberdade de expressão. Acho necessário um sistema de freios – já que a expressão de um direito, no caso a liberdade de expressão, pode interferir na esfera de direitos alheios. Dessa forma, entendo que a honra subjetiva deve ser tutelada tanto cível quanto criminalmente. Abraços

    Resposta

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