Sarney, o maior humorista do Brasil.

José Sarney é mesmo um sujeito sui generis… O maranhense, que, segundo Millôr, deveria ter sofrido impeachment simplesmente por ter escrito aquela glossolalia intitulada Brejal dos Guajas, concedeu uma entrevista ao Correio Brasiliense. Nela, o político mais velho do Brasil (se é que me faço entender…), aquele que, de acordo com  Paulo Francis, deveria ter levado “uma estaca no coração”, conta sua – como direi? – visão “peculiar” da política brasileira. Eu admiro Millôr e Paulo Francis. Logo, eu repudio Sarney. É questão de lógica elementar; de norte moral. Sempre prefiro estar do lado da civilização. Reproduzo abaixo alguns trechos da tal entrevista – as perguntas do jornalista e as respostas de Sarney, em itálico; alguns comentários meus, em negrito.

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Como é estar sempre no topo do poder?
Sempre estive apanhando. [Pouco…] Quando era estudante, fui preso pela ditadura Vargas. Fui contra o Getúlio. Depois procurei, dentro da UDN, ser de um grupo renovador. [HAHAHAHAHAHAHAHAHA!] (…) Tive tempo de oposição, eu tive tempo de luta dura. (…) [Tempo breve. Ele descobriu que não gostou, aí cuidou de se unir à situação – onde permanece até hoje.]

Qual foi o período mais cruel da política para o senhor?

Muitas vezes, fui submetido a um período de injustiças muito grande. [Tadinho…] E de crueldade. [Ôxi, vem cá no colo…] São feridas que não cicatrizam. [Tô chorando de pena aqui, gente. E vocês?] (…) Foi com grande amargura que eu atravessei aquele período no Senado (com as denúncias de atos secretos e privilégios na Casa ao longo do ano de 2009) e acho que foi uma das coisas mais injustas que vivi. (…) [O Senado Federal também acha os “anos Sarney” uma das coisas mais injustas que viveu, aposto…]

A Academia Brasileira de Letras é mais importante do que a política?
Olha, a Academia me deu mais alegria do que a Presidência. Minha vocação era a literatura. [Bom, se escrevendo como ele escreve a literatura era uma “vocação”, posso imaginar os DESASTRES que escreveria se não fosse…] A política, para mim, foi um destino. [Considerando que virou presidente porque Tancredo morreu, eu diria mais que foi um ACIDENTE DE PERCURSO.]

E o que seria o Sarney sem a política?

Eu teria feito uma melhor obra do que escrevi. A política me prejudicou muito nisso, na minha vocação. (…) [Não! Com todas as vênias possíveis, a política não tem culpa pela péssima literatura dele.]

O senhor acha que fez tudo pelo seu estado?

Acho que nada que existe no Maranhão deixou de ter a minha mão, dos últimos 50 anos para cá. [Isso, de onde eu venho, é chamado de confissão de culpa.] Porque, quando eu fui governador do Maranhão e entrei na política, o estado tinha um ginásio, no qual eu estudei. Fiz 74 ginásios. Meu programa era uma escola por dia, um ginásio por mês, uma faculdade por ano. [Hum… Já vi esse discurso antes… Onde foi mesmo? Ah, lembrei! No fascismo o Estado também se gabava de ter feito muitas escolas.] Consegui, com o governo federal, fundar a universidade federal. [Que é bem ruim, by the way.] Fiz a universidade estadual. [Who?!] Mantive o ramal da estrada de ferro de São Luís ligando até o Piauí. [Zzzzzzz…] Fiz a São Luís-Teresina asfaltada. [Zzzzzzz….] Como presidente, fiz de São Luís ao sul do estado, a Norte-Sul. Fiz também de São Luís ao Pará. [Mais zzzzzzzz…. Opa! Acordei! Notaram que ele não falaou nada sobre o Amapá? Estou neste momento rindo da cara dos amapaenses que votaram várias vezes nesse sujeito. Vocês merecem, seus BOCÓS!]

O apoio ao Lula foi oportunismo?
Eu apoiei o Lula porque achava que era um avanço para o país.
[Yep. A Presidência do Senado foi só uma coincidência…] (…) Muita gente acha que fui um conservador, mas sempre tentei ser um inovador. [Hahahahahahahaha!] Agora mesmo, não estou mais pensando no lápis com que comecei a escrever nem nas memórias. Estou pensando na internet, nos blogs. [Procurados por este escriba, nem a internet, nem os blogs quiseram comentar as declarações de Sarney.]

Não se arrepende de ter apoiado a ditadura?

Eu fui o único governador que protestou contra o AI-5. [Hahahahahahahaha! Engraçadinho…] Protestei não, não apoiei. [Ah, bom. Bem diferente, né?] (…) E dentro do período militar, nunca fui confortavelmente aceito pelos militares. [Mas é um humorista! Te cuida, Rafinha Bastos!] (…) Conseguimos uma coisa que nenhum país conseguiu: uma ditadura composta por militares que eram eleitos de quatro em quatro anos. [Uau! Mas é coisa de jênio!] Nós evitamos que tivesse um ditador aqui, o que, na realidade, era o que a linha-dura queria. [Evitaram que tivesse um dita…?! HUAHUAHUAHUAHUHA! Pára, Sarney! Assim eu morro aqui!] Há pessoas que dão importância muito grande aos heróis, aos mártires. Mas há aqueles que não deixam de ter o mesmo valor procurando construir dentro de soluções. Sempre gostei de ser o homem do diálogo. [Não sei vocês, mas eu preferia que ele tivesse “entregado a vida”, como um mártir…]

O senhor poderia ter tido uma participação muito mais efetiva contra um governo ditatorial.
Eu aceitei a realidade, mas sempre achando que isso era um caminho para voltarmos à plenitude democrática. [Traduzindo: “E eu lá sou burro de me meter contra uzômi? São meus bróder, cacete!] Quando senti que isso era impossível, rompi com eles e renunciei ao PDS, porque, naquele momento, senti que nosso esforço tinha sido em vão. (…) [Traduzindo (de novo): “Quando vi que a vaca fardada tava indo pro brejo, pulei fora porque importante era estar no barco dos vencedores.”]

