O dia em que o PT ameaçou fechar o Congresso.

Eu confesso que não estou muito por dentro do tal Novo Código Florestal. Achei o assunto chato, cansativo e difícil de sintetizar, então decidi não “perder tempo” estudando a coisa a fundo. Mea culpa, mea maxima culpa. O pouco que sei a respeito aprendi assim, lendo as coisas por alto. Conheço pessoas inteligentes que foram a favor do novo Código, e também muitas que foram contra.

O que eu posso dizer a respeito é apenas aquilo que se pode deduzir a partir da lógica elementar. Por exemplo: a aprovação do Código, ontem, na Câmara dos Deputados, por uma maioria tão avassaladora (mais de 400 votos a favor!), mostra de forma indiscutível que a coisa foi muito além da vontade dos ruralistas. Convenhamos: nem com uma enorme dose de licença poética seria possível atribuir mais de 400 votos (!!!) àquilo que o progressismo ongueiro chama de “bancada da moto-serra”.

Note-se bem: não estou fazendo juízo de valor sobre o mérito da proposta (mesmo porque, como dito anteriormente, não estudei o bastante para isso), nem sugerindo que a adesão de mais de quatro quintos da Câmara signifique, de per si, que o Código é bom. Nada disso! Estou apenas dizendo o lógico: o projeto relatado por Aldo Rebelo (PCdoB-SP) não agradou só àquilo que Marina Silva, o WWF e o Greenpeace chamam de “lobby do latifúndio”. Afirmar isso é, data vênia, uma mentira.

Aliás, a lembrança de Aldo Rebelo me remete a outra conclusão exclusivamente lógica: não se pode atribuir a aprovação do novo Código aos “conservadores” e “direitistas”, afinal não há mais de 400 deputados “de direita” na Câmara, não é mesmo? Isso pra não mencionar que o relator da proposta foi o deputado de um partido comunista! Esse arremedo de luta-de-classes que Chico Alencar e Ivan Valente, ambos do PSOL, quiseram fazer, classificando a votação daquela lei como uma sorte de embate entre “forças progressistas” (contrárias à proposta) e “forças reacionárias” (favoráveis a ela) vai, pois, pro vinagre. Basta ver que alguns notórios expoentes da chamada “blogosfera progressista” estão comemorando muito a aprovação do Código.

Percebam que nem foi preciso me debruçar sobre o conteúdo propriamente dito do Código, a fim de desmistificar algumas falácias que estão sendo repetidas aos quatro ventos. Aliás, propagar falácias foi uma tática comum de alguns expoentes envolvidos no debate. E que expoentes… Basta lembrar que dois dos políticos mais empenhados em lutar contra o novo Código são Zequinha Sarney e Marina Silva. Santo Deus! Num país que já teve Chico Mendes, é de chorar o nível atual dos “ambientalistas”…

Marina Silva, ex-senadora, ex-ministra e ex(futura)-candidata à Presidência, atual rainha-elfa dos povos da floresta.

Zequinha Sarney, um ambientalista mundialmente respeitado.

Pessoalmente, quando vejo Marina Silva, um Sarney, o PSOL e um monte de ONGs assumindo determinado lado de uma disputa política, fico tentado a, imediatamente, me alinhar ao lado oposto… É muita gente de coração bom junta! Não me atrevo a macular o lado escolhido por eles com minha reacionária presença.

Confesso que fico curioso vendo Marina Silva – sempre com aquele ar fechado, de quem sabe o dia e a hora exata em que acontecerá o armagedom – tão empenhada em salvar o mundo das pessoas más, guardando-o para as ararinhas-azuis e para os filhotes de tartaruga. Logo ela, que pertence a um grupo político que governa o desmatadíssimo Acre há décadas… Não é sem motivo que, candidata à Presidência, conseguiu perder para Dilma e Serra dentro do próprio estado! Não! Eu não conheço Marina Silva muito bem, para falar com propriedade sobre ela. Mas os acreanos conhecem…

E há ainda esse portento da moral brasileira chamado Zequinha Sarney. Eu o vejo discursando tão empenhado em derrubar o novo Código, e penso: “Se é ruim para um Sarney, talvez seja bom para o Brasil…”

Custo um pouco a entender o que Zequinha Sarney quer dizer quando fala em “fazer do Brasil um modelo de preservação ambiental para o mundo”. Será que ele pretende aplicar ao país inteiro a fórmula de sustentabilidade que sua família vem aplicando há eras no desenvolvido e próspero Maranhão? Se for, eu passo!

Mas essas são apenas impressões que tenho, a partir de coisas superficiais. Não se apressem os fiéis da Igreja do Aquecimento Global dos Últimos Dias a encher a caixa de comentários com críticas, acusando-me de não conhecer a proposta a fundo (eles conhecem?!). Já admiti, no incício, que acompanhei tudo por alto.

O que vi de perto, ontem, durante a votação do novo Código, foi o momento histórico em que o deputado do PT Cândido Vaccarezza, líder do governo Dilma, AMEAÇOU ABERTAMENTE O PARLAMENTO BRASILEIRO, num grau de truculência que – como diria Lula – não foi visto nunca antes na história deste país. Abro aspas:

“Esta Casa corre risco quando o governo é derrotado.”

Como assim, deputado? Que risco, exatamente, o Poder Legislativo corre? O que o Executivo comandado pelo PT pretende fazer? Que tipo de punição vai impor aos parlamentares?

É ultrajante! Hitler, Stalin e Mussolini, de braços dados com o capeta, aplaudiram de pé, emocionados, a declaração de Vaccarezza.

De tudo que envolveu a discussão em torno do novo Código Florestal, reputo a ameaça do líder do governo Dilma ao Congresso Nacional como sendo o mais grave. Uma ofensa à própria essência da democracia e ao sistema de liberdades individuais.

Se o Brasil fosse um país sério, esse senhor seria imediatamente afastado da liderança do governo, e teria de responder a um processo diante da corregedoria da Câmara. Não se deixem enganar: a fala de Vaccarezza, ontem, atenta mais contra a sociedade civilizada do que todas as declarações estúpidas e estapafúrdias de Jair Bolsonaro juntas!

Ou a opinião pública esquece um pouco os jacarés-do-papo-amarelo, tão amados pela Marina Silva, e se ocupa de defender a democracia, ou na próxima votação polêmica o líder do PT levará tanques para a Esplanada.

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3 ideias sobre “O dia em que o PT ameaçou fechar o Congresso.

  1. Notívago

    O Reinaldo Azevedo matou a pau quando escreveu que nem durante a ditadura o Executivo teve coragem de fazer algo assim. Vergonhoso!

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  2. Mauro

    Eu já entrei na fase de querer ver o circo pegar fogo. Quiseram votar nesses caras? Aguentem as consequências agora!

    Resposta

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