Textículos #1

Muito boa a entrevista do senador Demóstenes Torres (DEM-GO). Pensei que não viveria o suficiente para ver um político brasileiro defendendo “uma política de segurança pública sem tantos benefícios aos detentos, como indultos e progressão de pena”; ou falando que é necessário o surgimento formal de um partido declaradamente de direita, capaz de defender “o liberalismo, o livre mercado, o mérito e a eficiência máxima do estado”. É um primeiro passo, eu sei. Mas tinha que ser dado. Não há na história do mundo nenhuma democracia séria sem a presença de partidos de direita.

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Ao que tudo indica, o bolivarianismo chavista ganhou mais uma na América Latina, agora com Ollanta Humala, no Peru. Na boa, nem vou esculhambar muito o voto dos caras, porque tava tensa a eleição por lá. Se tivesse vencido a filhota do Fujimori, seria o armagedom. Como venceu o filhote do Chávez, será o… armagedom! Sério, não tava fácil escolher. Pobres peruanos…

Anyway, não deixa de ser curioso notar que enquanto a esquerda radical vence e avança na América Latina, seu espaço vai sendo cada vez mais reduzido na Europa, onde os socialistas perderam as eleições. Fica fácil compreender por que o primeiro mundo é melhor que nós. E melhor em tudo!

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Eu nem discuto os fundamentos jurídicos que levaram o Procurador-Geral da República a arquivar as denúncias contra Antônio Palocci. Sem dúvida ele entende mais de Direito do que este vosso humilde criado, logo não tenho por que duvidar da argumentação articulada. Em outras palavras, da mesma forma que eu não discuto a construção de uma casa com um engenheiro, não vou discutir a construção de uma peça jurídica com um Procurador.

O que eu posso discutir – isso sim! – são as palavras. Como já disse Shakespeare, “as palavras só são importantes porque têm significado”. De toda a manifestação lavrada pelo PGR, o que me chamou a atenção foi apenas um pequeno trecho:

(…) não é possível concluir pela presença de indício idôneo de que a renda havida pelo representado como parlamentar, ou por intermédio da Projeto, adveio da prática de delitos nem que tenha usado do mandato de Deputado Federal para beneficiar eventuais clientes de sua empresa perante a administração pública. (…)

Minha dúvida é: como afirmar que não é possível concluir que Palocci usou o mandato para favorecer terceiros perante a administração pública se, em razão do arquivamento, não haverá investigação?!

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Lembram de Lula na TV, em 2010, dizendo que Dilma estava pronta para governar? Lembram do jingle do PT, falando “agora é Dilma: é a vez da mulher”? Pois é, mais de 50 milhões de brasileiros acreditaram que os petistas estavam falando sério mesmo. Tolinhos…

Imaginem a surpresa dos eleitores de Dilma ao lerem que ela ouvirá Lula antes de decidir o futuro de Antônio Palocci. É tipo assim: “Tá, querida. Eu sei que você é a Presidente, e tal… Mas vai lá na cozinha passar um café pra gente, enquanto eu converso aqui com os companheiros pra acertar o que fazer com essa bronca. E o meu é com pouco açúcar!”

Feministas gonna feministizar…

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5 ideias sobre “Textículos #1

  1. Regina

    Então você é machista e nazista ao ponto de achar que lugar de mulher é na cozinha? Que lixo!

    Resposta
  2. Thiago - RJ

    O que a Dona Regina aqui acima não consegue compreender é que o fato de Dilma ter sido eleita não significou um “avanço para a causa das mulheres”. O fato de ser mulher foi um plus, um bônus sobre o qual o marketing político pôde capitalizar, e nada mais. Vamos pensar:

    Como foi o processo de escolha do sucessor de Lula, a disputar sua sucessão na chapa governista? Houve prévias partidárias, houve união em torno de um nome consensual? Claro que não! Houve imposição do chefe, cujo peso político pessoal era e é maior que o do partido inteiro – o que por sinal, já foi dito expressamente por José Dirceu. E por que ele escolheu Dilma? Ela não era politica de carreira, nunca havia vencido eleições para nada, não tinha habilidade política alguma, não era interlocutora de ninguém, não tinha militância partidária, não tem fileiras a ela alinhadas nem tropa de choque dentro do PT… ora, ele a escolheu JUSTAMENTE por isso! Quem melhor para esquentar a cadeira do que um nada político?

    Acho até que isso diminui as mulheres, se é que é para ter algum significado. Dilma foi tirada da cartola, à revelia de todo o partido e de toda a base de sustentação do governo, não pelo que era e pelas qualidades que tinha, mas pelo que não era e pelas qualidades que não tinha. A idéia era transformar a eleição num plebiscito e passar a idéia de TOTAL continuidade; para isso precisava-se de um “poste”!

    Note-se que não é o primeiro nem o segundo poste na história da política brasileira, vide Celso Pitta, Luiz Paulo Conde, Antônio Anastasia, o próprio Alckmin (que começou “poste” de Mário Covas). Ora bolas, quantos “quase-postes” Lula não conseguiu eleger em 2010, se envolvendo pessoalmente nas campanhas, gravando vídeos, compartilhando palanques? O fato de vários oposicionistas de peso não terem conseguido se reeleger, especialmente para o Senado, tem tudo a ver com Lula compartilhando sua popularidade para turbinar candidaturas de aliados, turbinando-as. E o poste-mor foi Dilma, pessoa totalmente desconhecida não só da política nacional como da própria engrenagem partidária. Uma verdadeira sombra de Lula; aquela está para este como o eco está para a voz.

    Lula precisava de uma marionete, de um boneco de ventríloquo; não podia correr o risco de ter alguém que voasse por conta própria, que tivesse força política individual, esquentando sua cadeira. Possíveis nomes de maior destaque já haviam sido abatidos (Dirceu, Palocci); outros nomes que poderiam ser subservientes, apesar de alguma relevância política própria, não teriam cacife eleitoral suficiente (quase todo o resto do PT). Dilma, para essa estratégia, era PERFEITA! Tanto que a estratégia deu certo.

    A recente crise política causada por Palocci só reforça esse fato: Dilma é politicamente anêmica. Sim, ela é mulher, mas sua vitória não representou um triunfo “das mulheres”. Afinal, ela era “a mulher do Lula”. Quando muito, só reforçou um certo patriarcalismo machista que o suposto feminino combate.

    Se alguma dúvida sobrou, tente o seguinte: compare Dilma a Margaret Tatcher, a Angela Merkel, a Michelle Bachelet, a Sarah Palin, a Hillary Clinton. Agora ria com a ridicularidade da comparação! Essas são mulheres, à esquerda e à direita, que construíram capital e peso políticos próprios. Não são o “poste” de homem nenhum.

    Resposta
  3. Paulo Santos

    Pobres peruanos o cacete. No primeiro turno eles tinham candidatos melhores que esses dois, mas foram eles ( os peruanos) que os levaram ao segundo turno. Aos peruanos, meus pêsames.

    Resposta

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