A capacidade de diálogo faz com que o PMDB sempre esteja ligado ao poder?
O PMDB não esteve sempre ligado ao poder. O PMDB sempre foi muito contra o poder, foi o partido da resistência. (…) [Sempre foi muito contra o poder?! HUAHUAHUHAUHUA! Alô, CQC! Olha o homem aqui!!!]

Acha que a história será generosa com o senhor?
Eu acho que sim, porque quando se desaparecem as paixões, o que vai aparecer é o homem que sempre, nos momentos decisivos, optou por melhorar o país. [Eu já acho que a história lembrará de Silas Rondeau, da Roseana, do Zequinha, do Fernando, da censura ao Estadão, dos mais de cem processos contra jornalistas no Amapá, dos atos secretos… Quem quer apostar?] (…) Mas consegui fazer a Constituinte, tive a coragem de fazer o Plano Cruzado, fiz o congelamento de preços e o congelamento do câmbio, que significou a primeira grande redistribuição de renda do país. [Esse plano significou quebrar economicamente o país, que precisou de MAIS DE UMA DÉCADA para começar a se reestruturar. Foi possivelmente o maior desastre já levado a termo por um governante, pior que o bloqueio da poupança por Collor.]

Mas o seu governo terminou com 80% de inflação.
Ora, a inflação com correção monetária não é inflação. [Heim?! Alguém aí faltou nas aulinhas de economia básica…] Eu mandei calcular em dólar, como se calcula o PIB, quanto foi a inflação no meu tempo. Foi de 17,4%. [Ah, tá. E eu mandei o Banco Gringotes calcular meu salário em galeões, sicles e nuques, e descobri que sou milionário…] (…) E se não fossem essas condições do Cruzado, nós não teríamos condições de fazer a Constituinte. Isso tudo se esqueceu por quê? Porque o Sarney não tinha partido. Tinha oito candidatos à Presidência da República, todos falando mal de mim na televisão, não tinha um que me defendesse. [Oito candidatos falando mal dele na TV? SÓ ISSO?! Onde estavam os outros?!?!?!]

O senhor pensa em se aposentar?
A gente não tem domínio sobre o corpo, então tenho que ser realista. Tenho de ter a noção de que já estou na parte final. (…) [TODOS COMEMORA!]

Por que dizem que o Sarney vive de cargos?

Olhe, eu não pedi um cargo à Presidência atual. E nos governos anteriores, nunca tive uma indicação pessoal para colocar um amigo num lugar. (…) Eu fiz uma vida política sem ser clientelista de cargos. Em lugar nenhum. [Esclarecemos que o autor do blog não pode comentar essa resposta, pois está no chão, tendo um ataque convulsivo de risos.]

Por que é a favor do sigilo dos documentos?

Daqui a 50 anos, até a palavra sigilo já terá desaparecido. (…) [Espero que daqui a 50 anos a palavra “Sarney” tenha desaparecido…]

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7 ideias sobre “Sarney, o maior humorista do Brasil.

  1. Daniel F. Silva

    Olha, o Zorra Total não sabe o que está perdendo. Triste dizer isso, mas tenho a impressão de que a palavra “Sarney” não desaparecerá nem daqui a 500 anos, de tanto estrago que o hômi fez nessa vida.

    Resposta
  2. John

    É por isso que o dia da morte do Sarney será um dia histórico, e será obrigação de todo cidadão honesto comemorá-lo como se o Brasil tivesse ganho uma Copa do Mundo em cima da Argentina.

    Resposta
  3. djpinoquio

    Nunca fui ao Estado do Maranhao, mas confesso que no dia que Sarney partir numa viagem so de ida rumo ao quinto dos infernos visitarei seu tumulo para ter certeza que a noticia e verdadeira, e esse dia sera o dia mais feliz da minha vida pois sou Amapaense e Brasileiro, amo essa terra e seus habitantes e nao merecemos politicos assim nos repesentando nem nos governando!

    Resposta
    1. yashagallazzi Autor do post

      Caro, você perceberá que eliminei uma única palavra do seu comentário (a única que considerei um tanto ofensiva). Não temos por que dar motivo a ações judiciais. É possível criticar apenas com golpes “acima da linha da cintura”. Enfim, podemos mostrar que estamos num nível superior ao deles (esses políticos a quem você se refere). Se você não quiser a publicação assim, basta avisar, que retiro. Espero que entenda.

      Abraços.

      Resposta
  4. djpinoquio

    Voce esta correto amigo! Peco desculpas por ter me exautado! Aceito sua recomendacao quanto a exclusao de uma ou mais palavras.Abraco!

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  5. Anônimo

    kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
    #rindoMUITO és muito engraçado cara na moral!!!
    eu tinha visto a entrevista mais não havia analisado o que ele falou,afinal vindo de Sarney muitas coisas passam desapercebida,mais sejamos sinceros quem barrara Sarney?
    o único politico que consegue ser várias coisas ao mesmo tempo…
    POLITICO,AUTOR,ESCRITOR,HUMORISTA,E ETC DE COISAS AI…
    ISSO AI AMAPÁ POR ISSO EU ADORO OS AMAPAENSES
    Vor até dormir depois dessa ZzzzzzzzzzzZzzzzzzzzzzzzzzzzZzzzzzzzzzzzz

    Resposta

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