Igreja do Aquecimento Global dos Últimos Dias. Eu já vi esse filme antes…

Desde que Al Gore desistiu de ser presidente dos Estados Unidos (onde poderia, de fato, fazer alguma diferença para o mundo) a fim de criar a Igreja do Aquecimento Global dos Últimos Dias, a IAGUD, comecei a notar as semelhanças entre esse “neoambientalismo catastrofista”, e outra distopia bem conhecida de todos nós.

Al Gore, líder espiritual de Marina Silva, Zequinha Sarney e tantos outros fiéis da IAGUD.

São várias as convergências entre os vários coletivismos e esse ambientalismo atual:

Subjugar o indivíduo: o socialismo/comunismo queria que o homem fosse subalterno d’O Partido. O fascismo o colocava sob as botas do Estado. O ambientalismo, por sua vez, quer submeter o homem à “mãe Terra”. A trapaça escondida nessa idéia está no fato de que quem encarna a natureza carente de proteção são os governos e as ONGs, reduzindo tudo, uma vez mais, à supremacia do estatismo.

Luta de classes: no socialismo havia os operários – a classe redentora – e os capitalistas – a classe exploradora. Substitua aqueles pelos “povos da floresta” e estes pelos “ruralistas”. Tchã-nã!

Profecias do armagedom: Marx, séculos atrás, previu o fim do capitalismo e o advento de uma sociedade comunista. Deu com os burros n’água, como qualquer pessoa inteligente pode perceber. Mas os fiéis do evangelho marxista não se dão por vencidos: “O capitalismo ainda não acabou, mas vai acabr um dia!”, berram. Quando? Bom, isso ninguém sabe… É a mesma retórica do ambientalismo: Al Gore e Marina Silva sabem com absoluta certeza que a Terra está condenada à extinção, mas não peçam para que eles digam quando e como. E é claro que a destruição do mundo só poderá ser evitada se seguirmos os ensinamentos deles…

Mostrei apenas algumas poucas semelhanças entre as distopias coletivistas mais famosas da história e essa igreja criada para exigir, uma vez mais, o sacrifício do indivíduo (pessoas) em benefício do coletivo (“mãe natureza”). Todas as outras vezes em que idéias semelhantes foram colocadas em prática, o resultado não foi lá muito animador…

O busílis é que o progressismo precisava de uma nova utopia, depois que Gramsci mostrou o quão trabalhoso (e inútil) seria alimentar a tese da revoluçaõ armada. Essa turma não vive sem um oprimido pra chamar de seu, assim como não abre mão de carregar a “verdade libertadora” que salvará o mundo do opressão (antes dos capitalistas; agora dos ruralistas e donos de SUVs). Estamos assistindo a troca de uma distopia por outra.

"Notem que o ambientalismo está crescendo, enquanto que o comunismo permanece estagnado..."

Trocando em miúdos, temos sempre a mesma cruel inversão de valores morais: os indivíduos, fundamentos da sociedade civilizada, são subjugados em nome de abstrações coletivistas acéfalas, conduzidas por profetas de um amanhã glorioso. Já fizeram isso em nome do povo, dos operários, das minorias e, agora, também o fazem em nome de “Gaia”.

"Coincidência? Não... Não..."

De minha parte, prefiro manter um pouco de saudável ceticismo: enquanto os fiéis da IAGUD continuarem anunciando quantos centímetros exatos os mares vão subir dentro de 50 anos, mas não souberem dizer se amanhã o tempo será ensolarado ou chuvoso, eu dispenso as profecias deles.

—–

P.S.: É chato bagarai fazer “PS” pra explicar o óbvio, mas é que os discípulos de Al Gore são muito obtusos. Atenção agora: não nego que o mundo esteja experimentando mudanças climáticas. O que nego é a tese de que elas nos conduzirão ao juízo final. Qualquer um que tenha estudado a história da Terra sabe que mudanças climáticas (algumas de grandíssimo porte) sempre ocorreram. É do jogo, amigos. Daí a dizer que o homem é responsável pela destruição da Terra, vai uma enorme diferença…

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4 ideias sobre “Igreja do Aquecimento Global dos Últimos Dias. Eu já vi esse filme antes…

  1. Gabriel

    Eu sou ambientalista e defensor dos direitos dos animais, mas não me encaixei nesse perfil colocado por você. Pelo contrário: acho que avanços ambientais são feitos a partir do indivíduo. Coisas simples como reciclar o lixo, não jogar papel na rua etc. O que é importante salientar: durante parte significativa da História o homem sempre quis “vencer” a natureza, se proteger dela. E conseguiu. Mas se esqueceu de que faz parte dela.

