Jean Wyllys X Bolsonarinho: A estupidificação do debate continua.

Escrevi outro dia um texto sobre a estupidificação do debate em torno do PL122 promovido pelos extremos envolvidos na questão. A facilidade com que essa gente intolerante avilta qualquer discussão, reduzindo tudo a uma coisa algo primitiva, só concorre contra qualquer compreesão séria do que está em jogo. Eu prefiro me colocar ao lado da racionalidade e da lógica, bem longe dessa gente simiesca.

Ontem, o vereador Carlos Bolsonaro, filho do Bolsonaro mais famoso, publicou em sua conta no Twitter as seguintes asneiras:

“CHuUuuupa Viadada. Bolsonaro absolvido!!!! Viva a Liberdade de Expressão. Parabéns Brasil!”

“ChuuuuUUUupa Viadada. A ditadura gay não representa a maioria do Brasil! A luta continua!!!!”

“Atenção boiolas, para infelicidade de vocês, eu sou hétero!”

É essa a idéia de debate democrático que esse sujeito tem? Não se trata de pensamento, mas de puro lixo! E que se note: não recrimino o Bolsonarinho aí pelo mérito de suas posições. Por mim ele é livre para gostar ou deixar de gostar de quem e do que quiser. O problema começa quando a forma de exercitar a sadia contróversia – própria de uma democracia – deixa o campo do humanamente civilizado para adentrar o barbarismo mais torpe.

Pessoalmente, recomendaria ao vereador uma digressão psicanalítica, de modo a ajudá-lo a descobrir de onde vem tamanho – como direi? – “prazer” em empregar esse termo “chupa” com tanto entusiasmo… Sei lá, mas essa aparente vontade de ver o outro (aqui compreendido como o adversário político) prostrado e pronto para a fellatio… bem… #significa…

Notem que não há o menor vestígio de argumentação objetiva e concreta. É apenas o desejo de atacar o adversário, mostrando todo um desprezo que afeta a maior das intolerâncias democráticas. O Bolsonarinho, afinal, não parece interessado em debater idéias. Ele quer apenas achincalhar aqueles com quem não guarda nenhuma proximidade de pensamento – se me permitem usar esse termo para me referir a ele. Não se comporta como parlamentar e homem público, mas como torcedor fanático de estádio, cujo objetivo também não é discutir democraticamente, mas apenas ofender (por vezes gratuitamente) o que lhe é contrário. O problema é que a sociedade democrática não existe para funcionar nos moldes de um confronto entre torcidas organizadas.

Esse little Bolsonaro, contudo, é apenas uma das faces da moeda estúpida. A outra, a título de exemplo, poderia ser representada pelo deputado Jean Wyllys, aquele ex-BBB cuja maior notoriedade é ter sido um… ex-BBB. Vejam como o psolista se dirigiu a Bolsonaro (o pai) ontem, no Congresso Nacional:

“Tenho orgulho de ser chamado de veado por outro veado. E o sr. tem que lavar a boca, pois sou homossexual com “h” maiúsculo, de homem, coisa que o sr. não é.”

As palavras, meus caros, têm sentido. A simples leitura do que disse Wyllys é suficiente para entender as mensagens explícitas ali contidas: 1) Jean Wyllys, orgulhasamente homossexual, chamou Bolsonaro de “veado”; 2) Bolsonaro, sabe-se, é adversário político de Wyllys; 3) Logo, Wyllys chamou um adversário de “veado”.

O corolário do que vai acima é bastante óbvio: Wyllys empregou claramente a expressão pejorativa “veado” para se referir a um adversário. Ou, se quisermos is além: para falar de alguém que ele não gosta. Me é lícito concluir que Wyllys repudia esse termo, um termo do qual ele disse… se orgulhar!

Por favor, se alguém conseguir encontrar uma falha lógica no que vai acima, sinta-se livre para apontá-la nos comentários. Não confundam minha objetividade com algum tipo de arrogância, mas o fato é que não me parece haver nenhuma… Como dito antes, as palavras têm sentido – para azar de Wyllys e de seu semelhante (no quesito estupidez), o Bolsonarinho.

Assim como o vereador carlos Bolsonaro, Jean Wyllys também mostrou que não tem o menor interesse em fazer um debate sério. O que os dois querem é exatamente igual: atacar, achincalhar e diminuir o adversário. Se possível, chegar ao ponto de varrer o outro do mapa. A intolerância de ambos com aquilo que não lhes é semelhante chega a ser assustadora, de tão primitiva. Em essência, são iguais.

No mundo ideal de qualquer um deles, o outro (o diferente) não teria voz, nem vez. No meu, poderiam existir pacificamente, cada um com suas preferências e seus direitos. Mas ambos inegociavelmente submetidos às regras do sistema democrático e de liberdades individuais, coisa que não parecem aceitar atualmente, visto que continuam transitando abertamente no terreno da selvageria mais rasteira.

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5 ideias sobre “Jean Wyllys X Bolsonarinho: A estupidificação do debate continua.

  1. livrexpress

    Talvez o autor do post desconheça a campanha gay #ChupaMalafaia no Twitter, ou os xingamentos e gritinhos tipo “Morra Bolsonaro”, “Morra Myrian Rios”, “Morra Malafaia” pelas rede sociais.

    O Vereador Carlos Bolsonaro pode ter se excedido, mas não vejo nada de tão grave no fato do cara acabar desabafando dessa forma depois de MESES ouvindo e lendo xingamentos de gays e ‘simpatizantes’ pelo Twitter, pelos jornais, pela TV, por tudo quanto é lado.

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    1. yashagallazzi Autor do post

      “O autor” (este sou eu) conhece, sim, essas campanhas insultuosas. E as enquadro no extremo oposto do vereador Bolsonaro, como disse no próprio texto. Ou você leu SÓ o que escrevi sobre ele, e ignorou o que escrevi sobre o deputado Wyllys? Não! O vereador não “pode ter se excedido”. Ele se excedeu! Isso é matéria de fato! Precisa “desabafar” depois de ouvir provocações rasteiras, respondendo com mais provocações rasteiras? Desculpe, mas continuo achando que isso não é civilizado – de nenhum dos lados!

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  2. Rodmir

    alguem entrega um dicionário para o jean, não ofenda o pobre animal saltitante do cerrado(veado), a fama dele já não é essas coisas…rárárá….homossexual com h de homem…rárárá…..

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