Textículos #5

“E aí, não vai escrever sobre o assassino direitista da Noruega?!”

Yep, vou sim. Mas não muito, porque (a) o assunto cansou e (b) gente mais gabaritada que eu já escreveu tudo o que há para se escrever a respeito (aqui e aqui).

Simples e direto? Quero mais é que o assassino vá pro diabo que o carregue! Viram? Já disse antes e volto a repetir agora: não tenho terroristas de estimação! No meu mundo ideal, todos estariam “sentados no colo do capeta” (copyrights Alborghetti), fossem eles de esquerda, de direita, de centro ou sabe-se lá o que mais.

Dito isso, uma digressão: o que caráleos leva meio mundo a concluir que o maluco norueguês é “de direita”? Ele por acaso publicou tratados defendendo o Estado mínimo? É mundialmente conhecido por seus postulados acerca do não-intervencionismo? Onde estão, afinal, os fundamentos concretos apontando para o “direitismo” dele, for God’s sake?!

“Ah, ele era xenófobo.” Sério?! Do tipo que não queria ninguém diferente dele na Noruega? Algo assim, nos moldes do nazismo? Aquele movimento criado por Hitler que se chamava de – atenção agora! – nacional-SOCIALISMO?! Façavor, né? É preciso bem mais que uma imbecilidade racista para enquadrar alguém como cristão, ateu, direitista, esquerdista, ou o que quer que seja. A única conclusão possível até o momento é a seguinte: o assassino é um sociopata. Fim! O resto não passa de chutômetro.

Por fim, não custa lembrar que eu não tentei defender ou justificar o assassino norueguês. Dane-se as alegadas motivações políticas para a barbárie! É um criminoso e deve ser punido. Agora quero ver os esquerdosos fazerem o mesmo com Cesare Battisti, afinal também matou gente inocente alegando motivos políticos… By the way, será que o STF também daria abrigo ao maluco nórdico?

_____

E a Amy Winehouse, heim? Que chato… Eu curto algumas das músicas dela (Back to black é algo fabuloso!) e lamento esse imenso desperdício de talento.

Convenhamos, esse final estava anunciado, né? Amy procurou desesperadamente o fim que encontrou no último sábado. Se atirou nessa busca mórbida desde o dia em que escolheu jogar seu enorme talento no lixo e se debruçar sobre todo tipo de droga imaginável.

É por isso que não consigo me comover com o ocorrido, nem me render ao discurso politicamente correto que a quer como uma “jovem doente”, vítima das drogas. Ah, tenham a santa paciência! Doente é quem fica gripado, ou com gastrite. Alguém que decide se drogar está fazendo uma escolha de vida, não contraindo um vírus.

Se Amy realmente foi vítima de alguma coisa, ela foi vítima de si mesma. De suas fraquezas; suas inseguranças. A sociedade não precisa se culpar por isso, afinal tudo se resume sempre a escolhas individuais.

Amy fez as escolhas dela. Ela é a única responsável pelo fim trágico que teve. E se os vícios não podem (e não devem) ser motivo para diminuir o talento dela, também não se deve aceitar que sejam usados para, de forma oblíqua, criar uma vítima.

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6 ideias sobre “Textículos #5

  1. Gabriel

    Já que você misturou escolhas indiciduais com terrorismo num post, é bom sempre lembrar: o que é extremo tem seus tentáculos não-extremos. Ou seja: a escolha do monstro foi dele, não devemos culpar mais ninguém por isso. Mas há correntes racistas, xonófobas e islamofóbicas na Europa. Assim como um homem-bomba islâmico tem sua escolha individual, e ela não é algo isolado apenas por ser uma escolha individual, Tem todo um contexto.

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    1. yashagallazzi Autor do post

      Gabriel, não é que eu tenha “misturado”. É uma seção diferente do blog, onde falo de assuntos os mais diversos em textos mais curtos, só isso. Eles podem ter alguma relação entre si, ou não.

      É evidente que TUDO traz em si uma carga de contexto. Meu ponto é: a decisão final será SEMPRE individual. O meio em que Amy vivia poderia ser propício às drogas, mas ninguém nunca poderá negar que foi ELA quem ESCOLHEU usar as coisas.

      O mesmo vale pro terrorista da Noruega: ele ela xenófobo, assim como vários movimentos espalhados pela Europa? Sim! Mas quem disse que esses movimentos têm na violência um lugar comum? Não! Essa foi uma escolha DELE (ou do grupo dele)!

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      1. Gabriel

        Eu sei que não foi uma mistura, mas como você colocou os dois assuntos no mesmo post, resolvi abrir a, digamos, a polaridade entre esses dois pensamentos (a questão individual e os meios). Na verdade concordo com você: não se pode culpar os não-terroristas com algum tipo de alinhamento ideológico com o terrorista pelos atentados. O crime foi dele, escolha dele. Mas também é preciso que o ocidente fique atento e ativo contra o que vai ao que ele própro representa: quando se vê crianças sendo treinadas para serem homens-bomba, condenamos com razão. Vai contra nosso ideal de sociedade. Da mesma forma, pessoas pensando que seus diferentes devem ser banidos, exterminados – mesmo sem fazer nada, vai contra o que o ocidente representa.

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    1. yashagallazzi Autor do post

      WTF?!?!?! Você pelo menos leu o texto?! Eu disse que por mim o cara estaria de braços dados com o capeta, e você vem falar que eu defendi ele?! Taqueopariu!

      Analfabetismo: um mal que aflige milhões!

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  2. Samuel

    Gabriel,o que o ocidente preza em primeiro lugar é a liberdade intelectual de se pensar no que quiser.Banir,exterminar os diferentes não me parece muito diferente dos ideais do norueguÊs

    Resposta

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