A gordinha funkeira e sua pobre mãe.

Algumas vezes eu me pego pensando que devo ter feito pole-dance na Cruz pra merecer certas coisas…

Outro dia, estava eu na rua, perto do meu local de trabalho, quando vejo se aproximando uma senhora de aparência muito distinta (dessas velhinhas que parecem uma avó, sabem?) acompanhada de uma moça um tanto quanto – como era mesmo que os árabes de O Clone diziam? – “espetaculosa”, vestida de forma a expor a própria figura – e com uma passagem só de ida pro “mármore do inferno” garantida.

O que mais chamava a atenção, porém, não era a calça estilo “gang do samba”, nem a blusa (ou teria sido um top?) minúscula que lhe cobria precariamente o torso. Que nada! A parada chocante era o sobrepeso descomunal da moça, situada em algum lugar entre a obesidade mórbida, e a condição de fêmea de elefante. A visão era escabrosa, creiam.

Vejam a foto da dita cuja.

Pois bem, a velha senhora, que acompanhava a baleia a moça, me abordou:

– “Ali é a defensoria pública?” – perguntou, apontando na direção do prédio onde labuto diariamente de forma incansável.

– “Não.” – respondi, explicando que se tratava de outro órgão público.

“Pois serve, moço.” – retrucou ela. E emendou: “A minha menina aqui” – disse a velha, apontando para a elefanta a filha – “faz estágio no [óbvio que não declinarei o nome do lugar, seus pervertidos!] e foi assediada pelo chefe dela!”

COMÉ KIÉ?! Imaginem meu susto – péssimamente disfarçado, é claro – ao escutar aquele relato. Eu não sabia o que era mais absurdo: 1) aquela braquiossaura imensa menina avantajada ter saído de dentro de uma senhora com um vigésimo do tamanho dela; 2) ou algum homem capaz de se sentir atraído por aquele amontoado de tecido adiposo corpo. Não! Eu só podia ter entendido errado. Tentei esclarecer:

“Foi o quê?!”

“Assediada, moço. Pelo chefe.”

Eu teria feito um rápido discurso indignado a respeito do fato, para afetar simpatia diante da pobre velhinha, mas estava ocupado demais tentando evitar um ataque de riso épico.

Eu queria muito rir, mas, com muito esforço, consegui me controlar.

Mas não pude dizer uma só palavra, porque quando ensaiei abrir a boca fui interrompido pelo toque do celular da paregonta donzela (esse aqui):

“Eu sou doidão .. eu não sou careta
só sangue bom, não arruma treta
homem de verdade gosta muito é de buceta…”

Ah, tá de sacanagem! Só podia ser pegadinha, fala sério! A moleca, uma mistura de Jô Soares com Preta Gil, além de andar com aquela barriga-de-borda-de-catupiri, espremida pra fora da calça descomunalmente apertada naquele corpo mortadeliço, ainda me coloca um funk daqueles como ringtone?! Fala sério!

Só consegui dizer que não sabia como ajudar as duas, e saí fora – dessa vez sem conseguir controlar uma bela gargalhada.

Foi essa a última imagem que aquelas duas tiveram de mim naquele fatídico dia.

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4 ideias sobre “A gordinha funkeira e sua pobre mãe.

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