Fala que eu te escuto (#2)

Num post de ontem linquei uma tabela ilustrando o custo de vida em algumas cidades do mundo. Ali vimos que é mais caro dar um rolé em São Paulo e no Rio, do que em Nova Iorque, Paris, Copenhague e Milão, por exemplo.

Pois bem, a exemplo do The Drunkeynesian, que manja bem mais de economia do que eu, falei que a principal razão do elevado custo de vida no Brasil é a combinação entre inflação (e as incertezas em torno dela) e moeda artificialmente alta.

O leitor Paulo deixou o seguinte comentário àquele post:

“A explicação, além da inflação+real artificialmente valorizado, não seria, principalmente, os impostos embutidos nos precos?”

Sim, é evidente que a carga tributária brasileira concorre muito pro custo país como um todo, como bem lembrou o Thiago, outro assíduo leitor do blog, em sua pertinente intervenção naquele post. Mas as incertezas que tomam o mercado (e suas projeções futuras) por conta da falta de uma política forte frente à inflação, aliadas a essa teimosia estúpida que leva a mão visível do Estado a forçar uma valorização claramente artificial do Real, acabam por impor aos que marcam os preços a cultura do imediatismo.

E não pensem que estou sendo exageradamente pessimista quando falo sobre incertezas quanto ao futuro do país. Esqueçam as bravatas nacionalistas de Lula, Mantega e similares: o Brasil caminha para um belo problema econômico. Ou vocês acham que a despesa pela Copa de 2014 e pelas Olimpíadas de 2016 não acabará sendo “paga” por meio da impressão de dinheiro, comandada pelo governante de turno (seja ele petista, tucano, ou qualquer outra coisa)?

Da mesma forma, cedo ou tarde a conta dessa orkutização do crédito também precisará ser paga. E aí, como vai ficar? O que acontecerá quando a primeira construtura, cujos prédios são financiados pela Caixa Econômica, quebrar? E quando os compradores desses apartamentos, financiados pela mesma Caixa Econômica, deixarem de pagar suas prestações? Percebem? O que sê vê no Brasil é um dos fenômenos mais perigosos do mundo econômico: o Estado está pagando o Estado com dinheiro impresso pelo… Estado! Não tem como funcionar… Os tais “fundamentos sólidos da economia brasileira” só precisam de um empurrãozinho para ir ao vinagre…

“E o que você entende de economia, cara?” Eu?! Bem pouca coisa… Por isso lhes peço: não acreditem em mim! Acreditem no Financial Times, que vem falando há tempos sobre o fim do chamado “boom econômico brasileiro”.

A bem da verdade, é mais fácil ver a absurdamente endividada Itália se livrando de Berlusconi e saneando suas contas públicas, do que ver o Brasil escapando sem uma crise brutal nos próximos anos. Again: não sou eu quem diz isso, mas a The Economist. Outra que entende bem mais do que este vosso criado.

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