Congresso da UNE: dinheiro público pra brincar de casinha.

Certa vez um colega da faculdade de Direito me perguntou quando exatamente eu me tornei um “porco direitista”. Hum… Difícil dizer exatamente… Mas acho que foi quando descobri que coisas assim são absurdas:

Começa nesta quarta (13), em Goiânia, o 52o Congresso da UNE (União Nacional dos Estudantes).

Será o maior evento já promovido pela entidade. A audiência é estimada em 10 mil universitários. Os custos foram orçados em R$ 4 milhões.

Um pedaço do borderô, informam os repórteres Isonilda Souza e Evandro Éboli, será provido por várias empresas estatais, entre elas a Petrobras.

“Tem estatais apoiando”, admitiu o presidente da UNE, Augusto Chagas.

Que logomarcas abriram os cofres? Quanto cada uma borrifará no encontro? O mandachuva da UNE se absteve de informar. (…) [Íntegra da matéria, aqui.]

A notícia acima provocou várias reações indignadas, como essa a seguir:

São Marcos não gostou dessa história...

Francamente… Como levar a sério essa galerinha que fala em “mudar o mundo”, em construir o tal “outro mundo possível”, se não conseguem nem organizar seus próprios convescotes ficando longe do dinheiro público? É o ápice da rebeldia sem causa!

Se alguém puder me explicar, com argumentos arrimados na lógica, por que diabos o Estado deveria beneficiar descaradamente um determinado grupo político, valendo-se, para tanto, do dinheiro de todos nós, be my guest!

O modus operandi dessa turma é sempre o mesmo: reúna dois progressistas numa sala fechada por algumas horas e eles fatalmente sairão de lá com alguma proposta destinada a arrancar dinheiro do contribuinte… O mais hilário é que se levam a sério! Se juntam lá, brincam de casinha, gritam um punhado de refrões do século XIX, seguram nas mãos uns dos outros enquanto saem caminhando e cantando e seguindo a canção, e fazem tudo isso como se actually tivesse alguma importância pro mundo!

"Ai, gente, que gracinha esses meninos... NOT!"

Fazer o congresso nacional do PCdoB da UNE assim, a peso de dinheiro público, só mostra o quão inútil tal evento se tornou. Uma bagaceira que não consegue se sustentar de per si simplesmente perdeu a razão de ser… É assim, como o sujeito que se gaba de ter trabalho e carro, mas ainda mora com os pais…

E o que esses jovens, que não devem ter louça nem roupa para lavar, vão discutir nesse portentoso evento pago por mim e por você, leitor amigo? Bom, considerando que o – como chamarei? – “norte moral” da UNE é esse trambolho chamado Partido Comunista do Brasil, uma agremiação que – segurem-se nas cadeiras! – ainda hoje, em pleno século XXI, nega os crimes de Stalin e de Mao Tse-Tung – algo que nem esquerdistas modernos têm a desfaaçatez de fazer!!! -, não dá mesmo para esperar muita coisa…

Aliás, não deixa de ser escandaloso que o governo coloque dinheiro público num evento cujos protagonistas são pessoas que vivem num mundo paralelo, onde o Muro de Berlim ainda não caiu… Estarão todos lá, os jovens revolucionários com suas camisetas de Che Guevara, gritando contra o imperialismo, o capitalismo e as privatizações, enquanto tuítam e atualizam seus Facebooks por meio dos smartphones que só puderam comprar graças ao imperialismo, ao capitalismo e às privatizações…

Até o Lula concorda comigo!

E olhem que nem vou perder tempo falando sobre os milhares milhões de litros de Coca-Cola que os antiamericanos vão consumir ao longo de todo o evento… É aquela coisa: hay que se rebelar contra los estadunidenses, pero sin perder la cueca-cuela, jamás! Na boa, isso foi falta de uma bela palmada bem dada na hora certa…

Não, definitivamente não dá pra levar isso a sério… Nada me tira da cabeça que todos estamos pagando por uma espécie de Woodstock sem boa música, afinal sai Bob Dylan e entra Legião Urbana e Los Hermanos. A Petrobrás está pagando por um álbum de fotos novo no Flickr, onde as moçoilas criadas por seus pais com todo carinho e amor postarão fotos acompanhadas de tags do tipo: “Eu e Jocicreide durante o painel sobre ‘Aquecimento Global e Revolução: uma (re)leitura a partir da música Construção, de Chico Buarque’. Muito Lulz! \o/ Curtam aí, people! Flw!!! ;)”

Duas estudantes tentam registrar sua participação no congresso da UNE.

