Inaugurando a série “Fala que eu te escuto”, respondo a um leitor.

O texto abaixo, sobre alguns aspectos surpreendentemente poucos conhecidos da vida de Ernesto “Che” Guevara, rendeu (e ainda rende) alguns comentários interessantes. Até o momento, há dez publicados. Outros cinquenta (!!!) foram mandados pro lixo, porque escritos apenas para atacar este vosso criado.

Não. Eu não sou desses que rejeita opiniões contrárias. Basta ler o arquivo do blog para encontrar muitos comentários descendo a lenha sobre minhas pobres costas. Mas não vejo por que aceitar comentários ofensivos e injuriosos no meu próprio blog. Se o único argumento de uns e outros é o ataque pessoal, que criem um blog para si, onde poderão destilar seu ódio.

Dito isso, publico abaixo o comentário do leitor Marco Antônio àquele texto mencionado alhures. Este post de agora inaugura uma nova seção aqui do blog, onde responderei – eventualmente – a alguns comentários que me parecerem mais interessantes, capazes de render um debate mais profundo. Segue a fala de Marco em itálico, intercalada com comentários meus (onde respondo a ele), em negrito:

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O problema é que a maioria dos interloctores da esquerda que dialogam com o Galazzi são do tipo que não querem fazer balanços e tirar conclusões dos fatos históricos. [São mesmo! Quase todos.] Aí o Galazzi pinta e borda! [Pinto e bordo mesmo!] Bem feito! [É issaê!]

O correto, creio eu, para quem se reivindica socialista é admitir os erros. [Não só pra quem se reivindica socialista, Marco. Para qualquer um!] Não como fatos isolados ou coisas menores. Até hoje, por exemplo, o PCdoB reivindica (acreditem!) a Revolução Cultural chinesa. [Pois é… Essa mesma Revolução Cultural que levou mais de 70 milhões de pessoas à morte…]

O Che é um caso a parte. A questão é que o Che virou um símbolo muito maior do que a sua biografia real. [Verdade. E seria interessante um estudo aprofundado a fim de verificar quanto desse simbolismo se deve ao… capitalismo. Sério! Não fosse o mercado de camisetas, o sujeito não seria tão conhecido. Ah, as ironias da vida…] Ele representa, queiramos ou não, uma ruptura com a pequena burguesia, [Concordo. A dúvida é: até que ponto essa ruptura se deu de forma civilizadamente aceitável?] um ideal de mundo melhor, de entrega da vida por uma causa. [Bem, aí discordo. O ideal comunista não é, a meu aviso, “de mundo melhor”, pois pressupõe, principiologicamente, o aniquilamento daquilo que lhe é oposto (no caso, a “burguesia”). E como cabe ao Partido decidir quem são os inimigos, o resultado sempre foi morte e terror. Tô errado? Bem, me mostre uma única experiência socialista/comunista que não tenha acabado em cadáveres… Quanto a entregar a vida por uma causa… bem… aí depende da “causa”. Hitler e Mussolini também fizeram isso, né?] Nunca tive acordo com os tribunais revolucionários sumários [Parabéns! Mas note que todos os regimes socialistas/comunistas tiveram os seus.] Uma coisa é Guerra Civil, outra coisa é execução depois da Revolução. Aliás, essa característica dos “partidos-exército” ou “partidos-guerrilha” com a estrutura onde há um “comandante em chefe” é, em grande parte, assassina de revoluções. Quando se toma o “poder” quem está tomando? O Comandante em Chefe ou o povo? [Sim, concordo. Meu ponto é que isso faz parte da natureza intrínseca do socialismo/comunismo. Basta ler Marx e Lênin: a eliminação sistemática do “outro” é condição sine qua non! Lênin dizia a Trotsky que até as pontes de Londres, por serem “deles” (burguesas) deveriam ser substituídas por pontes “do povo”! Isso é doentio, amigo.]


