Operação “hora de dormir”.

– Lucas! Hora do banho, meu filho.

– Qué vê Go-Go. [o desenho “Go, Diego. Go!”, do Nick Jr.]

– Não. Tá tarde, já. Banho e dormir.

– QUÉ VÊ GO-GO!

– Se você for logo pro banho, bonzinho, papai deixa você ver um pouco antes de dormir.

– Num qué banho.

– Não importa. Tem que tomar banho. E se não for bonzinho, não tem Go-Go.

– NUM QUÉ BANHO!

– Quer ficar de castigo?

– Não.

– Quer uma palmada?

– Babém não.

– Então vai logo pro banho!

[10 minutos depois…]

– Meu filho! Hora de sair do banho, anda.

– Num qué.

– Mas tá tarde, e você tem que dormir.

– NUM QUÉ!

– Anda logo, Lucas! Quer ver Go-Go ainda? Tem que sair A-GO-RA!

[20 minutos depois…]

– Vamos pra cama, meu filho? Tá bom de desenho, já.

– Mais um pôco.

– Não! Chega! Já tá muito tarde.

– QUÉ MAIS GO-GO!

– SÓ QUE NÃO TEM MAIS GO-GO! E SE DER TRABALHO VAI FICAR DE CASTIGO, SEM VER DESENHO!

– Qué a mamãe…

– Vamos pra cama que a mamãe vai lá também, te colocar pra dormir.

– Num qué dormi.

– Mas tem que dormir.

– NÃO!

– SIM! Tem que dormir porque amanhã tem escola.

– NUM QUÉ ESCOLA!

– VA-MOS, LU-CAS!!!

[15 minutos, uma historinha e umas três músicas depois…]

– Boa noite, filho. Papai te ama.

[Tasco uma beijoca e saio do quarto. Mas a porta nem fechou, quando…]

– Paaapaaai!

– Quê?

– Fica aqui na porta.

– Tá, papai fica aqui um pouco.

[Encosto a porta e não fico lá perto, claro. 5 minutos depois…]

– Paaapaaai!

– TÁ TARDE, MEU FILHO! DORME!

– PAAAPAAAIÊÊÊ!

[Vou até o quarto dele, com cara de bravo…]

– Quê?

– Qué água.

[Aff… O velho truque de pedir água. Não acredito! Mas vamoquevamo…]

– Tá aqui. Cuidado pra não engasgar.

[Bebe como se tivesse acabado de atravessar um deserto.]

– Qué mais.

[Ai, meu Jesus Cristinho…]

– Aqui. Bebe devagar.

[Bebe só mais um gole, o pilantrinha.]

– Já?!

– Já.

– Pronto, boa noite.

– Papai!

– Quê?

– Qué livro.

– Você já leu historinha hoje. Agora é hora de dormir.

– Num qué dormi!

– LU-CAS! JÁ CHEGA, MEU FILHO! DEITA E DORME!

– NUM QUÉ DORMI!

– NÃO INTERESSA! PAPAI E MAMÃE JÁ DISSERAM PRA VOCÊ DORMIR. AGORA DORME!

[Saio do quarto e deixo ele lá, cantando TODAS as músicas que ele sabe. É uma manifestação pacífica – o único tipo que aceitamos em casa. 15 minutos depois…]

– Paaapaaai! Paaaaapaaaaai! PAAAPAAAIÊÊÊÊ! PAAAAAAPAAAAAAIÊÊÊÊÊÊÊ!

[Me dirijo para o quarto do terrorista com passos pesados, para que ele já vá percebendo toda a minha fúria.]

– QUÊ?!

[Ele tá deitado entre o cachorro e o coelho de pelúcia, me olhando com a cara falsa mais boazinha do mundo.]

– Me cobre.

[POR QUE ELES PRECISAM SER TÃO FOFOS?!]

– Pronto, agora dorme. Boa noite. Papai te ama.

[Saio e falo pra esposa linda, com aquele ar de quem venceu uma guerra: “Agora acho que ele dorme mesmo.” Mas… OH, WAIT! Mais de uma hora e meia pra fazê-lo ficar quieto na cama depois de dada a primeira ordem. Aff… Difícil encarar isso como uma vitória…]

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2 ideias sobre “Operação “hora de dormir”.

  1. Eduardo Araújo

    Lembra, até, Pirro, não é, Yashá? Mais uma vitória dessas e você acaba derrotado (rs).

    Resposta

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