Se eu não tivesse que trabalhar para viver, como as pessoas adultas não preocupadas com revoluções costumam fazer, iria a um evento desses só para pedir a palavra e perguntar: “Companheiros, respondam aí, de bate-pronto: QUANTO É SETE VEZES OITO?” Duvido que 10% dos presentes soubesse responder…

Como esperar que essa galerinha tenha lido de verdade e – o que é mais difícil – entendido O Capital, para saber exatamente por que esse tal “outro mundo possível” deles não pode dar certo? Mais que isso: como esperar debater a sério num meio onde ninguém leu as críticas mais arrasadoras e bem fundamentadas que foram feitas ao marxismo, pela Escola Austríaca?

Nah… O lance é encarar essa bagaceira como aquilo que realmente é: uma viagem no tempo de volta ao passado, onde debate-se com paixão a atualidade de teses abandonadas há mais de um século atrás.

De minha parte, não me oponho. Cada um desperdiça seu tempo como prefere. Alguns vão a congressos da UNE… Eu coleciono miniaturas de motos e camisas de time… A diferença fundamental e nada sutil é que eu pago pelos meus passatempos, enquanto que o passatempo deles quem paga… sou eu também!

Aí complica…

Se nem pedindo dinheiro em sinal esses estudantes conseguem financiar seu convescote, precisando abrir o berreiro até que a União desnude suas tetas para serem mamadas, é sinal que a sociedade não anda considerando lá muito importante gastar dinheiro com isso. Eu mesmo, interpelado várias vezes nos cruzamentos aqui da minha cidade, neguei moedas aos futuros congressistas da UNE, guardando-as para custear os Frutillys do meu filho. Questão de prioridades…

Aliás, este país seria um lugar melhor se o Estado financiasse mais Frutillys, e menos congressos da UNE… Já sei! PLEBISCITO, JÁ! Façamos uma consulta pública para que a sociedade diga se concorda em gastar quatro milhões com essa baguaça. Que tal?

Ah, coalé?! As esquerdas adoram uma “consulta popular”, que eu sei. Vivem querendo “democracia direta” pra tudo que é porcaria. Por que não para discutir isso? Vamos lá! CONTRA A PRIVATIZAÇÃO DO DINHEIRO PÚBLICO FEITA PELA UNE!

Que foi? Tão com medo de perder a mamata?

_____

P.S.1: Este texto é uma obra de ficção. Não o levem a sério.

P.S.2: Também não levem a sério o PCdoB, um partido que trata como herói um dos maiores assassinos da história humana.

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Uma ideia sobre “Congresso da UNE: dinheiro público pra brincar de casinha.

  1. Olegario

    Yashá,

    Sempre meus pais me ensinaram que a honestidade é uma virtude que custa caro.
    Mas eu percebi ao logo dos anos que no Brasil ela custa “caro” demais.
    Tenho uma pequena empresa de auditorias com algumas filiais espalhada por ai….
    Folha de pagamento, agua, luz, telefone, e imposto…Muito imposto.
    Um conhecido meu ( ele é vereador) sugeriu-me a seguinte proposta para se livrar disso tudo e ainda ganhar muito dinheiro.
    Disse-me ele: Monte uma ONG.
    Perguntei, ora, mais ONG do que?
    Respondeu o “consultor”: De qualquer coisa que envolva o assunto “sustentabilidade e meio ambiente”.
    E continuou: Por exemplo, recicle óleo de cozinha. Ajunte dezenas, centenas, milhares de litros e entregue ao governo. Voce terá verbas, incentivo e amparo legal.
    O negócio é “bão”…Não precisa de mídia, investimento, nada… O governo banca o troço.
    Bem, já bastante interessado pela “consultoria informal” adiantei o assunto: Filho, mas o estado banca isso? Qual o risco de não dar certo?
    Ao que ele disparou: Não tenho risco nenhum “nêgo”. O governo “solta’ a verba, voce se compromete a ajudá-lo na “sustentabilidade do meio ambiente” e fim de papo. É dinheiro em caixa.

    Pois é Yashá, não sei se assunto em sí tem algo a ver com seu texto, mas fica uma pergunta: Por que o governo gasta tanto dinheiro com lixo…? Por que investe tão mal?

    Forte abraço.

    Em tempo 1: Não me pergunte de que partido é meu nobre conhecido “vereadô”.
    Em tempo 2: Não me pergunte o que vem a ser “sustentabilidade do meio ambiente”
    Em tempo 3: O que a sua esposa faz com a sobra do óleo de cozinha?

    Olegario.

    Resposta

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