Essa e outras tantas reflexões devem servir para a esquerda atual. [A desgraça é que a “esquerda atual” está viciada em ler apenas as resenhas que os professores universitários fazem dos livros de Emir Sader…]


Qual o programa correto para um socialista hoje em relação à CUBA? Para mim, que caia Fidel e a Ditaduro do PC. [APOIADO!] Liberdade de partidos (inclusive os da direita); [APOIADO!] liberdade dos sindicatos; [APOIADO!] RETROCEDER urgentemente a abertura econômico em curso; etc e etc… [APOI… EPA! DIÁ BÉ ISSO, MACHO?! Tava indo tão bem… 😦 Por que raios retroceder a abertura da economia?]


Agora também tem uma coisa Yashá, é bom, sinceramente, que ponha os dedos nas feridas da esquerda. Porém, queria ver o mesmo grau de coerência sobre os males que os ícones liberais e o próprio liberalismo econômico causam. [Bom, vai depender pelo que você entende que seja isso, né? Veja: esculhambar gorilas de ideologias as mais diversas é o que mais faço aqui. Não tenho bandidos nem tiranos de estimação. Sejam de esquerda, direita, centro ou do diabo que os carregue, quero mais é que vão todos pro inferno! Mas aí seria preciso saber quem são, a seu ver, esses “ícones liberais” primeiro. Vai que nem “ícones” são…] Que tal começar com a seguinte questão: “Você defende mesmo como BOM, coerente ou pelo menos razoável, um sistema econômico onde grande parte das pessoas necessariamente sofre? [Claro que NÃO! Por isso estou sempre criticando aqui o… SOCIALISMO! 😉 Agora, sério: se você se refere ao capitalismo, saiba que não sou louco de negar as mazelas dele. Meu ponto é: quais as alternativas postas? Há alguma que, analisando-se os fatos históricos, não tenha produzido morte, miséria e terror? Até o momento, não. Logo, prefiro continuar com esse, tentando melhorá-lo dentro das regras do distema de liberdades individuais das democracias ocidentais (que as esquerdas chamam de “burguesas”)] Agora mesmo, só enquanto escrevo essa humilde réplica, quantas pessoas morreram de fome mundo a fora? [Ah, um bocado. É uma realidade dura e algo deve ser feito, sem dúvida. Só não entendo como esse “algo” possa ser recorrer a um sistema que já se provou (registros históricos, lembra?) errado.] É culpa dessas pessoas que estão morrendo de fome a sua própria morte? [Perceba que entramos nas digressões filosóficas que se provam, no mais das vezes, infrutíferas. Por exemplo: os milhões que morreram de fome nas fazendas coletivas da União Soviética eram eles mesmos culpados de sua triste sorte?]

Saudações socialistas. [Saudações rubro-negras!]

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4 ideias sobre “Inaugurando a série “Fala que eu te escuto”, respondo a um leitor.

  1. Gabriel

    O capitalismo é um sistema que causa pobreza? SIm, como o feudalismo, o absolutismo, o comunismo – vá à Coréia do Norte. A diferença, porém, é que no capitalismo há possibilidades de ascenção social e liberdades individuais. Caso problemas como falta de educação e saúde para a população mais pobre existam, cabe ao Estado resolver, como resolveu em muitos países desenvolvidos. O que há de anti-capitalista em o Estado dar boa saúde e educação de qualidade? De, se for necessário, dar o Bolsa-Família (não lulistas, ela não é anti-burguesa, aliás, foi implantada no governo FHC com o nome de Bolsa-Escola)? Enfim, defeitos, podemos apontar, mas de homens e mulheres, não do sistema, porque ele, em si, não mata ninguém. Quando temos crápolas como Pinochet, as mortes são dele, não do capitalismo. E por que isso não pode valer para o socialismo? Porque o socialismo só existe nas condições apontadas por Yashá. Ou seja, o capitalismo é melhor.

    Resposta

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