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  2. Eldo Santos

    Ao derrubar a floresta, a respiração do solo emite mais CO2. Com mais CO2, o efeito estufa se agrava. Com a atmosfera mais quente, evapora mais água, seja da floresta remanescente, seja dos rios/oceanos. Com mais água na atmosfera, chove mais em alguns lugares (enchentes, monções, etc) provocando bilhões em prejuízos. As florestas que permanecem em pé, com maior evapotranspiração, tendem a sofrerem mais com as queimadas, o que eleva a emissão de CO2 e o ciclo gira.
    Sem falar das alterações nos ciclos biogeoquímicos e o aumento de assoreamento dos rios e transporte de sedimentos que alteram a vida aquática e podem causar perdas (bilhões!?) na indústria pesqueira mundial.
    Bom, claro que isso tudo está bem resumido para facilitar o entendimento de quem não é da área.
    Argumentar usando o confronto capitalismo x socialismo/comunismo como pano de fundo é muito simplório e até rasteiro. Quando se fala de Meio Ambiente, deve-se lembrar que existe ciência por trás. Os fenômenos estão relacionados. Não é uma ciência exata porque o homem ainda não é capaz de explicar todos esses fenômenos matematicamente, mas a relação de causalidade existe e não pode ser ignorada. Não é porque se tem mais afinidade com um político que votou a favor da reforma do código ambiental que ele é bom.
    Sou capitalista. Acredito que o agronegócio é bom para o Brasil. Mas tenho certeza que o uso sustentável da natureza é importante para a manutenção do próprio agronegócio e do capitalismo.
    Valeu e forte abs.

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  3. Thiago - RJ

    Caro Yashá,

    se formos pensar, o “verdismo” dos dias atuais nada mais é do que outro fruto do que Olavo de Carvalho costuma chamar de mentalidade revolucionária. Ele dá um bom resumo da definição aqui (http://www.olavodecarvalho.org/semana/110523dc.html). Transcrevo o trecho mais relevante para a discussão:

    “(..) A mentalidade revolucionária, com suas promessas auto-adiáveis, tão prontas a se transformar nas suas contrárias com a cara mais inocente do mundo, é o maior flagelo que já se abateu sobre a humanidade. (…) A essência do seu discurso, como creio já ter demonstrado, é a inversão do sentido do tempo: inventar um futuro e reinterpretar à luz dele, como se fosse premissa certa e arquiprovada, o presente e o passado. Inverter o processo normal do conhecimento, passando a entender o conhecido pelo desconhecido, o certo pelo duvidoso, o categórico pelo hipotético. É a falsificação estrutural, sistemática, obsediante, hipnótica. O prof. Duguin propõe o Império Eurasiano e reconstrói toda a história do mundo como se fosse a longa preparação para o advento dessa coisa linda. É um revolucionário como outro qualquer. Apenas, imensamente mais pretensioso.”

    O verdismo é isso. Eles viram o fim dos dias, apocalíptico e perverso, e estão certos de que ele só será evitado se suas palavras forem seguidas, oráculos do amanhã que são. Suas teses e previsões requerem fé cega, não a fé temperada pelo sentimento e pela razão como a maioria das religiões tradicionais. Em todas estas, há os fanáticos, ditos fundamentalistas. O verdismo, por seu turno, tal como pregado por ONGS globalistas e pela Marina Silva, é uma religião ateísta/agnosticista, na qual todos os adeptos devem ser fundamentalistas.

    A longa e profunda campanha de mistificações, proselitismo, militância acerebrada e puras e simples mentiras contra o projeto do novo Código Florestal e contra à pessoa de seu relator é devida unicamente a isso: esses fatores, projeto e relator, rompem o ilusionismo. Como você sabe, Gramsci nunca fica de fora da “festa”; Aldo Rebelo, nesse sentido, não é um “intelectual orgânico”. Ele rompe o sistema, cria um erro na “Matrix”.

    É sempre bom estar atento porque há muitas mentes revolucionárias por aí… em nome do amanhã já desvendado e sabido, costuma valer praticamente tudo no presente.

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  4. George

    Tá certinho: não dá pra negar as mudanças climáticas, mas daí a falar em fim do mundo? Aí é coisa da Fundação Ford e companhia limitada.

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